Parte 2: Obrigação
Houve várias discussões e acusações contra mim, tornando o nome da minha amada o tabu da reunião. Tive que morder o lábio várias vezes para não perder o controle.
"Boris, qual é a resposta final para a proposta de casamento? Diga na frente de todos o que você disse ao meu pai." Ele insiste.
"Eu não quero me casar com uma estranha." Repito sem medo.
"Viu? Eu te disse." Ele diz, animado.
"Você não deixou eu terminar."
"O que mais você tem a dizer? Você é a vergonha da nossa casa."
Levantei-me em chamas negras.
"Estou me casando pelo bem da família! Vou cumprir minha obrigação como todos esperam de mim, no entanto, meu desejo não é casar com a garota."
Todos parecem aliviados, respirando mais confortavelmente. Vendo como eles mudaram de postura, meu tio está frustrado, querendo a cadeira a todo custo.
"É normal não querer se casar com uma estranha." Este é Benedicto.
A voz mais considerada nas subcasas, Benedicto é o único que não está relacionado à associação, onde conseguiu ocupar uma das cadeiras mais importantes. O CEO, que administra várias redes ao redor do mundo, fechou negócios no valor de milhões para o grupo.
Ninguém é capaz de ir contra sua palavra porque o consideram um gênio.
"Mas ele ainda é jovem, e depois da noite de núpcias tudo muda." Um associado fala em meio a risadas.
Meu avô finalmente abre a boca para falar.
"Você tem certeza dessa decisão?" Tom sério.
"Tenho certeza." Respondo determinado.
Estou fazendo isso por mim e por Anabela; um dia farei o valor da minha escolhida ser reconhecido.
"Então amanhã iremos propor à família da jovem."
"Por lei ela deve ser pura, certifique-se de que todos os procedimentos sejam como no costume que meu tio tanto ama." Falo desafiador, olhando para o mesmo que range os dentes de ódio.
A reunião é encerrada.
Pelo olhar no rosto do meu tio, sei que ele causará mais problemas, esse idiota nunca desiste de tentar pegar o que não lhe pertence.
"Por que você mudou de ideia?"
Meu primo Igor veio em minha direção para discutir.
"Eu devo satisfação a ele?"
"Cuidado, irmão. Não quero ver você arruinar sua vida por causa de uma mulher."
"Do que você está falando?"
"Está claro para todos que você só fez o que Anabela pediu. Vou te dar um conselho de graça: não confie em uma mulher que te manda para os braços de outra mulher."
"Você não sabe do que está falando."
"Faça como quiser."
Procurei minha esposa para contar como foi a reunião, mas não a encontrei em lugar nenhum. Pela janela, vi-a rindo, sendo simpática com alguém que eu nunca tinha visto antes, e tive a estranha sensação de estar sendo enganado.
Desconfiei dela pela primeira vez e corri para fora do prédio, furioso para obter satisfação. Fiquei com mais ódio ao vê-la me entregar algo, o que fez minha cabeça girar.
Corri em direção a ela violentamente, apertando seu braço com força.
"Quem era aquele homem?"
"Boris, você está me machucando!"
"Eu perguntei, quem era o homem?"
Da mão dela caiu uma caixa de joias contendo alianças de noivado, seus olhos se encheram de lágrimas enquanto eu a soltava.
Abaixei-me para pegar a caixa e os anéis, arrependido pelo que tinha feito.
"Anabela, eu..."
"Está tudo bem. Eu entendo que você está sob muita pressão, sei que não quis me machucar."
"Eu não mereço seu amor." Abracei-a apertado com carinho.
Ela abandonou seu posto para se tornar minha amante, foi expulsa da família por não romper seu relacionamento comigo, sofreu tantas injustiças para viver nosso amor e é injusto fazê-la sofrer.
A preparação para o casamento:
Meu avô insistiu que os menores detalhes do casamento deveriam ser feitos por Anabela. Chamando-nos em particular na mansão para discutir os detalhes, a conversa se transformou em uma discussão acalorada.
"Anabela, o que você diz?"
"ELA NÃO PRECISA FAZER ISSO!" Mudei.
"Boris, por favor." Ela puxou meu braço.
"Sua atitude em relação a ela é a causa disso. Os pais da noiva sabem sobre seu pequeno segredo, não quero que essa aventura se torne um obstáculo para impedir o casamento."
"Eu aceito com honra, mestre." Anabela abaixou a cabeça em respeito.
"Anabela não precisa fazer isso, não a force a fazer algo que a machuque."
"Boris, eu cresci no meio desse lado sombrio, como você, faço parte da organização, conheço as leis, sei o que devo fazer."
Às vezes esqueço, por causa do seu rosto bonito, o quão fria essa garota é. Uma assassina treinada para matar, roubar dados secretos, cheia de veneno como uma bela cobra.
"Vá agora."
Saímos da mansão em um silêncio estranho, dirigi o caminho todo até meu luxuoso apartamento no centro urbano com o som apenas do motor funcionando e das trocas de marcha.
Mesmo no elevador, o silêncio permaneceu desconfortável entre nós. Entramos no apartamento e ela finalmente soltou o que estava preso em sua garganta, chorando intensamente, fazendo meu peito doer.
"Perdoe-me, meu amor." Eu a abracei, beijando sua testa e tentando acalmá-la. "Eu juro que eles vão pagar por suas lágrimas, todos eles vão pagar."
Não interessado na noiva, não olhei para seu rosto durante nossas reuniões. Sempre andava à frente, nunca prestando atenção nela.
Andrea é uma jovem bonita nascida na Itália, de uma família tradicional de Florença. Ela nasceu em um berço de ouro com toda a riqueza de seu pai. Há rumores de que ela comprou seu diploma e a polícia a prendeu por dirigir embriagada. Uma mulher mimada cujo hobby é gastar todo o dinheiro do pai.
Ela é o tipo de mulher que arruína a vida de todos ao seu redor. Pergunto-me: por que meu avô insiste nesse casamento?
A jovem escolhida é do ramo secundário da máfia mais importante da Itália, que controla as mercadorias que chegam pelo mar.
