Prólogo
Gravara era uma cidade de ruínas. As outrora belas ruas, mercados e casas, agora destruídas. A cidade da fortuna foi destruída pelos exércitos de Palitia, a Capital de Amaria.
As pessoas dizem a si mesmas que a destruição de Gravara foi causada por uma guerra travada entre as duas cidades. As pessoas dizem a si mesmas que a luta foi justa, mas não houve guerra. Houve apenas aniquilação.
O Governador daquela época estava obcecado em obter o controle de toda Amaria. E ele conseguiu isso através de seu holocausto. A destruição de Gravara foi tão grande, e houve tão poucos sobreviventes, que a única coisa que ele teve que fazer para usurpar o controle foi limpar os escombros. Para mostrar a todos os cidadãos de Amaria que ele havia obtido seu controle completo, o Governador criou os Jogos do Infinito.
Os Jogos do Infinito eram um esporte brutal onde crianças eram jogadas em uma arena e forçadas a se matar. Os jogos consistiam em qualquer coisa, desde frutas venenosas até labirintos intermináveis, passando por monstros criados em laboratório com assassinato entrelaçado em seu DNA. As crianças que eram colocadas nos jogos não apenas tinham que matar umas às outras, mas também tinham que sobreviver aos outros horrores que as aguardavam na arena.
Nunca havia vencedores nos Jogos do Infinito. Todo mês, novas crianças eram colocadas na arena, fazendo com que o jogo continuasse seu ciclo interminável, cravando suas garras no infinito. As pessoas de Palitia viam esses jogos como um esporte, um show para seu entretenimento. Elas estavam cegas pela sua ignorância. Nunca tiveram que suportar perder seus filhos para os jogos.
Elas eram alheias aos horrores fora de sua cidade. Alheias ao fato de que estavam sendo controladas. Alheias ao fato de que os Jogos do Infinito estavam machucando e matando pessoas reais. Os ávidos espectadores da capital cada um tinha um competidor pelo qual torciam, mas os favoritos nunca duravam muito. Com novos competidores entrando na arena todo mês, o equilíbrio precisava ser mantido, então esse problema era resolvido matando as crianças que sobreviviam por mais de um mês.
Para garantir que esse equilíbrio fosse mantido, uma posição foi estabelecida dentro do governo. O Controlador do Infinito controlava o que acontecia nos jogos e era responsável pelo que e quem entrava. O Controlador do Infinito decidia quem morria e quem era torturado, no geral, brincando de deus mesquinho.
Mas será que seu deus poderia manter a ordem para sempre? O infinito era um tempo muito, muito longo.
