Capítulo 1: Adrian Sterling e Sharon Waters

Fazia tempo.

Ela estava sentada ali, mastigando lentamente sua comida. Soltou um suspiro enquanto observava o ambiente. O restaurante estava praticamente igual.

O restaurante ficava atrás do saguão de um hotel espetacular, bem localizado no centro da movimentada cidade.

O Urban Bistro era um refúgio elegante em meio aos arredores construídos. Prédios altos e modernos o cercavam, e as janelas do chão ao teto ofereciam uma vista desimpedida das ruas.

Era o local deles para noites de encontro e ocasiões especiais, nos primeiros dias do casamento.

Ela não tinha voltado lá desde que ele a abandonou, grávida. Reuniu muita coragem para retornar.

Ela estava lá pela incrível variedade de comida. Havia um buffet todo domingo.

Ela sorriu suavemente ao pensar em seu filho pequeno. Ele era a única alegria em sua vida. Ela se deliciava com suas travessuras e jeito brincalhão.

Ela havia decidido permanecer solteira... para sua sanidade e paz. Seu ex-marido a machucou demais e ela perdeu a fé em todos os homens e a esperança no amor.

Ela se sentia esgotada e emocionalmente exausta. De fato, não tinha mais nada a oferecer a ninguém. Nunca poderia ser suficiente para mais ninguém.

Todo o amor, emoções e sentimentos que ela poderia ter foram espremidos por aquele ingrato que escolheu como marido.

Ela devia um pedido de desculpas ao filho por ter escolhido um perdedor como pai.


Adrian Sterling escolheu ficar sozinho naquela fresca noite de domingo. Ele precisava de uma pausa de sua vida incrivelmente ocupada.

Um pouco de paz e tranquilidade lhe faria muito bem nesse momento.

Ele não tirava uma folga há muito tempo. Estava lá para experimentar a comida do novo chef.

Ele estava sentado em uma mesa ao lado de uma mulher incrivelmente bonita. Além de sua beleza, a expressão em seu rosto o atraía. Ele a estudava cuidadosamente com o canto dos olhos, mas tomava cuidado para não ser pego encarando-a.

Ela tinha uma beleza sutil rara. Ele já esteve com muitas mulheres para saber disso. Ela usava pouca ou nenhuma maquiagem, o que significava que não tinha nada a esconder.

Ele já teve sua cota de mulheres. Elas se apresentavam a ele tão bonitas quanto podiam ser, mas pareciam completamente diferentes quando a maquiagem era removida.

Ela tinha uma beleza atemporal que poderia competir com as maiores obras de arte. Sua pele perfeita e delicadas maçãs do rosto altas emolduravam seu rosto, e seu longo e luxuoso cabelo caía como ouro líquido. Seus olhos eram grandes, expressivos e tão profundos e atraentes quanto o oceano.

Ela tinha lábios suaves e convidativos, bem esculpidos. Seus lábios frequentemente se curvavam em um leve sorriso. Sua presença tinha uma atração sedutora devido ao traço de mistério em seu olhar, o que o fazia se perguntar sobre a profundidade de seus pensamentos.

Ela parecia triste, reprimida e desprovida de confiança. Por mais que tentasse, a dor não podia ser escondida em seus olhos. Mas ele tinha que elogiá-la por ser forte o suficiente para comer sozinha. Todos ali estavam com um parceiro, família ou amigos. Mas ela estava sentada sozinha, comendo sua comida tranquilamente.

Será que foi deixada esperando?

Não.

Ela teria ido embora em vez de ficar.

Ela parecia tão solitária e ele se sentia estranhamente atraído por ela. Sentia uma vontade de cuidar dela e lidar com sua dor. Sentia um arrepio toda vez que seus olhos repousavam em seu rosto.

Ele tinha a cobertura no hotel do restaurante só para ele. Poderia ter pedido serviço de quarto, mas adorava a variedade do buffet.

Estava tão feliz por ter vindo ao buffet.

Que felicidade seria tê-la naquele quarto... sozinha... mesmo que por um momento. As coisas que faria com ela...

Ela interrompeu seus pensamentos quando passou por ele para pegar mais comida. Ele aproveitou a oportunidade para ir com ela.

Precisava se aproximar dela.

Caminhou atrás dela e alimentou seus olhos com sua delicada estatura.

Ela era tão feminina. Movia-se com graça e elegância, como uma estrela de cinema antiga. Dava passos fáceis e calculados, como se estivesse sendo observada.

E o cheiro que ficava no ar depois que ela passava estava deixando-o louco!

Por que estava se sentindo assim?

Ela chegou à mesa de comida e pegou um novo prato, totalmente alheia ao homem atrás dela.

Era hora da sobremesa.

Decisões, decisões.

Bolo, torta ou sorvete.

Talvez um pouco de tudo.

Ela deu uma pequena risada ao pegar uma colher de servir. Suas mãos se chocaram com as do homem ao lado dela, que pegava a colher ao mesmo tempo. Seus olhos se encontraram e ele manteve o olhar por alguns segundos.

O prato que ela segurava caiu e quebrou, fazendo um barulho alto.

"Oh, me desculpe," ela exclamou.

"Está tudo bem," ele disse com um sorriso no canto da boca.

Finalmente, a barreira foi quebrada.

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