Capítulo 1: O Retorno da Tempestade

Capítulo 1: O Retorno da Tempestade

O Town Car preto desliza pelos portões de ferro forjado como um sussurro de seda contra o aço, seus pneus esmagando suavemente o cascalho impecável da entrada. Aria Valentina Moretti pressiona a palma da mão contra a janela fria, observando a familiar mansão em estilo mediterrâneo emergir por trás das imponentes árvores de cipreste. Lar. A palavra tem um sabor diferente em sua língua agora—mais doce, mais complexo, com um toque de antecipação que faz seu pulso acelerar.

Nove meses. Nove meses desde que ela deixou a universidade como a princesinha do papai, com sorrisos doces e risadas inocentes. Nove meses descobrindo a si mesma de maneiras que fariam o sangue de seu pai gelar. Nove meses se tornando uma mulher que sabe exatamente o que quer.

E o que ela quer está esperando em algum lugar dentro daquelas paredes cor de creme.

O motorista, Roberto—um homem que está com a família Moretti desde antes de ela nascer—encontra seu olhar pelo espelho retrovisor. Seu rosto enrugado se abre em um sorriso genuíno. "Bem-vinda de volta, Srta. Aria. Seu pai, ele estava contando os dias."

"Estava?" A pergunta cai de seus lábios como mel, lenta e deliberada. Ela passa os dedos pelas ondas escuras de seu cabelo, deixando-as cair sobre o ombro. O gesto simples agora parece diferente, intencional. Tudo nela parece intencional esses dias.

O carro para sob o grande pórtico, onde colunas de pedra maciça ficam como sentinelas contra o sol da Califórnia. Aria respira fundo, sentindo o familiar aroma de sal do mar e jasmim que sempre significou lar. Mas hoje, há algo mais no ar—eletricidade, possibilidade, o gosto metálico da mudança.

Roberto abre sua porta, oferecendo a mão com uma cortesia à moda antiga. Ela a aceita graciosamente, seus saltos de grife batendo contra os degraus de mármore com um ritmo que soa quase como um batimento cardíaco. O vestido de seda vermelha que escolheu para este retorno desliza sobre suas curvas como fogo líquido, seu decote ousado sem ser vulgar. Ela sabe exatamente como está. Planejou tudo assim.

"Srta. Aria?" A voz de Roberto carrega uma nota de preocupação. "Você está se sentindo bem? Parece... diferente."

Diferente. Se ele soubesse o quanto diferente. Ela se vira para ele com um sorriso que faria anjos chorarem e demônios se ajoelharem. "Estou perfeitamente bem, Roberto. Na verdade, estou melhor do que bem. Finalmente sou exatamente quem eu deveria ser."

As portas da frente se abrem antes que ela possa alcançá-las, revelando Maria, a governanta-chefe cujos olhos castanhos calorosos viram Aria crescer. Mas esses mesmos olhos agora se arregalam com algo entre admiração e alarme ao absorver a visão diante deles.

"Dios mío," Maria suspira, fazendo o sinal da cruz reflexivamente. "Pequena Aria? É realmente você?"

"Sou eu, Maria." Aria dá um passo à frente e abraça a mulher mais velha, inalando os confortantes aromas de baunilha e canela que sempre grudam em suas roupas. Mas até mesmo esse gesto inocente parece carregado de alguma forma, como se sua própria presença tivesse mudado a atmosfera da casa. "Senti tanto a sua falta."

Maria a segura à distância de um braço, estudando-a com olhos afiados que não perdem nada. "Você... cresceu." As palavras carregam peso, como se Maria pudesse ver diretamente a fome inquieta que tem corroído a alma de Aria por meses. "Seu pai, ele está no escritório. Tem andado de um lado para o outro como um leão enjaulado a manhã toda."

A menção de seu pai envia um arrepio de antecipação pela espinha de Aria. Ela tem sonhado com este momento, planejado, ensaiado em sua mente até que cada palavra e gesto estivessem perfeitos. Mas não é a reação de seu pai que ela está mais ansiosa para ver.

"E Dominic?" O nome escapa de seus lábios antes que ela possa parar, ofegante e urgente. "Ele está aqui?"

As sobrancelhas de Maria se erguem fracamente. "Senhor Romano está em reuniões com seu pai. Eles têm trabalhado desde o amanhecer." Ela pausa, seu olhar se aguçando. "Por que pergunta especificamente por ele?"

Aria sente o calor florescer em suas bochechas, mas não desvia o olhar. Ela terminou de se esconder, terminou de fingir ser algo que não é. "Sem motivo. Eu só... queria saber se todos estavam aqui para a minha chegada."

A mentira tem um gosto amargo, mas é necessária. Por enquanto.

Seus saltos ecoam pelo saguão de mármore enquanto ela caminha em direção ao escritório de seu pai, cada passo uma declaração de intenção. A casa parece menor de alguma forma, como se sua presença ampliada tivesse comprimido o próprio ar ao seu redor. Retratos de família alinham-se nas paredes — três gerações de homens Moretti e suas mulheres, todos bonitos, todos poderosos, todos jogando por regras que Aria decidiu que não se aplicam mais a ela.

Ela para diante das enormes portas de carvalho do escritório de seu pai, sua mão pairando sobre a maçaneta de latão. Através da madeira grossa, ela pode ouvir o baixo murmúrio de vozes masculinas, falando em italiano rápido. A voz de seu pai, familiar e autoritária. E por baixo dela, como chocolate amargo derretendo sobre sua pele, a voz que tem assombrado seus sonhos por longos nove meses.

Dominic.

Seu coração dispara ao lembrar da última vez que o viu — a maneira como os olhos azuis-gelo dele se demoraram em seu rosto por um segundo a mais, a forma como seu maxilar se tensionou quando ela o abraçou para se despedir. Ela tinha dezessete anos na época, ainda presa entre a infância e o que vem depois. Mas tinha visto algo brilhar na expressão dele, algo quente e proibido que plantou uma semente em seu peito.

Essa semente vem crescendo desde então, alimentada por fantasias noturnas e pela certeza profunda de que o que ela sentia não era unilateral. Dominic Romano a deseja. Ela pode sentir isso no ar entre eles, perceber na maneira cuidadosa com que ele sempre manteve distância. Homens não se esforçam tanto para evitar algo que não querem.

As vozes lá dentro ficam mais altas, mais animadas. Ela capta fragmentos — algo sobre remessas e território, o tipo de negócio que oficialmente não existe, mas paga por tudo de bonito em sua vida. É um mundo do qual ela foi protegida, mas não é ingênua. Ela sabe o que seu pai é, o que Dominic é. O perigo só os torna mais intoxicantes.

Aria endireita os ombros, passa a língua pelo lábio inferior e bate na porta.

"Avanti," a voz de seu pai chama, cheia de autoridade.

Ela abre a porta e entra no santuário masculino que sempre foi o domínio de Vincenzo Moretti. Painéis de madeira escura, livros encadernados em couro, o sutil cheiro de charutos cubanos e uísque caro. Mas sua atenção se fixa imediatamente nos dois homens ao lado da enorme mesa de mogno.

Seu pai se vira primeiro, e ela observa seu rosto se transformar. Vincenzo Moretti é um homem que comanda respeito tanto de senadores quanto de soldados de rua, mas neste momento, ele parece qualquer pai vendo sua menininha crescer. Seus olhos cinza-aço suavizam, depois se arregalam, depois estreitam com algo que pode ser preocupação.

"Madonna mia," ele murmura, colocando o copo de cristal com mãos trêmulas. "Aria? Meu Deus, querida, olhe para você."

Mas Aria mal o ouve. Todo o seu ser está focado no homem parado nas sombras ao lado da janela, o homem cuja presença parece tirar todo o oxigênio da sala. Dominic Romano se vira lentamente, como se soubesse o que está por vir, como se estivesse se preparando para este momento.

Quando seus olhos se encontram, o mundo para.

Ele está exatamente como ela lembrava e ao mesmo tempo nada como ela lembrava. Mais alto que seu pai, com um metro e noventa e três, com ombros que poderiam carregar o peso de impérios. Seu cabelo escuro está mais curto agora, prateado nas têmporas de uma maneira que faz seu estômago revirar. Aqueles olhos azuis devastadores que viveram em seus sonhos varrem seu rosto, depois descem por seu corpo, depois voltam rapidamente como se ele tivesse se queimado.

Seu maxilar se contrai. Suas mãos se fecham em punhos ao lado do corpo. E por apenas um momento — um momento perfeito e cristalino — ela vê tudo o que esperava arder em sua expressão antes que ele coloque a máscara de volta no lugar.

"Aria." Seu nome cai de seus lábios como uma oração e uma maldição combinadas, áspero com uma emoção que ele luta para conter. "Você está... diferente."

A mesma palavra que Roberto usou, mas quando Dominic diz, soa como um aviso.

Ela sorri então, lenta e deliberadamente, deixando-o ver exatamente o quanto ela mudou. "Olá, Dominic. Sentiu minha falta?"

A pergunta paira no ar entre eles como um pavio aceso, perigoso e inevitável. Seu pai está dizendo algo sobre a universidade e como está orgulhoso, mas as palavras se tornam ruído de fundo. Só existe este momento, este reconhecimento, esta aceitação do fogo que arde entre eles há mais tempo do que qualquer um quer admitir.

A garganta de Dominic se move enquanto ele engole com dificuldade. Quando ele fala, sua voz é cuidadosamente neutra, profissionalmente distante. Mas seus olhos... seus olhos contam uma história completamente diferente.

"Bem-vinda de volta, Aria. Espero que seus estudos tenham ido bem."

Palavras tão apropriadas. Distância tão cuidadosa. Mentiras tão bonitas e óbvias.

Aria dá um passo mais perto, perto o suficiente para captar o sutil cheiro do perfume dele — sândalo e cedro e algo unicamente dele que faz seu pulso acelerar. Perto o suficiente para ver como sua respiração ficou superficial, como seus nós dos dedos ficaram brancos.

"Oh, foram ótimos," ela diz suavemente, sua voz baixa o suficiente para que apenas ele possa ouvir. "Aprendi tantas... coisas interessantes. Mal posso esperar para te mostrar."

A promessa em suas palavras é inconfundível. A intenção é cristalina. O jogo, ela percebe com deliciosa certeza, começou oficialmente.

E a julgar pela maneira como a máscara cuidadosa de Dominic escorrega por um instante — revelando uma fome tão crua que tira seu fôlego — ela não é a única pronta para jogar.

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