Capítulo 4 Indigno

Elena: POV

—Quero comer outra coisa primeiro.

A boca dele se curvou contra a minha garganta, aquele sorriso predatório que sempre fazia meu pulso disparar.

As mãos dele encontraram meus seios por cima do sutiã, os polegares circulando meus mamilos até eles endurecerem. Eu me arqueei contra o toque dele apesar de mim, odiando como meu corpo me traía com tanta facilidade.

—Julian, espera— eu ofeguei quando a mão dele desceu até o botão do meu jeans.

—Espera? —ele se afastou um pouco para me encarar, os olhos escuros de desejo. —Você me trouxe até aqui, Elena. Não me diz que vai bancar a difícil agora.

—Não, eu só... —minha respiração falhou quando ele abriu o zíper do meu jeans, a mão deslizando para dentro. —Eu não tô me sentindo bem. Meu estômago tá ruim a noite inteira.

A mentira escapou antes que eu conseguisse segurar.

A mão dele parou. Por um instante, eu achei que ele fosse recuar, talvez demonstrar alguma preocupação. Mas, em vez disso, os olhos dele brilharam com algo mais sombrio.

—Tudo bem. —A voz dele baixou, mais grave. —A gente pode usar outras coisas.

Ele tirou meu jeans de vez e, em seguida, guiou minha mão até o cinto dele. Eu entendi o que ele queria. Meus dedos tremeram quando eu soltei a fivela, abri o zíper, libertei o volume duro.

—Usa a mão primeiro —ele ordenou, enrolando meus dedos no pau dele. —Assim.

Ele me mostrou o ritmo que queria —movimentos firmes da base até a ponta. Eu obedeci, observando o rosto dele enquanto o prazer apertava as feições. A cabeça dele caiu para trás, o pescoço exposto, o pomo de Adão subindo e descendo quando ele engoliu em seco.

—Porra, Elena —ele gemeu. —Suas mãos são tão macias.

—Assim? —sussurrei, torcendo o pulso de leve na cabeça do pau dele, sentindo pulsar na minha pegada.

—Isso, assim mesmo— merda, você vai me fazer gozar rápido demais. —Ele abriu um sorriso torto, descendo a mão para segurar meus seios de novo, beliscando meus mamilos por cima da renda. —Tira o sutiã. Quero ver esses peitos perfeitos.

Eu obedeci, desafivelando com mãos trêmulas. A boca dele desceu na hora, sugando um mamilo para dentro da boca quente, a língua roçando o ponto sensível enquanto a mão amassava o outro seio. Eu gemi, meu centro latejando de desejo.

—Meu Deus, você tem um gosto tão bom —ele murmurou contra a minha pele, mordendo de leve. —Sempre tão responsiva.

Então ele empurrou minhas coxas para juntá-las, se posicionando entre minhas pernas.

—Mantém fechadas —ele ordenou, o pau grosso deslizando entre minhas coxas. —Bem apertado.

Eu apertei as pernas quando ele começou a investir, o volume duro escorregando pela minha pele. O atrito era intenso; a ponta roçava meu clitóris por cima da calcinha a cada movimento. Minhas coxas eram longas e finas —ele sempre comentava sobre elas, como ficavam com salto, como se sentiam enroladas na cintura dele.

Agora ele gemeu enquanto se movia entre elas, as mãos agarrando minha cintura para ganhar apoio.

—Bom demais —ele murmurou, acelerando o ritmo. —Você é gostosa pra caralho. Aperta mais— isso, assim. Porra, Elena, suas coxas tão me matando.

Eu balancei o quadril de leve, encontrando as investidas dele, meus seios quicando com o movimento. O olhar dele ficou preso neles, escuro de tesão.

—Se toca —ele rosnou. —Brinca com esses mamilos enquanto eu como suas coxas.

Minhas mãos foram para os seios, beliscando e rolando os picos duros enquanto ele assistia, faminto.

—Isso, bebê. Me mostra como você gosta.

As investidas dele ficaram erráticas, a respiração, áspera. Eu sentia que ele estava chegando lá, o pau pulsando entre minhas coxas.

E, naquela névoa de intimidade, eu não consegui me segurar. Eu precisava ouvir ele dizer — precisava confirmar o que eu já sabia no fundo do coração. A pergunta que vinha me assombrando havia horas finalmente escapou.

— Julian… o que você faria se eu engravidasse?

Os olhos dele se abriram de repente. O ritmo falhou — só por um segundo. Então a expressão dele endureceu, virando alguma coisa fria e cruel.

Ele meteu mais uma vez, com força, e gozou, quente, escorrendo entre minhas coxas, enquanto soltava um gemido gutural. Mas, mesmo com o corpo tremendo de prazer, as palavras seguintes me cortaram como uma lâmina.

— Eu nunca deixaria você engravidar, Elena. Você tomou a pílula, não tomou? — A voz dele veio fria, definitiva, mesmo enquanto ele ainda recuperava o fôlego. Aí os olhos se estreitaram, desconfiados de repente. — Nem pense nisso. Você conhece as regras sobre a pílula.

Ele se inclinou, os lábios roçando minha orelha numa caricatura de intimidade.

— Porque você não é digna de carregar o meu filho. Você não esqueceu por que eu casei com você, esqueceu?

As palavras bateram como um soco. Um gelo inundou minhas veias, apagando o calor que vinha crescendo. Minha garganta fechou, as lágrimas queimando atrás dos olhos.

“Então era isso. A confirmação do que eu temia desde o começo. Do que eu vinha torcendo, desesperadamente, para não ser verdade.”

“Ele nunca aceitaria esse bebê. Nunca me aceitaria como mãe do filho dele.”

Ele se afastou, já pegando lenços de papel para se limpar. Como se nada tivesse acontecido. Como se ele não tivesse acabado de confirmar meu pior pesadelo.


No banheiro, ele molhou uma toalhinha e voltou para me limpar com uma delicadeza surpreendente. Eu fiquei ali, entorpecida, sem conseguir encarar os olhos dele, uma mão indo instintivamente cobrir minha barriga ainda lisa — até eu me dar conta e recuar.

— Vamos — ele disse baixo, me ajudando a levantar. — Deixa eu te limpar direito.

Na pia, eu lavei as coxas com as mãos tremendo. Ele ficou atrás de mim, nossos olhos se encontrando no espelho. Por um instante, ele só me encarou, aquela mesma expressão complicada de antes tremulando no rosto.

Então ele se aproximou e beijou minha têmpora.

— Se ao menos você não tivesse… — Ele parou, cerrando a mandíbula. Nos olhos, havia algo que parecia quase arrependimento. — Se ao menos as coisas fossem diferentes.

— Elas podem ser diferentes — eu sussurrei, virando para encará-lo, o desespero me dando coragem. — Julian, se você me ouvisse sobre aquela noite…

— Você acha que eu vou acreditar nessa sua besteira? — A voz dele ficou cortante. Ele deu um passo para trás, e a parede entre nós subiu de novo.

Minhas palavras saíram amargas:

— Você já deixou bem claro o que sente. Eu não sou digna. Eu não sou suficiente. Eu nunca vou ser a Victoria.

O rosto dele ficou vazio.

— Boa noite, Elena.

Ele foi embora sem dizer mais nada. Eu ouvi a porta da frente fechar, a chave girando na fechadura.

Eu fiquei ali no banheiro, com uma mão pressionada contra a barriga ainda lisa, onde uma vida de seis semanas crescia — uma vida que ele acabara de deixar claro que nunca iria querer.

“É claro que ele pensa assim. Eu fui uma idiota de esperar outra coisa.”

“Ele nunca pode saber. Nem agora. Nunca.”

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