Capítulo 1 Ponto de ruptura
Elena: POV
A luz do sol de outono entrando pelas janelas do chão ao teto da sede da Sterling Fashion deveria ter sido acolhedora, mas eu mal notei.
Minha atenção estava presa nas amostras de seda italiana espalhadas sobre a mesa, enquanto a voz entusiasmada de Marcus Brown passava por cima de mim, comentando como o tecido pegava a luz.
— Eu realmente acho que essa trama seria perfeita pra linha de vestidos de noite — Marcus dizia, inclinando-se mais perto pra me mostrar o brilho sutil. — O caimento é—
— Senhorita Vance.
Meu corpo inteiro enrijeceu. Eu conhecia aquela voz — fria, autoritária, com uma ponta sombria que fez meu estômago afundar.
Virei devagar e encontrei Julian Sterling do outro lado do salão aberto, a figura alta impecável num terno Brioni grafite.
Mas foram os olhos dele que me tiraram o ar — aqueles olhos cinza-aço capazes de me atravessar como uma lâmina.
E, naquele momento, eles ardiam com uma fúria mal contida.
— Meu escritório. Agora.
Ele não esperou resposta. Só se virou e foi em direção ao elevador executivo.
— Elena? — a voz preocupada de Marcus rompeu minha paralisia. — Está tudo bem?
— Está, sim — eu consegui dizer, e a mentira tinha gosto amargo.
Eu já estava andando, meus saltos estalando no mármore. Eu sentia os olhares me seguindo — Sarah do financeiro, Lisa do marketing, metade da equipe de criação. Os cochichos começaram antes mesmo de eu chegar ao elevador.
“Lá vai ela de novo. Correndo pro chefe.”
Eu pensei: “Será o que ele quer agora?”
Mantive a coluna ereta, o rosto neutro. Que pensassem o que quisessem. Eles não faziam ideia de que eu era, na verdade, a esposa dele — a esposa secreta, escondida, que ninguém podia saber que existia.
A viagem de elevador pareceu uma eternidade. Quando as portas se abriram no andar da diretoria, Julian já estava se afastando a passos largos. Eu o segui como sempre fazia, o coração martelando nas costelas.
Mas, em vez de entrar no escritório, ele virou bruscamente para o lounge privativo.
“O que ele quer dizer com isso?”
A fechadura clicou atrás de nós com um som definitivo que fez meu pulso disparar. Eu abri a boca pra falar, mas ele estava em cima de mim antes que eu conseguisse dizer qualquer coisa.
As mãos dele agarraram minha cintura e me empurraram contra a parede, até o gesso frio encostar nas minhas escápulas. O rosto dele ficou a centímetros do meu, e eu vi a tempestade se formando no olhar.
— Quem é ele? — a voz de Julian saiu baixa, perigosa.
— O quê? — minhas mãos se apoiaram no peito dele por instinto. — Julian, eu não estou entendendo—
— O homem com quem você estava rindo. — os dedos dele cravaram nos meus quadris com força suficiente pra deixar marca. — Marcus Brown. Não ache que eu não percebi. Não ache que eu não vejo o jeito que os homens olham pra você.
A acusação me atingiu como um golpe físico. — A gente estava falando de trabalho! Julian, só isso—
— Trabalho. — ele cuspiu a palavra como deboche, e a mão direita subiu pra segurar meu queixo, obrigando-me a encarar. — Você está tentando seduzir todo cara que encontra? Me diz, Elena… eu não sou o bastante pra você?
As palavras cortaram fundo. — Isso não é justo—
— Não é? — o polegar dele desenhou meu lábio inferior, um toque ao mesmo tempo carinhoso e ameaçador. A outra mão já mexia nos botões da minha blusa. — Você é minha esposa. Minha. E eu não divido o que é meu.
Esposa. A palavra deveria ter significado alguma coisa.
— Julian, por favor, a gente não pode fazer isso aqui— — meu protesto soou fraco até pra mim. Porque meu corpo já estava me traindo, o calor se acumulando baixo no meu ventre apesar de tudo. Três anos disso. Três anos sendo a válvula de escape dele, o alívio dele.
— Não pode? — a boca dele pairou sobre a minha, tão perto que eu quase conseguia sentir o gosto dele. — Ou não quer?
— Alguém pode entrar—
Mas ele já estava me beijando, engolindo meus protestos num beijo que não tinha nada de delicado.
A língua dele invadiu minha boca, tomando, possuindo. Eu gemi contra ele, me odiando pelo jeito como meu corpo respondia, pelo jeito como meus dedos se fecharam na camisa cara dele em vez de empurrá-lo pra longe.
Quando ele se afastou, os olhos estavam escuros de desejo e de outra coisa — algo que parecia quase dor.
"Vou te foder bem aqui", ele rosnou contra meus lábios, "e você vai lembrar a quem pertence."
Antes que eu pudesse responder, ele me virou de costas, me prensando de frente contra a parede. O reboco frio encostou no meu rosto quando as mãos dele encontraram o zíper da minha saia, puxando para baixo junto com minha calcinha num movimento só, eficiente.
"Julian—" eu ofeguei quando a palma dele acertou minha bunda; a ardência aguda mandou um choque pelo meu corpo inteiro.
"Quietinha." A fivela do cinto tilintou atrás de mim. Ouvi o zíper dele descendo, senti o joelho dele abrindo minhas pernas.
Uma mão agarrou minha cintura enquanto a outra veio por baixo do meu braço para segurar meu seio por cima do sutiã; o polegar dele encontrou meu mamilo e apertou até eu não conseguir conter um gemido. "Você já tá molhada pra mim, não tá? Seu corpo sabe direitinho a quem pertence."
Eu queria negar. Queria dizer que ele estava errado, que eu odiava aquilo, odiava ele por reduzir a gente a isso. Mas eu não conseguia. Porque ele estava certo. Meu corpo cantava por ele, mesmo com meu coração se partindo um pouco mais a cada vez.
Ele entrou em mim com uma única estocada brutal, e eu gritei, as palmas das minhas mãos chapadas na parede. Não teve carinho, não teve preparação — só posse crua, desesperada.
O pau grosso dele me abriu por completo, preenchendo cada centímetro com um atrito ardente enquanto ele recuava devagar, só pra avançar com força de novo, o estalo molhado de pele ecoando no cômodo.
Meus músculos se contraíram ao redor dele sem eu querer, arrancando dele a cada estocada castigadora, enquanto o hálito quente dele batia no meu pescoço, misturando suor e perfume no ar.
"Porra", ele gemeu no meu ouvido, o peito pressionado nas minhas costas. "Você é boa demais. Perfeita. Minha."
Cada investida me empurrava mais alto contra a parede. Os dedos dele acharam meu clitóris, esfregando naqueles círculos seguros que ele tinha aprendido que me desmontavam.
"Isso", ele rosnou, o ritmo implacável. "Quero te ouvir."
Eu mordi o lábio, tentando ficar quieta, tentando manter algum resto de dignidade. Mas um gemido escapou mesmo assim, e eu ouvi ele puxar o ar de repente, senti ele entrar ainda mais fundo.
O prazer cresceu apesar de tudo — apesar da raiva, apesar da dor, apesar de saber que isso era tudo o que eu teria dele.
Os dedos dele me trabalhavam com precisão enquanto ele socava dentro de mim, a outra mão se enroscando no meu cabelo e puxando só o bastante pra borrar a linha entre prazer e dor.
E então, no torpor das sensações, naquele instante em que eu já estava longe demais pra proteger meu coração, a pergunta escapou.
"Você algum dia me amou?"
O ritmo dele falhou. Só por um segundo. Só o tempo suficiente pra eu sentir a mudança.
Aí ele riu — um som áspero, amargo, que esmigalhou o que restava do meu coração.
Os lábios dele roçaram minha orelha quando ele falou, a voz cruel. "Amor? Você realmente acha que merece falar de amor comigo?"
As palavras me acertaram como um golpe. Mas meu corpo não ligou pro meu coração se quebrando. O orgasmo me atravessou em ondas quando ele me pegou mais uma última vez com força, o próprio gozo dele vindo logo depois com um gemido gutural.
Ele me segurou ali por um momento, nós dois ofegantes, a testa dele pressionada entre minhas escápulas. E, por só um segundo — só uma batida do coração — eu senti os lábios dele roçarem de leve minha coluna. Quase terno. Quase como se ele se importasse.
Então ele saiu de dentro de mim, e o vazio repentino me fez cambalear. Eu me apoiei na parede, as pernas tremendo, enquanto ouvia ele subir o zíper atrás de mim. O tilintar do cinto. O farfalhar do tecido sendo ajeitado.
Quando eu finalmente achei coragem de me virar, puxando minha calcinha com as mãos trêmulas, ele já estava diante do espelho, ajustando a gravata. O rosto dele estava perfeitamente vazio, como se ele não tivesse acabado de me foder contra uma parede.
Ele não olhou pra mim enquanto eu me atrapalhava com a saia, enquanto eu tentava abotoar a blusa com dedos que não obedeciam. Não reconheceu as lágrimas que eu forçava a segurar, piscando rápido.
"Só lembra que, durante a vigência desse contrato de casamento, eu ainda sou seu marido. Nem pense em me trair", ele disse, a voz agora perfeitamente profissional. Perfeitamente fria.
