Capítulo 2 CAPÍTULO 2

Ponto de vista da Aria:

Era Vivienne Blackwell.

Ela também era loira, mas não do tipo ondulado, nem com o dourado suave do meu. O dela era controlado, alisado.

O pátio ficou mais silencioso. Meus olhos se moveram para uma garota perto da escadaria, conferindo o rabo de cavalo escuro, como se estivesse se assegurando de que ele ainda era preto... Eu percebi isso.

O uniforme de Vivienne era idêntico ao de todo mundo, camisa branca e saia azul-marinho, com um blazer. Mas, de algum jeito, parecia ter sido feito exclusivamente para ela.

Duas garotas vinham atrás dela; elas também pareciam perfeitas e impecáveis, mas não eram o motivo do silêncio.

Era ela...

Mila apareceu ao meu lado e sussurrou: “É ela, a garota de quem te falei, a que fez bullying comigo no primeiro dia em que entrei nesta escola”.

Ela inclinou levemente a cabeça enquanto desviava os olhos de mim e examinava o pátio inteiro, como se estivesse inspecionando sua propriedade.

“Ela é a rainha”, Mila disse em voz baixa. “A posição não é oficial, mas ninguém questiona.”

Vivienne avançou e parou no meio do pátio.

Os alunos se moveram com receio e formaram um círculo ao redor dela sem que ninguém precisasse mandar.

Observei com atenção e vi outra garota perto da fonte; a raiz do cabelo dela era loira, mas o resto estava tingido de preto-azeviche.

A tinta parecia recente e irregular perto das orelhas, e ela manteve a cabeça baixa quando Vivienne passou por ela.

“Por que todo mundo está agindo assim?”, perguntei a Mila em voz baixa.

Mila hesitou um pouco antes de responder.

“Ela odeia competição. Ela é loira natural e decidiu que nenhuma outra loira pode existir nesta escola enquanto ela estiver aqui.”

“E se você também for loira natural e se matricular aqui?”, perguntei.

Mila se aproximou mais e sussurrou: “Você tinge de preto imediatamente, ou ela faz da sua vida um inferno.”

Olhei de novo para Vivienne, para o cabelo platinado dela, para a postura perfeita e para o jeito como as pessoas evitavam fisicamente ficar perto demais dela.

“Isso é insano”, murmurei.

Os olhos de Vivienne percorreram o pátio e pararam em mim de novo. Eles desceram do topo da minha cabeça até as pontas das minhas ondas loiras soltas e depois subiram outra vez.

O olhar dela era intimidador, mas eu não desviei.

Por que eu deveria?

Ela caminhou na minha direção, e Mila segurou minha mão. “Aria...”, murmurou.

Eu conhecia aquele tom.

Vivienne parou na minha frente e, de perto, a beleza dela era quase intimidadora. Mas não havia nada de acolhedor nela.

“Você é nova aqui”, ela disse calmamente; sua voz não era alta.

“Sim”, respondi com a mesma calma.

Os olhos dela piscaram devagar na direção do meu cabelo outra vez.

“Não te informaram sobre o padrão daqui?”

“O padrão?”, repeti.

“Loiras não são incentivadas aqui”, ela endureceu o olhar.

Uma tensão silenciosa percorreu os alunos que assistiam, e senti Mila ficar imóvel ao meu lado também.

“Não li isso no regulamento.”

“Não precisa estar escrito, é subentendido”, ela disse.

“Por quem?”, perguntei com sarcasmo.

“Por todo mundo”, ela respondeu.

“Bom, claramente não por todo mundo”, eu disse, usando as mãos para me abanar de forma maliciosa.

E, pela primeira vez, irritação atravessou os olhos de Vivienne.

“Você vai tingir”, ela disse em tom de ordem.

“E se eu não tingir?”

Atrás dela, uma das garotas do grupo apertou os olhos para mim e balançou a cabeça.

“Acho que você não entende como as coisas funcionam por aqui”, ela disse por fim.

“Ah, eu entendo perfeitamente. Disseram que você não gosta de competição.”

Um suspiro coletivo ecoou pelo pátio.

Mila apertou minha mão, sinalizando para eu parar, mas eu não parei.

“Você acha que isso é só sobre cabelo?”, ela disse, e eu consegui ver o mais leve tensionar de sua mandíbula.

— Não, acho que isso aqui é insegurança — respondi, seca.

O ar no pátio mudou, e alguns alunos ficaram com expressão assustada.

Acho que ninguém nunca falou com ela desse jeito.

Os olhos de Vivienne se fixaram nos meus. — Cuidado — ela avisou.

— Ou o quê? — perguntei, sem medo.

A mão dela se ergueu devagar e pairou perto do meu cabelo. — Se você insiste em ficar com isso, eu vou fazer questão de que se arrependa.

Ela ia soltar mais alguma grosseria quando três carros pretos entraram, como se fossem donos até do oxigênio.

Os carros pararam alinhados, e os alunos correram para ver.

— Meu Deus, é o carro deles.

— Estão mais cedo hoje.

— Vocês acham que eles vão assistir à aula normal hoje?

— Juro, se ele olhar pra mim, eu desmaio.

As meninas se aproximaram, algumas ajeitaram os blazers, outras puxaram um pouco as saias para cima para mostrar as coxas sensuais.

A porta do primeiro carro se abriu, e Cassian desceu.

O ar pareceu mudar como se estivesse esperando por ele; o uniforme dele era impecavelmente ajustado, e as mangas estavam dobradas só o suficiente para mostrar o relógio.

Aquele relógio com certeza valia mais do que a renda anual de algumas famílias.

O cabelo escuro caía de qualquer jeito sobre a testa. Os gritos eram tão altos… e a Aurelius Crown não só gritava o nome dele; ela respirava o nome dele.

— Ele parece tão irreal.

— Cassian, por favor, olha pra mim.

— Ele ficou ainda mais gostoso no fim de semana.

Ele ajeitou o punho e levantou o olhar uma única vez… e metade das garotas esqueceu como funcionar direito.

A porta do segundo carro se abriu, e o ar mudou de novo.

Alex Cross desceu.

Ele era mais alto e mais largo, com um porte atlético. O sorriso dele era fácil, mas perigosamente silencioso.

— Alex! — alguém arfou.

— É o Alex Cross.

— Ele fez quarenta e dois pontos na final internacional.

— Eu vi esse jogo três vezes.

— Juro que ele acenou pra mim uma vez no ano passado.

Alex olhou ao redor e fez um aceno pequeno e arrogante.

E então o terceiro carro se abriu.

David Anderson desceu.

Ele tinha um rosto discreto, do tipo que fotógrafos amam. A presença dele era firme e focada.

— É o David.

— É ele, o do arremesso de três pontos impossível.

— Meu irmão literalmente tem um pôster dele.

— Ele cheira bem até daqui.

As meninas continuaram gritando os três nomes globais. Os três intocáveis.

Uma garota de mãos trêmulas sussurrou para a amiga:

— Você acha que eles podem namorar gente como a gente?

A amiga soltou uma risada curta.

— Nem pensa nisso.

— Eu só quero que eles me notem… eu quero que o Cassian, pessoalmente, me note — ela disse, à beira das lágrimas.

Cassian fechou a porta do carro; os dois amigos também.

O silêncio rasgou o pátio quando ele fez isso.

Ele não sorriu nem acenou, e ali estava o poder.

O poder se movia por onde ele passava.

Vivienne alisou o cabelo imediatamente. Os olhos de Cassian varreram o pátio e pararam em mim…

Um lampejo de reconhecimento passou por eles.

O show…

O olhar dele era frio e intimidador, mas eu não desviei.

Meu pulso acelerou, porque parecia um desafio para mim.

Vivienne percebeu e se aproximou dele.

— Ela é nova aqui — disse, tentando com todas as forças fazer com que ele reparasse nela, mas ele não reparou… continuou me olhando.

A expressão de Vivienne mudou, de irritação para ciúme.

Porque ela viu também, o jeito como ele estava olhando. Ele não estava me olhando por acaso; estava me encarando com intensidade, como um quebra-cabeça que ele queria desesperadamente decifrar.

Ela tocou o braço dele de forma possessiva.

— Cassian, a gente vai se atrasar pra aula.

Ele ainda não quebrou o contato visual comigo. Então, devagar, se virou e saiu andando, arrogante, com os amigos, enquanto Vivienne ficou parada no lugar, largada ali.

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