Capítulo 7

Ponto de vista de Christopher

Observei o peito dela subir e descer, a respiração voltando aos poucos ao normal. A pele brilhava com uma leve camada de suor, e o cabelo estava deliciosamente bagunçado.

— Que tal a gente tornar esse acordo mais permanente? — propus, deslizando os dedos pelo braço dela. — Eu te arrumo um apartamento legal, uma mesada mensal e, é claro, a gente mantém nossos “encontros” aqui.

A testa dela se franziu de leve, e eu quase consegui ver as engrenagens girando na cabeça. Ela mordeu o lábio inferior, um gesto que achei irresistivelmente fofo.

— Eu... eu preciso usar o banheiro — disparou, com a voz trêmula.

— Claro, querida. É logo ali, naquela porta — apontei, dando um sorriso tranquilizador.

Quando ela escorregou para fora da cama e foi para o banheiro, tirei um instante para admirar a visão. O corpo nu dela era uma obra de arte — os seios fartos e firmes, os quadris com curvas sedutoras e a bunda... perfeição.

Assim que a porta se fechou atrás dela, peguei meu roupão de seda e vesti.

Foi então que meu telefone vibrou. Franzi a testa, tentando lembrar onde eu tinha jogado aquilo no meio do nosso... entusiasmo. Depois de procurar um pouco (como foi parar embaixo da chaise longue?), encontrei.

“Parabéns! Você ganhou um cruzeiro grátis!”, dizia a notificação. Spam. Maldito spam. Como se eu não pudesse pagar o meu próprio cruzeiro.

Quando eu ia bloquear a tela, meu polegar hesitou. No meio das notificações havia uma mensagem de cutiepie69, enviada só alguns minutos atrás.

“Oi, Daddy, me desculpa, mas não vou conseguir ir hoje à noite. Surgiram umas coisas pessoais. Que tal amanhã?”

Pisquei, depois pisquei de novo. Cutiepie69? Mas ela estava... Meus olhos dispararam para a porta fechada do banheiro. Ela não estava lá dentro agora?

Uma sensação gelada se instalou no meu estômago. Aquilo não estava batendo.

Rolei depressa o histórico da conversa, o dedo indo tão rápido que quase queimou na tela. E lá estavam — as fotos de cutiepie69. Meu queixo caiu.

A garota dessas fotos definitivamente não era a mesma que estava ocupando meu banheiro. Tá, havia algumas semelhanças — as duas morenas, com um corpo de parar o trânsito —, mas as diferenças saltavam aos olhos agora que eu olhava direito.

— Merda.

Quem diabos estava no meu banheiro?

Ouvi a descarga e rapidamente bloqueei o celular. A porta do banheiro rangeu ao abrir, e ela saiu, enrolada em uma das minhas toalhas brancas e macias. O tecido estava frouxo sobre as curvas dela e, por um momento, eu me esqueci das fotos que tinha acabado de ver. Mas então a realidade desabou de volta, e eu lutei para manter a compostura. Quem era essa mulher, afinal?

— Está tudo bem, senhor Wallace? — perguntou, com a voz doce como mel.

— Está tudo ótimo, uma maravilha — respondi. Fiz uma pausa e decidi encarar de vez. — Na verdade, não. Não está tudo bem. Quem é você, de verdade? E o seu nome é cutiepie69? Você não... você não veio aqui pra sugar dating, veio? — De repente, uma lembrança se encaixou. — Espera um pouco. Seu nome é Olivia?

Ela assentiu, os olhos bem abertos, entre a confusão e o que parecia ser alívio.

Eu me senti um idiota completo. “Jesus. Por que você disse que seu nome era Cutiepie69?”

As bochechas de Olivia coraram de um vermelho intenso. “Eu... eu fiquei muito confusa, na verdade. Quando o senhor começou a falar de sugar babies e regras, eu pensei que talvez fosse algum código estranho de Hollywood que eu não entendia. Eu não queria parecer burra, então eu só... entrei na sua.”

“Me desculpa, Olivia. A culpa é totalmente minha. Eu adiei nosso encontro porque tinha combinado de me encontrar com uma sugar baby — a verdadeira Cutiepie69. Eu esqueci completamente de avisar o Thomas sobre a mudança. Aí você apareceu, linda daquele jeito, e eu simplesmente presumi... Nossa, isso é humilhante.”

Eu reparei como ela estava bonita, mesmo naquela situação constrangedora. Mas empurrei esses pensamentos para longe, tentando me concentrar no desastre que eu tinha criado.

“Mas por que você não disse nada?”, perguntei, sinceramente confuso. “Por que não me contou que estava aqui para um teste?”

Ela mordeu o lábio, olhando para os próprios pés. “Eu... eu pensei que talvez fosse algum tipo de teste. Sabe... tipo aquela história de teste do sofá e tudo mais. Eu imaginei que, se eu entrasse no jogo, em algum momento o senhor ia acabar falando do filme. Eu sei que agora parece idiota, mas eu estava desesperada por uma chance.”

“Ah, meu Deus. Não. Não, não, não. Eu não trabalho assim, de jeito nenhum.” Eu me levantei e comecei a andar de um lado para o outro, o meu roupão de seda roçando nas pernas. “Olivia, olha, me desculpa mesmo. Isso tudo foi um desastre. Eu quero que você esqueça tudo isso, tá? Eu não preciso de compromisso sexual, nem de favor nenhum pra dar oportunidades nos meus filmes, nem nada do tipo. Eu não sou esse tipo de pessoa e não é assim que eu faço negócios.”

Passei a mão pelos cabelos, tomado por vergonha e arrependimento. “Meu Deus, eu me sinto péssimo. Eu deixei isso tão constrangedor pra você.”

Os ombros de Olivia relaxaram um pouco, e ela me deu um sorriso pequeno, hesitante. “Tudo bem, senhor Wallace. Quer dizer... eu também entrei na sua. Acho que nós dois fizemos umas suposições bem grandes.”

“Olha, eu sinto muito mesmo por toda essa... situação”, eu disse, fazendo um gesto vago. “Mas eu estaria mentindo se dissesse que não gostei do tempo que passamos juntos.” Eu pisquei, tentando aliviar o clima.

Ela corou, e, droga, se não era a coisa mais fofa que eu já tinha visto.

“Eu, ahn... eu também gostei”, ela admitiu, prendendo uma mecha de cabelo atrás da orelha.

Eu me vi atraído por ela, meus olhos seguindo a curva do pescoço, o contorno dos seios mal visível acima da toalha. O que havia de errado comigo? Eu tinha acabado de pagar o maior mico, e ali estava eu, secando-a como um adolescente tarado.

Mas havia algo em Olivia — algo além daquela beleza estonteante. O jeito como ela se portava, o brilho nos olhos... Eu senti um aperto leve no peito, um tremor que eu não experimentava havia anos.

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