Capítulo 5
~CELINE~
Olhei para o meu relógio de pulso. 1:30 PM. Por que a Caroline estava demorando tanto?
Com um suspiro, peguei o telefone e disquei o número dela. Com certeza, ela não tinha esquecido dos nossos planos para o almoço.
À minha frente, Caesar começou a se mexer, batendo seu caminhão de brinquedo contra a mesa. O tédio dele era o meu sinal para me apressar, mas Caroline ainda não atendia.
O suave tilintar da porta do café se abrindo chamou minha atenção. Olhei para cima e vi Caroline parada na entrada, examinando a sala até que seus olhos encontraram os meus.
“Caroline!” Eu acenei, sentindo um alívio me inundar.
Ela acenou de volta com um sorriso brilhante e foi se esgueirando pelas mesas lotadas. Como sempre, ela estava impecavelmente elegante—sua blusa de seda e saia lápis perfeitamente ajustadas, seu cabelo loiro caindo sobre os ombros.
Eu me endireitei na cadeira, de repente consciente dos cachos selvagens emoldurando meu rosto e das sombras sob meus olhos.
“Espero não ter te feito esperar muito,” Caroline disse enquanto se sentava na cadeira à minha frente. Sua voz carregava uma nota de desculpa genuína.
“O trabalho tem sido uma loucura.”
Seu olhar suavizou ao cair sobre Caesar. “Oi, querido,” ela falou carinhosamente, seu sorriso se alargando. “Meu afilhado fica mais fofo cada vez que o vejo.”
Caesar olhou para cima, oferecendo a ela um sorriso tímido antes de voltar para o caminhão.
Caroline se inclinou ligeiramente, estudando-o com uma expressão que eu não conseguia decifrar. “Esses olhos azuis…” ela murmurou para si mesma.
“O que foi isso?” Eu perguntei, meu tom mais afiado do que eu pretendia.
Ela piscou, sua compostura polida escorregando por um momento. “Nada,” ela disse rapidamente, afastando o comentário com um sorriso. Mas algo permaneceu em sua expressão—algo que ela não estava dizendo.
Deixei passar, embora suas palavras ficassem na minha mente.
“Como você tem estado, Celine?” ela perguntou, seu tom gentil, mas cauteloso.
“Bem,” eu disse, passando o dedo pela borda do menu, “estou desempregada, e meu aluguel vence em breve.”
A expressão de Caroline suavizou com simpatia. “Você já considerou pedir ajuda à sua mãe ou irmã?”
Eu me retesava. “Você sabe que não posso fazer isso.”
Ela suspirou, sua frustração mal disfarçada. “Eu entendo, mas pense no Caesar. Você não pode fazer isso sozinha para sempre.”
“Eu estou pensando no Caesar,” eu retruquei. “É por isso que não estou arrastando ele para a bagunça deles.”
Caroline se recostou, levantando as mãos em rendição. “Tudo bem. Mas está difícil lá fora, Celine. Se você precisar de ajuda…”
“Eu sei,” eu disse baixinho. “E eu preciso de ajuda.”
Eu hesitei antes de continuar. “Se eu não encontrar uma solução em breve, Caesar e eu podemos ficar sem teto.”
O rosto dela suavizou novamente, e ela estendeu a mão para apertar a minha. “Vou ver o que posso fazer, tá? Só confie em mim.”
O alívio me inundou, e eu consegui esboçar um pequeno sorriso. “Obrigada, Caroline.”
Dois dias depois, ela me mandou uma mensagem sobre uma vaga de emprego na mansão do primo dela. A posição era de empregada doméstica, e o salário era surpreendentemente generoso.
Pela primeira vez em semanas, a esperança acendeu no meu peito. Esse trabalho poderia ser nosso recomeço.
O sábado de manhã chegou mais rápido do que eu esperava. Pulei da cama ao som irritante do meu despertador.
“Levanta, Caesar”, chamei, puxando-o debaixo das cobertas.
Sem água quente, tive que esquentar água no fogão para nossa higiene matinal. Quando estávamos vestidos—eu com um vestido preto simples, Caesar de jeans e camiseta—já estava exausta.
Saímos do apartamento, desviando de um olhar afiado da Dona Martha.
“Bom dia, Celine. O aluguel vence semana que vem. Não me faça bater na sua porta”, ela avisou, com a voz rouca.
Engoli um suspiro, forçando um sorriso educado. “Entendi, Dona Martha.”
Pegamos um ônibus, depois um táxi, serpenteando por ruas que ficavam mais limpas e opulentas a cada curva.
“Uau”, murmurei, olhando pela janela para as mansões imponentes.
“É impressionante, né?” o motorista do táxi disse com uma risada. “Bem-vinda ao lugar onde vivem os ricos e poderosos.”
O táxi parou em frente a uma mansão elegante, com fachada de vidro, e eu desci, segurando a mão de Caesar.
O portão de ferro se erguia à frente, seu tamanho me fazendo sentir pequena.
“Chegamos”, sussurrei, dando um sorriso trêmulo para Caesar.
Apertei o interfone, me assustando quando uma voz nítida ressoou pelo alto-falante. “Nome?”
“Celine Brown”, gaguejei.
“Você tem um horário marcado?”
“Sim. Caroline Crawford me indicou para a vaga de empregada.”
Houve uma pausa, então um clique suave enquanto o portão se destrancava.
Apertei a mão de Caesar e entrei. O caminho era ladeado por arbustos perfeitamente aparados, levando até a enorme porta da frente.
Uma mulher de vestido azul nos recebeu, sua expressão severa. Ela me olhou de cima a baixo, depois lançou um olhar de desaprovação para Caesar.
“Por aqui”, disse ela, secamente, virando-se nos calcanhares.
Seguimos por uma casa que parecia saída de uma revista. As risadinhas de Caesar quebraram o silêncio, e eu apertei a mão dele, pedindo para ele ficar quieto.
Finalmente, paramos em frente a uma porta.
“Ele está esperando”, disse a mulher, me lançando um olhar incisivo antes de se afastar.
Respirei fundo, meu coração acelerado.
“Bem”, sussurrei para mim mesma, “lá vamos nós.”
Abrindo a porta, entrei com Caesar. O escritório era forrado de estantes, a luz do sol entrando pelas janelas.
Um homem estava de costas para nós, encostado em uma prateleira.
“Olá?” chamei suavemente.
Ele se virou, e meu fôlego ficou preso na garganta.
Hunter Reid.
Seu olhar penetrante se fixou no meu, e o quarto pareceu encolher ao nosso redor.
