
Pertencendo a Lockhart
Veejay · Concluído · 280.8k Palavras
Introdução
As pessoas me chamam de gênio da informática, mas meu verdadeiro talento é algo que ninguém enxerga. Dizem que eu sou bonita, só que eu escondo isso atrás de roupas largas demais e de uma montanha de inseguranças.
Depois de largar meu namorado traidor, a única coisa estável que sobrou na minha vida foi meu emprego sugador de alma — até eu perder isso também. E o homem responsável? Theron Lockhart.
Meu valentão do ensino médio não só voltou: ele voltou como o novo CEO da minha empresa. E a primeira decisão dele como executivo? Demitir a mim e a todo o meu departamento, como se a história estivesse se repetindo do jeito mais cruel possível.
Ele não me reconheceu, o que deveria ter sido um alívio. Mas o destino claramente ainda não tinha terminado de brincar comigo.
Num momento, ele estava me salvando de um encontro nada agradável com meu ex. No seguinte, um boato já tinha se espalhado: eu era a namorada dele. E então o jogo virou, porque Theron precisava evitar um escândalo, e eu era a melhor opção dele.
— Diga o seu preço — ele disse, com aquele sorriso arrogante ainda no rosto.
— Você quer seu emprego de volta?
Eu não hesitei.
— Me faça diretora. Só assim eu vou fingir ser sua namorada apaixonada.
Eu achei que ele fosse rir. Eu não esperava que ele dissesse sim.
— Fechado — ele respondeu, os olhos presos nos meus.
— Só lembre-se, Amaris Kennerly: assim que você assinar aquele contrato, você pertence a mim.
Capítulo 1
“Isso tem que ser um pesadelo”, murmurei entre dentes ao entrar no saguão de recepção pelas portas giratórias.
Um semicírculo de colegas meus estava aglomerado em volta do meu ex-namorado, os rostos esticados em sorrisos enquanto ele fazia um showzinho teatral distribuindo convites de casamento. Parabenizavam o cara como se ele tivesse acabado de ganhar um Nobel, inflando o ego que eu já tinha cometido o erro de alimentar. Ele estava com aquele ar presunçoso num terno cinza sob medida que, claramente, custava mais do que ele podia pagar — a não ser que a noiva rica tivesse bancado, o que quase com certeza tinha acontecido.
O rosto dele estava recém-barbado, o cabelo loiro-acinzentado bem puxado para trás com gel, e até as unhas brilhavam, impecavelmente feitas. Uma transformação ambulante. Cortesia da futura noiva ridiculamente endinheirada, sem dúvida. Eu já odiava aquele homem antes, mas agora? Meu nojo tinha disparado.
Resmungando mais um palavrão, virei à direita e fui colando na parede, tentando sumir nas sombras antes que aquele babaca pomposo me notasse. A última coisa de que eu precisava era alimentar o ego dele ainda mais do que a plateia já tinha alimentado.
“Ami!”, ele chamou, esticando meu nome como o sino anunciando o próximo round de uma luta de boxe. Sinceramente? Não estava longe disso.
A gente vinha se rondando fazia três meses, trocando alfinetadas de um lado pro outro. E isso aqui? Isso era ele mirando o nocaute final.
Eu congelei, sentindo com clareza dezenas de olhares queimando minhas costas. Com os dentes cerrados, me virei e colei um sorriso duro no rosto. “Ansel. Que surpresa requintadamente horrível.”
Ele soltou uma risadinha seca, desfilando na minha direção com um convite na mão. “Ah, Ami. Pode parar com o teatrinho.” Ele fez um gesto displicente, como se eu fosse uma piada repetida. Meu sangue começou a ferver. “Eu sei que você ainda me quer. Você só precisa aceitar que está fora da sua categoria.”
Fechei os punhos ao lado do corpo. A vontade de socar aquela cara convencida estava ficando perigosamente real. “Te querer de volta? Você só pode estar delirando. Quem é que iria querer um traidor, manipulador…”
“Vamos evitar o drama, querida.” Ele me cortou enfiando a palma da mão a centímetros do meu rosto, me obrigando a recuar, desequilibrada. “Deixa isso pra lá.” Então estendeu o convite de casamento. “Considere isso um ramo de oliveira.”
Ramo de oliveira, uma ova. Aquilo não era oferta de paz nenhuma. Ele me queria lá para desfilar a esposa herdeira na minha frente como um troféu. Queria esfregar na minha cara que ele tinha “subido de nível” enquanto eu tinha ficado para trás.
Uma tempestade de xingamentos se amontoou na minha língua, mas antes que eu cuspisse qualquer um, uma voz atrás de mim quebrou a tensão.
“Ela vai”, anunciou Romilly, a voz afiada e firme. Ela parou ao meu lado, os olhos presos em Ansel, o cabelo castanho cacheado jogado com confiança por cima de um ombro. Uma mão na cintura, como uma pistoleira num duelo. “Ela aceita o seu convite.”
Eu me virei para ela, de olhos arregalados. “Romilly, que diabos você está fazendo?”, sibilei.
Ela piscou, sem tirar os olhos de Ansel. “Eu também vou”, acrescentou. “Só garante que nossos convites venham com acompanhante.”
As sobrancelhas de Ansel se ergueram, divertidas. “Acompanhante? Você espera que eu acredite que ela” — ele apontou um dedo na minha direção — “tem alguém?”
Eu abri a boca, mas Romilly foi mais rápida. “Tem.” A voz dela não vacilou. “Ela vai com o namorado.”
Fiquei paralisada, incapaz de soltar uma única palavra, enquanto Ansel soltava um resmungo incrédulo.
— Bom, isso vai ser divertido. — Ele passou os convites para a Romilly, girou sobre o calcanhar e voltou, todo cheio de si, para o grupo de colegas antes que meu cérebro conseguisse acompanhar.
O calor subiu às minhas bochechas — não de vergonha, mas de raiva. Agarrei a alça da bolsa da Romilly e puxei ela para a escada mais próxima.
— Mas que diabos é isso, Romilly? — eu quase gritei.
Ela revirou os olhos, totalmente tranquila.
— Relaxa. Já passou da hora de você mostrar pra ele que não tem medo de encarar.
Eu fiquei encarando, boquiaberta.
— Entregando pra ele a oportunidade perfeita de me humilhar?
Ela me lançou um olhar bem direto.
— Quando foi a última vez que você usou maquiagem de verdade e um vestido? E não, BB cream e protetor labial não contam. Nem aquele moletom enorme em que você praticamente mora.
De mim escapou uma risadinha fraca.
— Eu usava vestidos quando eu estava com ele.
— E aí ele partiu seu coração, e você parou. — O sorrisinho dela era irritantemente presunçoso. — Aceita, Ami. Você deixou ele ganhar.
Minha irritação disparou.
— Isso não é um maldito jogo.
— É sim — ela retrucou. Os olhos dela percorreram meu visual atual: coque bagunçado, jaqueta desbotada, camiseta amarela jurássica, saia cinza até o chão e tênis surrados. — E você tá jogando pra perder. Hora de mudar as regras.
Abri a boca para discutir, mas ela girou no calcanhar e desceu as escadas a passos firmes. Eu fui atrás, fervendo. Como, exatamente, eu deveria “revidar”? Ansel estava prestes a se casar com alguém da realeza, enquanto eu me agarrava a estilhaços emocionais e a contas mal pagas.
A única coisa que ainda me mantinha minimamente de pé era o meu trabalho. Trabalhar na Lockhart Digital Entertainment sempre tinha sido um sonho, mesmo eu estando presa no pior setor imaginável, numa mesa enfiada no porão.
Ansel, que não conseguia sustentar uma frase coerente sem tropeçar nas palavras, tinha de algum jeito conseguido um cargo de gerência do nada. Ele enrolou o recrutador com conversa mole e pronto: lá estava ele, o Senhor Gerente. Enquanto isso, eu nem tinha certeza de qual deveria ser o meu cargo.
Suspirando, segui Romilly pelo corredor que levava ao nosso escritório — oficialmente chamado de Departamento de Revisão de Dados; extraoficialmente, conhecido como a Sala de Reciclagem. A gente passava os dias analisando projetos rejeitados ou meio mortos. Glamouroso? Não. Necessário pra sobreviver? Com certeza.
Empurrei a porta e entrei na salinha apertada, onde cinco mesas ficavam espremidas uma na outra. O resto da equipe já estava lá. Fui até a minha mesa, liguei o computador e só então percebi o silêncio sufocante.
Tallis Montclair, nossa líder, estava ao lado da mesa dela, branca como um fantasma. Ela nos ofereceu um sorriso sem mostrar os dentes.
— O que está acontecendo? — perguntei, com cuidado.
— Vocês ficaram sabendo que temos um novo CEO… né? — ela perguntou.
Eu quase nunca acompanhava as fofocas corporativas, mas a Romilly se meteu na hora:
— Sim, eu ouvi. O filho do sr. Jareth Lockhart assumiu. Dizem que ele é muito bonito — acrescentou, num tom sonhador.
Tallis soltou uma risadinha aguda, levemente histérica.
— Sim, bem… o sr. Theron Lockhart é… atraente, sim.
Meu estômago despencou ao ouvir aquele nome. Não. Não podia ser aquele Theron Lockhart. O mesmo que tinha tornado meus anos do ensino médio insuportáveis. Podia?
Tallis puxou o ar, trêmula.
— Enfim, ele fez algumas… mudanças.
Ela parou, engoliu em seco e então disse as palavras que ninguém queria ouvir:
— Nós fomos todos demitidos.
Últimos Capítulos
#189 Capítulo 189
Última Atualização: 5/6/2026#188 Capítulo 188
Última Atualização: 5/6/2026#187 Capítulo 187
Última Atualização: 5/6/2026#186 Capítulo 186
Última Atualização: 5/6/2026#185 Capítulo 185
Última Atualização: 5/6/2026#184 Capítulo 184
Última Atualização: 5/6/2026#183 Capítulo 183
Última Atualização: 5/6/2026#182 Capítulo 182
Última Atualização: 5/6/2026#181 Capítulo 181
Última Atualização: 5/6/2026#180 Capítulo 180
Última Atualização: 5/6/2026
Você Pode Gostar 😍
A Jornalista no Morro
Porém os desafios e as armadilhas do coração lhe farão por a prova o que de fato é mais importante na dua vida.
O profissional ou o pessoal?
Qual será a escolha da Estagiária?
Mais uma obra feita por mim, espero que gostem.
Um beijo Nat.
A Bailarina no Morro
Enquanto aprendem a enfrentar as dores do passado, descobrir o valor da confiança e superar preconceitos, eles percebem que o amor verdadeiro nasce dos atos mais sinceros. Entre escolhas difíceis, recomeços e emoções intensas, cada passo revela que até os corações mais feridos podem encontrar um novo motivo para acreditar.
Porque, às vezes, basta um único gesto de amor para transformar vidas e mudar uma história para sempre.
Refém do Don italiano
Jade Correia não se curva.
— Você não sabe nada sobre mim.
— Um dia vai me procurar, e vai implorar de joelhos pela minha ajuda.
Grávida de uma Noite só do Meu Chefe Bilionário
Semanas depois, o teste positivo mudou tudo. Sem saber o nome dele e sem qualquer forma de contato, ela engoliu o medo e decidiu criar o filho sozinha na cidade grande.
Quatro anos se passaram. Antonella finalmente conseguiu respirar aliviada ao ser contratada como secretária executiva em uma das maiores multinacionais de Manhattan. O emprego perfeito. A estabilidade que ela tanto buscou. Até a porta da presidência se abrir...
Lorenzo Volkov manda no império. Um homem frio, implacável e avesso a surpresas. Ele também é o homem daquela noite.
Ele não faz ideia de que é pai. Ela sabe que um único deslize pode custar o seu sustento e o segredo que protegeu com unhas e dentes. Mas como esconder a verdade quando a mesa do escritório é pequena demais para a química perigosa que ainda queima entre os dois?
Contrato de sangue - Série Família Sokolov 1
Jackson Thompson- O ceo na minha vida
Jackson Adam Thompson tem 29 anos mesmo jovem a 2 anos assumiu o lugar de seu pai como Presidente da grande empresa Thompson's Marketing & Tecnologia corporation,a maior empresa de marketing e tecnologia de nova york fundada por seu pai a 30 anos atras em 1992.
Jake como é chamado pelos amigos e familia se tornou um homem frio cauculista e com mta raiva após sofrer com umas coisas no passado,construiu um muro que ninguem além de sua familia consegue ultrapassar,até Hoje.
Essa e uma historia cheia de segredos,raiva,amizade,familia e amor .
A Noiva do Alfa Mafioso
Vendida Ao Rei da Máfia
Isabella Bellatorre não pediu para ser moeda de troca. Filha de pais desesperados, ela se vê arrastada para dentro do mundo do homem mais temido da cidade, presa por um contrato que ele mesmo redigiu, um contrato que não lhe dá o direito de dizer não. Mas Isabella não é o tipo de mulher que se curva. Cada ordem dele encontra um desafio na resposta dela, cada tentativa de controlá-la esbarra em um orgulho que ele jamais viu em ninguém.
Ele quis comprá-la. Acabou sendo conquistado.
Entre ameaças sussurradas como juras e desejo disfarçado de posse, Damian vai descobrir que existe algo mais perigoso do que uma guerra entre famílias: uma mulher que se recusa a ter medo dele. E Isabella vai aprender que, às vezes, a jaula mais bonita ainda é uma jaula, e o carcereiro pode ser o único capaz de arrancá-la de dentro dela mesma.
Um contrato os uniu. O desejo vai decidir se algum dos dois sai vivo do próprio coração.
A doce vingança do CEO sem coração
Gabe Clifford é o CEO da maior indústria farmacêutica do mundo. Inteligente, sagaz, um homem sem coração, capaz de tudo para alcançar o que deseja.
Ele levou anos preparando sua vingança contra os Abertoon.
Ela seguiu sendo bondosa e alegre, mesmo quando tudo ao seu redor parecia desabar.
Ele queria destruí-la para saborear cada lágrima de Ernest Abertton, o homem a quem dedicou sua vida para ver sofrer.
Ela era apaixonada pelo irmão dele.
Ele montou a teia e ela era a presa.
O que Gabe não sabia era que a vingança poderia ser muito mais doce do que imaginava. Olívia, por sua vez, jamais imaginou que poderia existir alguém tão sem escrúpulos e coração como aquele homem.
Um desejo de vingança maior que tudo.
Uma mulher decidida a mudar seu destino.
Um casamento tratado como negócio.
Ele a usou como forma de vingança contra o homem que mais odiava. Só não esperava que conhecê-la seria seu pior castigo.
A Noite Antes de Eu Conhecê-lo
Dois dias depois, entrei no meu estágio e o encontrei sentado atrás da mesa do CEO.
Agora eu busco café para o homem que me fez gemer, e ele age como se eu fosse a pessoa que ultrapassou os limites.
Tudo começou com um desafio. Terminou com o único homem que ela nunca deveria desejar.
June Alexander não planejava dormir com um estranho. Mas na noite em que comemora conseguir o estágio dos seus sonhos, um desafio ousado a leva para os braços de um homem misterioso. Ele é intenso, quieto e inesquecível.
Ela achou que nunca mais o veria.
Até que entra no seu primeiro dia de trabalho—
E descobre que ele é seu novo chefe.
O CEO.
Agora June tem que trabalhar sob o comando do homem com quem compartilhou uma noite imprudente. Hermes Grande é poderoso, frio e completamente proibido. Mas a tensão entre eles não desaparece.
Quanto mais próximos ficam, mais difícil se torna manter seu coração e seus segredos a salvo.
O VIÚVO SOLITÁRIO E A FUGITIVA
Determinada a proteger a pequena Melinda, Marla segue para Michigan, onde iniciará um intercâmbio profissional na residência de Valentino, um magnata viúvo e recluso que ainda tenta superar a perda da esposa grávida em um trágico acidente aéreo.
Enquanto uma nova vida começa a surgir entre eles, o passado se aproxima cada vez mais. Até quando Marla conseguirá esconder a verdade? Orion desistirá de procurar a filha? E, quando o perigo finalmente bater à porta, Valentino escolherá protegê-las ou se afastará para sempre?
MANDRAKA
Nando - Dono do Morro Dois Caminhos trilhados na Bala .
Segredos nunca revelados , podem por a prova toda uma vida , mas o orgulho não deixara que o medo siga a diante .
Nem todas as verdades foram ditas, nem todas as mentiras foram contadas, mas mesmo assim eles acreditavam naquilo que achavam certo, e era o fim, mas cabia aceitar qual lado cairia primeiro.
Mais uma obra feita pro mim, espero que gostem.
Um beijo Nat.












