Capítulo 5: O abraço que mudou tudo
Capítulo 5: O Abraço que Mudou Tudo
O coração de Aria bate forte contra suas costelas enquanto ela fica pressionada contra a parede do quarto, ouvindo a respiração cuidadosa do outro lado da porta. Saber que Dominic está ali, apesar de sua rejeição cruel naquela tarde, faz eletricidade percorrer suas veias. Ela praticamente sente sua presença queimando através da fina barreira de madeira e decoro que os separa.
Chega de jogos. Chega de mentiras. Chega de fingir.
"Eu sei que você está aí," ela chama suavemente, sua voz carregando o suficiente para alcançá-lo sem alertar mais ninguém na casa. "Pare de se esconder, Dominic."
O silêncio se estende por vários batimentos cardíacos, e por um momento ela se pergunta se estava errada, se sua esperança desesperada havia conjurado sua presença do nada. Então ela ouve o suave suspiro de derrota, seguido por passos que não tentam mais ser furtivos.
A porta se abre mais, lentamente, revelando a silhueta imponente de Dominic emoldurada contra o corredor fracamente iluminado. Mesmo nas sombras, ela pode ver a tensão irradiando de cada linha de seu corpo, a maneira como suas mãos pendem rigidamente ao lado do corpo, como se ele estivesse lutando contra o impulso de tocá-la.
"Patrulha do prédio," ele diz, a voz rouca de tensão. "Eu estava verificando o perímetro, garantindo que tudo estivesse seguro. Ouvi vozes e pensei que alguém poderia estar—"
"Mentiroso." A palavra corta sua explicação como uma lâmina, afiada e certeira. Aria se afasta da parede, movendo-se para a luz suave do abajur ao lado da cama. O robe de seda gruda em sua pele úmida, e ela observa os olhos dele acompanharem o movimento do tecido contra suas curvas antes de voltarem para seu rosto.
"Aria—"
"Você não estava fazendo rondas," ela continua, dando mais um passo em direção a ele. "Você estava ouvindo. Observando. Parado do lado de fora da minha porta como se não pudesse evitar." Sua voz cai para pouco mais que um sussurro. "Assim como não pôde evitar olhar para mim no pátio hoje, não importa o quanto tentou fingir que não queria."
O maxilar de Dominic se contrai, suas mãos se fechando em punhos. "Você não sabe do que está falando."
"Não sei?" Ela está perto o suficiente agora para ver como o peito dele sobe e desce com cada respiração cuidadosamente controlada, perto o suficiente para captar o sutil aroma do seu perfume misturado com algo mais escuro, mais primal. "Então por que você está aqui, Dominic? Por que não está nos seus aposentos, ou no escritório de segurança, ou em qualquer outro lugar, mas do lado de fora da minha porta à meia-noite?"
Ele abre a boca para responder, provavelmente com outra mentira, outro desprezo cruel destinado a afastá-la. Mas antes que ele possa falar, Aria faz algo que muda tudo.
"Senti sua falta," ela diz simplesmente, as palavras caindo entre eles como uma confissão. "Deus, Dominic, senti tanto sua falta que doeu."
A admissão o atinge como um golpe físico. Ela vê isso na maneira como sua compostura se quebra, como sua máscara cuidadosamente mantida escorrega por um instante, revelando a fome crua por baixo. Seus olhos escurecem, sua respiração fica ofegante, e ela sabe com absoluta certeza que todos os instintos que vinha seguindo estão certos.
Antes que ele possa reconstruir suas defesas, antes que possa se refugiar atrás de outra parede de distância profissional, Aria estende a mão e agarra seu pulso. A pele dele queima contra a palma dela, e ela sente o pulso dele saltar ao seu toque.
"Entre," ela diz, já puxando-o para frente. "Por favor."
"Aria, não—" Mas seu protesto carece de convicção, e quando ela o puxa para dentro, ele não resiste.
No momento em que estão ambos dentro do quarto dela, ela chuta a porta para fechar e se vira para encará-lo. O espaço entre eles crepita com eletricidade, pesado com dois anos de separação e anos adicionais de desejos não ditos.
Sem se dar tempo para pensar, duvidar ou perder a coragem, Aria dá um passo à frente e envolve os braços ao redor dele.
O abraço começa inocente o suficiente—um simples abraço entre duas pessoas que se importam uma com a outra. Mas no momento em que seus corpos se tocam, algo se acende. Dominic fica rígido em seus braços, cada músculo tenso com contenção, mas após um batimento que parece uma eternidade, seus braços sobem para envolvê-la.
"Cristo," ele murmura em seu cabelo, sua voz quebrada de desejo. "Aria, o que você está fazendo comigo?"
Ela não responde com palavras. Em vez disso, ela se aproxima mais, moldando suas curvas suaves contra os contornos duros do corpo dele. O robe de seda não é nada entre eles, menos que nada, e ela pode sentir o calor da pele dele através do algodão fino da camisa.
As mãos de Dominic, que haviam começado de maneira segura em seus ombros, começam a descer sem sua permissão consciente. Elas traçam a linha elegante de sua coluna, memorizam o contorno de sua cintura e então—Deus o ajude—elas se acomodam na curva de seu quadril, os dedos se espalhando como se tentassem mapear cada centímetro dela.
A sensação que o atravessa é avassaladora, intoxicante, perigosamente além da medida. Ela se encaixa perfeitamente contra ele, seu corpo macio onde o dele é firme, seu calor penetrando através das roupas e entrando em seus ossos. Isso é o que ele tem lutado contra por eras, o que tem negado por mais tempo ainda—a necessidade de segurá-la, tocá-la, reivindicá-la como sua.
"Você vai me matar," ele sussurra contra sua têmpora, sua voz crua de desejo e desespero. "Você literalmente vai ser a minha morte."
Aria inclina a cabeça para trás para olhar para ele, seus olhos cinza-tempestade escurecidos de satisfação e desejo. "Ótimo," ela murmura. "Porque viver sem você está me matando."
Eles ficam assim por momentos que se estendem pela eternidade, segurando-se como se estivessem se afogando e o outro fosse a salvação. Ambos estão tremendo agora, finos tremores de desejo e contenção guerreando em seus músculos. As mãos de Dominic apertam suas curvas, puxando-a impossivelmente mais perto, enquanto os dedos de Aria se torcem no tecido da camisa dele.
Ela pode sentir o coração dele batendo contra seu peito, pode perceber o controle cuidadoso que ele está mantendo, mesmo que seu corpo traia seus sentimentos verdadeiros. Cada centímetro dele está rígido de desejo, e o conhecimento de que ela o afeta tão profundamente faz o poder correr por suas veias.
"Viu?" ela sussurra, seus lábios mal roçando a forte coluna do pescoço dele. "Isso é real. O que há entre nós é real."
Dominic estremece com o contato, seu aperto nela se intensificando reflexivamente. "Aria..."
"Diga meu nome de novo," ela respira, pressionando beijos suaves ao longo da linha do maxilar dele. "Diga como você disse no pátio, como se doesse."
"Aria." A palavra sai estrangulada, desesperada. Sua cabeça cai, trazendo seu rosto mais perto do dela, perto o suficiente para que suas respirações se misturem no espaço entre eles.
Ela olha para ele por baixo dos cílios abaixados, seus lábios entreabertos em convite, seu ser inteiro focado no homem que a segura como se ela fosse preciosa e proibida em igual medida. O tempo parece suspenso enquanto eles pairam na beira de algo que mudará tudo.
O olhar de Dominic cai para a boca dela, e ela vê o exato momento em que sua determinação começa a desmoronar. Sua cabeça se inclina mais, atraída por uma força mais forte que sua vontade, mais forte que sua consciência, mais forte que todas as razões racionais que ele tem para se afastar.
Seus lábios estão a um sopro de distância quando passos ecoam no corredor do lado de fora.
Ambos congelam, ainda presos em seu abraço, mas de repente conscientes do mundo além da porta do quarto dela. Os passos diminuem, depois param, e Aria percebe com uma mistura de terror e excitação que alguém está parado logo do lado de fora.
Pelo vão sob a porta, ela pode ver a sombra de pés, pode perceber alguém ouvindo o silêncio dentro do quarto. A voz de seu pai passa pela madeira, baixa e preocupada.
"Dominic? Achei que ouvi vozes. Está tudo bem?"
A presença de Vincenzo deveria quebrar o momento, deveria fazê-los se separarem em culpa e pânico. Em vez disso, só parece intensificar a eletricidade entre eles. As mãos de Dominic permanecem nas curvas dela, seu corpo ainda pressionado contra o dela, seus olhos queimando nos dela com uma intensidade que lhe tira o fôlego.
"Está tudo bem, Vince," Dominic responde, sua voz notavelmente firme apesar da tempestade que ruge em seus olhos. "Só terminando a verificação de segurança."
"Bom. Eu me preocupo com a primeira noite dela de volta." Há um afeto genuíno na voz de Vincenzo, amor paternal misturado com preocupação. "Certifique-se de que ela saiba que está segura."
"Ela está," responde Dominic, sem desviar os olhos do rosto de Aria. "Ela está perfeitamente segura."
Os passos se afastam pelo corredor, deixando-os novamente sozinhos com seus corações acelerados e corpos trêmulos. Mas a interrupção quebrou o feitiço que os atraía um para o outro. A realidade volta em ondas — o perigo, a impossibilidade, a catástrofe absoluta que resultaria se cruzassem essa linha.
O rosto de Dominic se transforma, o desejo bruto em seus olhos substituído por algo que parece pânico. Suas mãos caem do corpo dela como se ela o tivesse queimado, e ele dá um passo para trás que mais parece um quilômetro.
"Isso não pode acontecer," ele diz, a voz áspera de auto-recriminação. "Pelo amor de Deus, Aria, isso não pode acontecer entre nós."
A mudança abrupta de terno para frio a deixa atordoada. "Por quê não? Você me quer, eu te quero—"
"Porque é impossível!" As palavras explodem dele com força desesperada. "Porque você tem dezenove anos e eu quarenta. Porque você é filha do Vincenzo e eu sou o melhor amigo dele. Porque eu devo te proteger, não—" Ele se interrompe, passando a mão pelo cabelo em agitação.
"Não o quê?" ela exige, a própria voz aumentando. "Não me querer? Não me tocar? Não sentir nada por mim?"
"Não destruir sua vida!" A confissão sai da sua garganta como uma ferida. "Eu não serei o homem que te arruina, Aria. Eu não serei aquele que tira sua inocência e te dá apenas culpa e segredo em troca."
As palavras a atingem como golpes físicos, cada uma projetada para ferir, para afastá-la, para acabar com isso antes que possa realmente começar. Mas por baixo de sua crueldade, ela pode ouvir a dor, o verdadeiro terror de um homem que acha que não é bom o suficiente para o que mais quer.
"Você não pode decidir o que me arruina," ela diz calmamente, a voz firme apesar das lágrimas que ameaçam cair. "E você não pode decidir meu valor."
Mas Dominic já está se movendo em direção à porta, já recuando para a segurança da distância e da negação. "Boa noite, Aria. Tranque sua porta."
Ele se vai antes que ela possa responder, deixando-a parada no meio do quarto com o coração em pedaços e o perfume dele como a única prova de que os últimos minutos realmente aconteceram.
Aria se senta na beirada da cama, as pernas de repente fracas demais para sustentá-la. As emoções conflitantes guerreando em seu peito — decepção, mágoa, raiva, e por baixo de tudo, uma esperança teimosa e ardente — ameaçam dominá-la.
Porque, apesar das palavras dele, apesar do recuo, apesar das negações desesperadas, ela sabe a verdade. Ela sentiu isso na maneira como ele a segurou, viu isso nos olhos dele, provou isso no espaço entre o quase-beijo.
Dominic Romano a quer tanto quanto ela o quer. Agora ela só precisa descobrir como fazer ele parar de fugir disso.
