Capítulo 7 O plano
POV da Trixie
“Cal, a gente tem um problema”, digo pelo elo mental.
“O que foi, querida? Você tá bem?”, ele responde.
“Eu tava voltando pra começar minhas tarefas quando o beta Richard me agarrou e me arrastou pro calabouço. Ele me prendeu...” começo a despejar tudo de uma vez.
“Querida. Calma. Respira fundo umas três vezes. Onde você tá?”, ele pergunta bem calmo.
“Cal, eu sei o que eles tão aprontando. Eu fui pro quarto da Trinity depois do café da manhã. Eu tava pra abrir a porta quando ouvi eles. Eles vão me matar. Eles, eles...” continuo tagarelando, desesperada.
“Amor, fala mais devagar. Quem vai te matar, meu bem? O que tá acontecendo? E por que o Richard te levou pro calabouço?”, ele pergunta.
“Eu preciso de ajuda. Por favor, me ajuda”, peço pra ele.
“Querida, eu tô com você. Agora vamos voltar um pouco. Onde você tá agora?”, ele pergunta, tentando me acalmar.
“Cal, eu tô no banheiro, no andar do alfa”, respondo.
“Eles já saíram do quarto, bebê?”, ele pergunta.
“Não, eles ainda tão lá dentro”, respondo, ainda em pânico.
“Quem tá lá dentro, bebê? Quantos tão no quarto?”, ele pergunta, tentando arrancar alguma informação.
“Eu não tenho certeza. Eu não olhei. Eu só ouvi a Trinity e a Shelby, só isso”, respondi.
“Tá bom, me escuta. Fica no banheiro. Não entra no quarto ainda. Tô indo pra aí. Fica aí até eu tirar eles do quarto. Se o que você tá dizendo for verdade, quando eles te virem vão arrumar confusão. Como você tá? Quão ruim foi dessa vez?”, ele pergunta.
“Eu tô bem, tio Cal, e eu vou ficar aqui. Por favor, vem rápido. Por favor, me ajuda”, imploro, chorando.
Quando eu corto o elo com o tio Cal — não, ele não é meu tio de verdade, mas desde que eu tinha 12 anos o Calvin e a Margaret cuidam de mim. Eles são como família. Eles sempre estiveram do meu lado e me trataram como se eu fosse filha deles. A maioria dos guerreiros também. Todos eles me acolheram, me criaram junto com eles, garantindo que eu tivesse o que eu precisava e fazendo de tudo pra me manter viva e me proteger o máximo que podiam.
“Trix, o que tá acontecendo? Que plano é esse que você tá falando?”, minha amiga pergunta pelo nosso elo.
“Rox, eu ouvi a Trinity e a Shelby. Eu tava indo limpar o quarto dela quando escutei as duas conversando. O torneio. É tudo armado. Eles planejaram tudo pra me matar. Eu sabia que tavam tramando alguma coisa”, conto pra ela.
“Você tem certeza de que ouviu direito? Quer dizer, a gente sabia que elas tavam aprontando, mas... que merda. Onde você tá, Trix?”, ela pergunta, confusa.
“Eu fiz elo com o Cal. Ele tá vindo. Eu tô no banheiro, no andar do alfa. Ele vai dar um jeito de tirar eles de lá antes de eu entrar”, digo, atropelando as palavras.
— Isso é esperto. Trix, não vai a lugar nenhum. Fica aí. Tô indo praí agora. A gente vai limpar juntos. Vou te ajudar a terminar isso pra você sair desse chão. Vai saber o que eles podem fazer com você agora — ela diz.
— Valeu, Rox. Não vou a lugar nenhum até ter notícia do Cal — respondo, tentando me acalmar.
Ponto de vista do Calvin
Assim que termino o elo mental com a Trixie, eu fico possesso. Por que diabos o Richard levou ela pro calabouço? Por que ela tava acorrentada? Que inferno tá acontecendo? Várias perguntas passam pela minha cabeça, me deixando ainda mais irritado do que eu já tava. De uma coisa eu tenho certeza: eles vão pagar. A Trixie não merece isso.
Uma coisa é clara: ela tá com medo e tá machucada.
— Margaret, eu tenho que ir. A Trix tá encrencada. Eu explico depois — digo pra minha parceira.
— Cal, você não pode entrar lá sozinho e sem motivo — meu lobo, Knox, diz pra mim.
— Eu vou pensar em alguma coisa. Ela precisa de ajuda, a gente tem que fazer alguma coisa.
Bem quando eu tava tentando achar um jeito de tirar elas daquele quarto, o alfa Melvin vem pelo elo.
— Gama Calvin — ele diz —, a Trinity precisa ir até a cidade. Providencie dois guerreiros e deixe os dois esperando na entrada.
— Sim, alfa. Vou providenciar agora. Mais alguma coisa? — respondo.
— Sim, ah, e deixa o motorista pronto e esperando também — ele diz.
— Sim, alfa. Tudo vai estar pronto em poucos minutos — falo, encerrando o elo. Que timing.
— Brad, você e o Travis me encontrem na entrada da casa da matilha, o mais rápido possível — digo pelo elo.
— Sim, gama Calvin — ele responde.
Quando chego na casa da matilha, vejo o Brad e o Travis me esperando, como eu tinha mandado.
O motivo de eu ter chamado justamente esses dois é que eles são dois dos nossos guerreiros de elite e são muito ligados à Trixie. Eles ajudaram a criar e cuidar dela depois que os pais dela foram mortos. Eu posso contar com esses dois pra protegerem ela e cuidarem dos interesses dela. Seja lá o que estiver acontecendo, esses dois vão descobrir.
— Gama, o que tá acontecendo? Tem algum problema? — o Brad pergunta.
— Obrigado aos dois por terem vindo tão rápido. Não posso explicar tudo agora, mas a nossa menina tá em apuros. O alfa Melvin pediu guerreiros pra escoltar a Trinity e as amigas dela até a cidade. Eu preciso que vocês dois vão escoltar elas e prestem atenção em tudo que elas disserem. Não posso entrar em detalhes agora, mas eles tão planejando alguma coisa contra a Trixie. Vejam o que vocês conseguem descobrir pra mim — digo pra eles enquanto entro na casa da matilha e subo pro andar do alfa.
Quando chego no quarto da Trinity, bato na porta.
— Trinity, seu pai me mandou te buscar. Seu carro já tá esperando pra te levar pra cidade — aviso.
— Amor, o caminho tá livre. Termina o que você precisa aí e, quando acabar, vem falar comigo — digo pra Trixie pelo nosso elo.
