Capítulo 2
Ponto de vista de Christopher
Eu estava sentado atrás da minha mesa de mogno, tamborilando os dedos sobre a superfície polida. O toque ritmado ecoava no silêncio do meu escritório espaçoso.
A vista do meu escritório de esquina se estendia diante de mim — um mar de arranha-céus e a cidade agitada lá embaixo, um lembrete constante do império que eu tinha construído. Ser o CEO da Wallace Investments tinha suas vantagens, e aquele espaço luxuoso era, sem dúvida, uma delas.
Aos 32 anos, eu tinha chegado ao topo mais rápido do que qualquer um esperava, deixando um rastro de investidores impressionados e concorrentes invejosos pelo caminho. O peso do meu Rolex no pulso era um lembrete palpável do meu sucesso; cada tique marcava mais um segundo do meu reinado sobre o mundo financeiro.
Uma batida suave interrompeu meus pensamentos.
— Entre — chamei, endireitando a gravata.
A porta se abriu, e Ruby, minha secretária, entrou. Os saltos dela estalaram no piso de madeira enquanto se aproximava da minha mesa.
— Sr. Wallace, o Harrison está aqui para falar com o senhor — anunciou, com uma voz profissional e objetiva.
— Mande-o entrar, por favor.
Ruby assentiu e saiu do escritório, deixando seu perfume no ar. Recostei-me na cadeira de couro, me preparando mentalmente para a reunião. Harrison era um dos nossos cineastas mais promissores, mas tinha um talento especial para testar a minha paciência.
A porta se abriu de novo, e Harrison entrou a passos largos, só confiança e pose. A combinação de jeans de grife com blazer gritava “artista tentando demais”.
— Chris, meu irmão! — exclamou, abrindo os braços como se fosse me abraçar. Permaneci sentado.
— Harrison — respondi, apontando para a cadeira à minha frente. — Sente-se.
Ele se jogou nela e, de imediato, apoiou os pés na minha mesa. Ergui uma sobrancelha, e ele os baixou depressa, pigarreando.
— Então, grandão, tenho novidades empolgantes sobre o elenco do nosso filme.
— Vamos ver o que você tem.
Harrison puxou o tablet com um floreio, quase deixando-o cair. Segurei uma risada enquanto ele se atrapalhava para pegá-lo.
— Certo, então… — começou, tocando na tela com rapidez. — Pro protagonista, eu tenho esse galã em ascensão. As mulheres vão amar.
Apertei os olhos para a foto. — Esse não é o cara daquele comercial de cereal? Aquele em que ele dança com uma colher?
O rosto de Harrison murchou. — Bom, é… mas ele tem versatilidade, estou te dizendo!
— Quem mais?
Ele passou por mais algumas fotos, disparando nomes que eu mal reconhecia. Eu ia concordando, fingindo interesse, até ele chegar à protagonista feminina.
— E, pra nossa protagonista, temos essa joia raríssima — anunciou Harrison, virando o tablet para mim com outro floreio.
Inclinei-me, estudando a imagem. A garota era bonita o bastante, mas havia algo nela que parecia… estranho.
— Qual é a experiência dela? — perguntei, tentando lembrar de onde eu poderia tê-la visto antes.
— Ela é relativamente nova no meio, mas tem talento bruto, Chris. Você tinha que ver como ela expressa emoção!
— “Expressa emoção”? É assim que estão chamando hoje em dia?
Ele deu uma risada nervosa. — Olha, eu sei que ela ainda não é um nome conhecido, mas confia em mim. Ela tem aquele algo a mais.
Tamborilei os dedos na mesa, ponderando. — Harrison, eu aprecio seu entusiasmo, mas estamos investindo milhões nesse projeto. Precisamos de alguém com um pouco mais de… apelo de estrela.
O rosto dele desabou. — Mas, Chris, ela é perfeita pro papel! Ela tem o visual, o talento—
Ergui uma mão para interrompê-lo. — Não estou dizendo não de cara. Mantenha-a como opção, mas quero que você encontre outra atriz. Alguém com um pouco mais de experiência.
Harrison afundou na cadeira, com cara de criança que acabou de ouvir que o Natal foi cancelado. — Mas—
— Sem “mas” — falei, firme. — Isso é negócio, Harrison. Temos que pensar no lucro.
— Tá, tá. Vou continuar procurando. Mas anota o que eu estou te dizendo, Chris: você está deixando passar a próxima grande estrela!
— Se ela for mesmo a próxima grande estrela, ainda vai estar por aí no nosso próximo projeto. Agora, me fala do elenco coadjuvante. Por favor, me diga que você não escalou aquele cara que sempre faz o vizinho maluco.
Os olhos de Harrison se arregalaram. — Como você sabia?
Eu gemi, esfregando as têmporas. Aquela reunião ia ser longa.
