Capítulo 4
Eu esperava que ele me empurrasse, que engasgasse e gritasse comigo, mas ele não fez nada disso. Dominic gemeu na minha boca, o som provocando um arrepio quente que desceu pela minha coluna. Ele me beijou de volta — com força, com fome, como se estivesse desesperado para me provar — as mãos apertadas na minha cintura, colando meu corpo no dele, como se nada fosse suficiente. Ele nos virou, me guiando de volta na direção da porta, sem romper o beijo. Minhas costas bateram na porta com um baque suave, e o calor dele me envolveu.
Ele estava em toda parte. As mãos dele estavam em toda parte. Seus lábios afastaram os meus, a língua dele deslizando contra a minha de um jeito que fez meus dedos dos pés se curvarem. As mãos dele vagavam, os dedos pressionando meus quadris, subindo pela lateral do meu corpo, se enroscando no meu cabelo enquanto ele me beijava como um homem faminto.
E, deusa, eu queria me afogar naquilo. Tyler nunca tinha me beijado assim, e ele era o único homem que eu tinha beijado na vida. Meus dedos se cravaram nos músculos firmes dos ombros dele; eu me agarrei a ele, precisando de mais. Eu sentia a linha dura da ereção dele, quente e urgente, pressionando contra minha barriga. Eu gemi quando o contato disparou em mim um choque de consciência e desejo.
Então, tão de repente quanto começou, Dominic se afastou com uma inspiração brusca, como se de uma hora pra outra tivesse caído em si.
Eu não deixei que ele fosse muito longe.
“Sempre fui apaixonada por você”, eu sussurrei, ofegante.
As palavras saíram sem hesitação.
Não era exatamente toda a verdade, mas também não era mentira. Em certo momento da minha vida, eu tinha sido cativada por ele, pela força silenciosa e pela maturidade dele. Mas, se eu queria conquistar a simpatia dele — trazer ele pro meu lado — era a melhor chance que eu tinha naquele momento.
As mãos dele, que segundos antes agarravam minha cintura com tanta posse, afrouxaram.
Ele deu um passo inteiro para trás.
Os olhos dele brilhavam e oscilavam com algo indecifrável — choque, descrença, algo mais. O olhar dele percorria meu rosto como se estivesse procurando alguma coisa, como se quisesse dizer algo.
Mas então ele soltou o ar, o maxilar tensionando. Virou de costas pra mim, passando a mão pelos cabelos.
“Eu…” A voz dele saiu rouca, instável. “Eu não sei o que deu em mim.”
O pânico me atingiu.
“Isso… não deveria ter acontecido.” O tom dele estava mais firme agora, como se estivesse tentando se convencer tanto quanto tentava me convencer.
“Eu só percebi o que realmente sentia quando te vi no corredor”, falei baixinho, dando um passo na direção dele. “Mas eu… eu simplesmente não consigo casar com ele.”
Ele não se virou para me encarar.
Em vez disso, soltou o ar devagar, como se estivesse tentando recuperar o controle, e depois de uma longa pausa murmurou: “Eu preciso ir.”
A rejeição de Dominic me atingiu como um golpe físico, a ardência foi mais aguda do que eu esperava. Ele ficou a poucos metros de mim, a postura fria e distante, como se o homem que tinha me beijado segundos atrás nunca tivesse existido.
“Eu nunca poderia ficar com uma mulher jovem o bastante pra ser minha filha, Renee”, ele disse, a voz baixa, quase arrependida. “Você é jovem demais. Você é como uma filha pra mim, Renee.”
Dei um passo na direção dele, ouvindo o arrependimento na voz dele. Aquilo era desejo? Não, provavelmente não, mas ele pelo menos estava mentindo, e isso já era oportunidade suficiente pra mim.
“Do jeito que você me beijou, não parece”, eu disse, com a voz firme, embora meu coração estivesse disparado. “Claramente, você me acha atraente.”
Os olhos de Dominic vacilaram, mas ele rapidamente desviou o olhar.
― Foi um erro ― ele disse, as palavras agora mais frias, como gelo. ― Eu não estava pensando. Não deveria ter acontecido. Eu não tenho interesse em você, Renee.
Engoli o nó na garganta. Ele podia mentir para si mesmo o quanto quisesse, mas o corpo dele tinha contado outra história. Do jeito que os lábios dele tomaram os meus, o calor que tinha fervido entre nós — ele estava interessado.
Mas não era uma boa ideia forçar ele a admitir isso.
Só que eu podia usar aquilo como uma brecha.
Ele se virou para ir embora, estendendo a mão para a maçaneta, mas eu não me mexi e coloquei minha mão sobre ela.
― Eu quero usar o meu desejo ― falei, as palavras escapando antes que eu pudesse voltar atrás.
Dominic congelou e continuou sem olhar para mim, e eu conseguia sentir a tensão irradiando dele mesmo do outro lado do quarto.
― Eu vou conceder o seu desejo ― ele disse devagar, a voz quase cautelosa. ― Mas não pode me incluir, Renee.
Dei um passo na direção dele, o coração disparado no peito.
― Eu não estou pedindo pra ficar com você ― falei, a voz suave, mas firme. ― Só estou pedindo uma saída. Um jeito de escapar. Algo que ainda me permita ter uma chance de ficar ao seu lado.
Dominic ficou em silêncio por um longo momento. Eu quase conseguia sentir o peso da luta interna dele, o jeito que a mente dele trabalhava em cima do meu pedido.
Então, ele balançou a cabeça.
― Isso não é problema meu ― disse enfim. ― Você vai ter que pensar em outra coisa. Mas seja lá o que você escolher, você precisa se recompor. Sua Cerimônia de Confirmação é daqui a mais ou menos uma hora. Você ainda precisa se aprontar.
Dito isso, ele me empurrou de leve para o lado e saiu. A frustração revirava no meu estômago enquanto as palavras dele ecoavam na minha cabeça. Ele praticamente tinha dito que não ia me ajudar a sair dessa, mas essa não era toda a verdade, era?
Ele tinha se sentido atraído por mim, me beijando daquele jeito. Fugir… ainda não era uma opção, mas os sentimentos de Dominic, mesmo que fossem passageiros, não iam se aquietar tão fácil.
Mesmo que não fossem românticos. Mordi o lábio, procurando o gosto dele, e saí do quarto, voltando para o quarto em que eu tinha acordado. Dominic tinha vindo em meu socorro contra Philip porque ele parecia que ia me bater.
Ele ia me ajudar se eu parecesse em perigo de verdade, mas o que eu podia fazer pra chegar nesse ponto? Philip era esperto demais para tentar me bater em público, muito menos revelar que tinha usado a compulsão de alfa em mim. Teria que ser o Tyler a fazer um escândalo, mas como eu ia conseguir isso com a coleira de Vivian em volta do pescoço dele?
Fechei a porta atrás de mim e comecei a andar de um lado pro outro, lançando um olhar para o relógio. Eu não tinha muito tempo para improvisar um plano. Eu não conseguia lembrar se, nessa hora, tinha alguma coisa que eu pudesse usar para provocar o Tyler.
A porta se abriu, e uma empregada nervosa entrou no quarto.
Ela hesitou, depois respirou fundo.
― Lady Renee… tem algo que eu preciso lhe contar. Em particular. Eu prometo que vai ser rápido.
Era a mesma mulher que tinha ido ao meu quarto na minha vida passada logo depois da Cerimônia de Confirmação. Ela tinha me contado sobre a calcinha de renda que tinha sido encontrada no bolso interno do paletó do Tyler.
Naquela época, eu tinha deixado passar, mas desta vez não.
Eu tinha um plano.
