Capítulo 5 Capítulo 5

Ele também ficou rindo, só falou por falar brincando, ela foi para a festa toda contente dele estar parecendo interessado, conversou com o pai, dizendo que estava com muita dor de cabeça, logo quis ir embora.

Voltou para casa o procurando, ele estava sentado em cima de uma escada, que ia para a área de lazer, ela parou um pouco longe, só mostrou as sacolas qye carregava, com aquele mesmo olhar debochado, ele foi descendo desacreditado, se aproximou

- Oi, cê veio memo. Que isso em patroa!

Ela foi subindo na frente dele

- Eu não gosto de dever nada pra ninguém. Vem sentar aqui, pra comer.

Foi para a área de lazer, ele parou no final da escada

- Era só zueira, não precisava. Ae, eu tô trampando.

- É melhor voltar pro meu lugar.

- Valeu mesmo.

Ela se aproximou séria

- Pode vir, depois eu falo com o meu pai.

- Você só vai almoçar.

- Vai me fazer de otária?

Ele olhou para trás com receio de se colocar em problemas

- Não, é que... cê sabe, tá ligada que não é qualquer uma.

- Seu pai pode achar que eu tô mal intencionado, tá ligada?

- A minha vida é isso, tudo o que tenho tá aqui, se der algum b.o, tô fudi do.

- Não posso ficar nem trocando ideia com você.

- Não sou como o Jogador, que tá na caminhada faz tempo e conhece todo mundo.

- Ele tá no topo, por isso tá com a sua irmã.

Ela se afastou voltando para a mesa frustrada

- É só um almoço, não tô pedindo pra ficar comigo.

- Como eu sou trouxa.

Começou guardar tudo envergonhada emotiva, ele também entrou lá, todo sem jeito

- Não pô, cê foi mó daora comigo. Vai deixa eu comer aí.

- Pra ficar te devendo uma.

Ela foi abrindo os potes cheios de comida

- É, vou cobrar mesmo. Não sei que medo é esse de chegar perto de mim.

- Não sou feita de ouro tá.

Levou feijoada, torresmo, vinagrete, couve cozida, foi fazendo o prato dele, pegou refrigerante na geladeira, ele sentou a mesa, tirou o boné para comer

- Não é medo, é respeito. Cê sabe que pode ter tudo o que quiser, nasceu cresceu assim, só que nessa de ficar de papo, não tem consequências pra você.

Ela estava se servindo, respondeu séria

- Caramba que exagero meu, não posso ter amizade com ninguém agora?

- Você vai me fazer perder a fome.

Ele pediu desculpas, almoçaram juntos sem conversar, ela foi juntando tudo se preparando pra lavar a louça, o mandou descer, ele interrompeu pegando a bucha de lavar louça

- Deixa que eu lavo.

- Bora troca uma idéia lá embaixo? Na moral?

Ela encostou na pia, ao lado dele séria

- Como na moral, se você não me dá uma condição Magrinho?

Ele sorriu desconfiado sem entender a onde ela queria chegar

- Ahhhh tá me tirando?

- Iiii sai pra lá doida.

- Não tenho nada pra te dar não, cê é grandona demais pra mim.

Ela começou rir muito

- Estou gorrda pra você?

Ele a olhou de cima a baixo, sorriu com maa.ldade

- Não pô. Nem conheço uma palavra adequada pra te elogiar, definir, com o respeito que merece.

Ela mexeu no cabelo fazendo charme meio envergonhada

- E sem respeito, tem as palavras?

Ele falou baixinho rindo

- Caralh cê quer me deixar fud ido memo?

- Gostos.a pra por ra, toda perfeitinha sem um nada fora do lugar.

- É o que eu imagino né.

- Mas é feita só pra olhar. Igual coisa cara em vitrine pra pobre!

Ela começou rir muito envergonhada

- Já me imaginou sem roupa? É isso?

Ele sorriu debochado

- Claro que não, tá doida?

- Bora sair daqui, seu pai vai dar cabo de mim em.

- Vou de arrasta pra cima sendo inocente.

Foi saindo de lá, indo para a escada

- Bora troca uma ideia lá fora, onde todo mundo vê que eu tô de boassa.

Ela sorriu revirando os olhos

- Meu pai não é assim, relaxa.

- Tenho amizade com o pessoal, ninguém nunca foi punido por isso.

Ele olhou tipo desdenhando, como quem duvidava, ela encostou no final da escada

- Quer conversar sobre oque? Tráf.ico? Baseado?

- Nem sei o seu nome.

Ele sorriu debochado sentando ao lado dela no degrau

- Não né pô, acha que eu não sei trocar idéia?

- Só que a sua vida, é bem mais legal com certeza.

- Me fala de você. Do que gosta de fazer, o que curti beber.

Ela sentou ao lado não tão perto, pois apesar de interessada, tinha certeza que o pai iria contra, ficou meio sem jeito apreensiva, rodando um anel no dedo

- Não sei, tipo assim, as vezes meu pai não me deixa solta, pra curtir.

- Sair sozinha, ir ao shopping, eu não gosto de bater de frente, passar por cima da palavra dele, pra ir em role.

- Sabe eu gosto de sair daqui a noite, queria muito ir a praia, tipo acampar, por causa das estrelas, acordar com o sol nascendo.

- Qualquer dia, você pode ir comigo né não?

- Ele não me deixa ficar longe sem segurança.

Ela ficou sério pensando no jeito dela, mais calma, educada simpática, estava bem arrumada, cheirosa, parecia acessível e isso o incomodou, ficar imaginando o que ela queria com aquela conversa mole, ela continuou falando sobre os seus lugares preferidos na cidade.

Comentou que queria muito ir a praia, ele disse que nunca foi, mas que não ia gostar, ela já tinha ido a várias, começou contar com detalhes, explicando as diferenças, da água, areia, ele falou sobre onde morava antes, no interior, comentou que a vida lá era bem simples, confessou nunca na vida ter imaginado que ia virar bandido, falou sobre a infância.

Conversaram por horas, apenas se conhecendo mesmo, ela deu bastante risada, ele ficou mais a vontade, percebeu que ela era bem mais educada que Venessa, quando Vila chegou, os viu lá, apenas acenou e entrou para dentro de casa, depois foi até espiar, achando estranho o comportamento dela, já que Valery era toda certinha.

Ela ficou rindo percebendo que ele ficou nervoso

- Magrinho relaxa, a gente não tá fazendo nada de errado.

Pegou sutilmente na mão dele, ele recuou e levantou

- Não faz isso não pô. Na moral.

- Sem caô, cê vai me colocar em problemas.

- Vou lá no meu posto.

- Valeu pelo rango, tava bom demais.

Se afastou achando que de qualquer forma, ia se dar mal com ela, foi para perto do portão, ela ficou irritada, achando que ele estava desinteressado inventando desculpas, porque ela sempre conversava com os outros e nenhum tinha tanto medo.

Ela ainda não tinha percebido que ele era diferente da maioria deles, entrou frustrada, Vila estava sentado na sala, perguntou o que ela estava fazendo lá fora, Valery o abraçou em pé por trás do sofá

- Nada, conversando. O coitado nunca foi a praia, acredita?

- Você não vai mesmo na minha formatura?

Vila a olhou de canto de olho, indiferente ao abraço

- Coitado é? Sei, você abre o olho, que se eu pegar qualquer coisa, vai todo mundo pras idéias.

Ela se afastou irritada, foi sentar longe

- Qualquer coisa o que?

- A Venessa tá lá quase morando com o seu gerente, não vem em casa pra nada além de me roubar.

- Peguei ela cheirando na festa e você não faz nada.

- Quero você na formatura, não ela. Pra me envergonhar na frente de todos!

Ele começou mexer no celular

- Não posso descer daqui, os cara tão marcando em cima, já conversamos sobre isso Val.

- A sua irmã vai, sua mãe também. Escolhe um presente, qualquer coisa!

- Outro carro, uma moto, pode escolher.

- Quer outro celular? Eu compro agora.

Ela se levantou brava, foi para o quarto, no dia seguinte viu Magrinho já cedo no portão, foi se arrumar pra sair, querendo chamar atenção, colocou um biquíni neon e preto, shorts jeans curto desfiado, chinelo, passou maquiagem leve, deixou o cabelo solto, a parte de cima do biquíni era curtininha, saiu procurando o pai, semi nua daquele jeito, ele estava na biqueira.

Quando ela saiu no portão, Magrinho e o outro soldado estavam rindo conversando, quando ele a viu até ficou sério, ela foi em direção a moto, séria de óculos escuros, foi ligando, olhou para eles

- Vou sair, ninguém vai comigo?

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