Capítulo 5 5
Mauricio Narrando,
A volta para casa foi estranha, meu peito balançava diferente2, passei no centro e comprei cobertores assim como um colchão e travesseiro, assim que sai liguei no advogado e encontrei com ele no centro que disse que até a noite as coisas seriam entregues a ela, fui para o morro e o sub me esperava em frente a minha casa, fomos até a casa dela, ficava em uma área afastada no morro, lugar estranho eu não moraria aqui, por for a era uma casa comum, por dentro era bem moderna, porém não tinha nada na casa, nenhum garfo, e até o sub ficou indignado o quarto dela era o único que ainda tinha móveis, mas no guarda roupa havia cabides vazios e aonde ficavam bolsas e sapatos claramente faltava peças ali, e pelo que o sub falou ela ficaria furiosa ao descobrir que levaram roupas dela. Ele me ajudou a embalar as coisas dela, e eu tomei cuidado com a penteadeira, pois sei que ali ficava as suas joias.
Ao sair com as últimas sacolas da casa dela, depois de conferir se estava tudo fechado, fui para casa, e como ela havia dito fotos minhas já rodava o site de fofocas, era incrível como essa pessoa sabia tudo e de todos, eu fui organizando as coisas dela no meu guarda roupa já que era enorme e minhas coisas não ocupavam nem a metade, ajeitei tudo direitinho e ainda mandei uma foto pra ela, coloquei a sua penteadeira ali, mas essa estava vazia na parte de cima, certamente havia maquiagens mas foram levadas, eu ouvi me chamarem mas eu reconhecia aquela voz então não fiz nenhuma questão de ir atender, eu fui amigo e sincero, mas se a Japa disse que ele não é uma pessoa confiável eu vou ficar esperto, meu celular tocava sem parar e eu só passei os olhos, insistente era ele.
O advogado me ligou as nove da noite, estava entregue e ela pediu para agradecer, eu fiquei tranquilo, não gostava nem de imaginar o que ela poderia passar lá dentro, era como se doesse em mim as surras que ela tem levado e toda a necessidade que ela possa estar passando lá dentro, eu não sei se tudo isso é por ser tudo novo mas a vontade de cuidar dela é verdadeira e isso me preocupa.
No dia seguinte eu teria aula de manha e atarde, e estava descansando um pouco após o almoço até da o horário da próxima aula, revisava tranquilo as matérias e os pensamentos iam longe.
— Onde você se meteu ontem que eu te procurei aquele morro inteiro, que história é essa que levou as coisas da patroa para sua casa?
Ficou sabendo disso como?
— A página de fofocas, tem fotos sua e do sub e tudo, o que está acontecendo?
Nada, o avó dela não mora mais lá e não tem nada na casa só ficou as coisas dela, então está na minha casa, acho que a casa dela vai ser alugada eu não sei, não fico perguntando.
— Deveria, eu em tu é casado com ela deveria saber de tudo.
É a vida dela, eu não vou me meter.
— Larga de ser besta, você tem que ser mais esperto ficar sabendo das coisas depois você pode até usar essas informações.
Usar como assim?
— Pode vender, te pagariam caro.
E quem queria saber da vida dela?
— A vida dela talvez ninguém, mas sobre o comando dela isso teriam muitas pessoas interessadas.
Quem?
— Nesse mundo tem sempre alguém querendo passar o dono do morro que da mais lucro, e a sua querida esposa lucra muito.
Eu não estou entendendo a sua ironia, vivia elogiando ela o que aconteceu?
— Eu só fiz um comentário, sei que tudo isso é novo para você, então eu vou te ensinar a como ser esperto e a lucrar muito com isso.
Agradeço por isso. - Ele sorriu satisfeito e saiu, fazendo o ranço da Japa se instalar em mim, alguma coisa ele estava tramando e eu seria a sua marionete até descobrir tudo que ele planeja. Como ainda tinha tempo eu mandei uma mensagem para Japa, ela melhor que ninguém poderia me aconselhar em relação a isso.
~~O que essa bicha falsa fez?
Acho que ele pode estar de traíra no morro, me deu uns papos de lucrar com informações suas, o que eu faço?
~~ Obrigada pela lealdade, fique de olho de corda, eu suspeitava que tinha um X9 no morro, acho que descobri quem é.
Minha cabeça está dando voltas, eu não sei sobre essas coisas, tenho medo de acabar prejudicando você.
~~ Vou ligar no meu sub, ele vai começar a treinar você isso se você quiser, vai aprender a se defender e atirar também, há um galpão for a do morro e ele vai te treinar lá, assim fica longe dos olhos dos moradores, você vai aprender como as coisas funcionam e se por algum motivo você precisar se defender vai saber como agir em cada situação.
Eu quero aprender, sinto que preciso passar por isso.
~~ Então vou providenciar isso, continue agindo naturalmente e não fica fazendo muitas perguntas, só quando ele tocar no assunto, e se por um acaso ele disser que já fez algo assim pergunte com cautela para que morro ele passou informações.
Tudo bem, vou tomar cuidado, como passou a noite?
~~ Muito melhor, obrigada não senti frio e não dormi no chão, nunca vou esquecer tudo que tem feito.
Não precisa agradecer, amanha vou ter uma reunião com o advogado, acho que terá uma audiência ele vai tentar a sua liberdade provisória, mas pelo que entendi não vai poder voltar pro morro de imediato.
~~ Não estando mais aqui, eu aceito ir para qualquer outro lugar.
Certo, amanha ele vai me explicar direito e eu te passo o que vai ser feito, e como ele vai realizar a sua defesa, eu vou ter aula agora a tarde também, se cuida e não esquece dos remédios.
~~Já tomei os remédios, boa aula.
Obrigado. - Eu ainda fiquei olhando para a conversa, vi ela ficar off e mais uma vez me peguei sentindo meu coração bater estranho, eu não sei o que vai acontecer, mas sei que eu vou descobrir que está tramando contra ela, mesmo que eu não tenha nenhuma obrigação, mas sinto que é o meu dever proteger e então é isso que eu vou fazer.
Mauricio Narrando,
A reunião com o advogado me deixou com esperanças, ele iria entrar com uma liminar, disse como iria agir e como seria a defesa da Japa, eu pedi para se possível não ser divulgado o julgamento, eu não sei como isso funciona e nem se a mídia estava noticiando a prisão dela, eu só não queria que o pessoal do morro ficasse sabendo que talvez ela possa ser solta, eu não contaria para ninguém lá nem para o sub, eu iria agir com bastante cautela, como não tinha contado para ninguém que troquei o advogado dela.
Eu queria fazer as coisas assim, pois eu não sei quem mais pode estar tramando contra ela, eu voltei para o morro no final da tarde, as ruas estavam desertas o que achei estranho, o comércio aqui todo fechado e eu comecei a ficar aflito, não demorou muito para baterem no meu portão.
— Cole arruma algo pessoal seu e demanda, o morro ta com aviso de invasão, patroa mandou te avisar ela te mandou mensagem mas você não respondeu.
Meu celular descarregou.
— Vai para pista, eu te ligo quando puder voltar. - Eu concordei pegando meu material, e colocando roupas em uma mochila apressado, tranquei a casa e desci o morro apressado, mesmo de carro blindado eu tinha medo de presenciar um confronto, não sei qual seria a minha reação, quando achei um hotel disponível coloquei logo o celular para carregar e liguei a tv, precisava saber o que iria acontecer lá, vi as mensagens dela e logo respondi recebendo outra em seguida.
~~ Fica tranquilo ai, morro inimigo que vai subir querendo tomar lá, e tenho certeza que foi fita dada, aquela bicha safada estava curtindo baile no morro deles ontem, se for ela a X9 vai canta pra subir.
Eu não vou me meter, são as escolhas dele tenho certeza que sabia das consequências .
~~ Pelo visto ele estava sabendo de mais.
O morro tá preparado para essa invasão, eu não sei como isso funciona e você não está aqui para dar ordens.
~~ Mesmo de longe eu ainda dou ordens, o morro está bem equipado, tudo no sigilo pra ninguém saber qual a quantidade de fogo temos aí.
E isso demora muito?
~~ A mais longa que enfrentei foi de quase 24 horas, vou dá o meu aval para o pessoal, qualquer novidade eu aviso.
Assim ela não falou mais nada, eu pedi um lanche enquanto ia tomar banho, a tv sempre ligada e os tiros eram altos como se estivessem filmando de perto, aquela bicha safada como se diz a Japa me mandou mensagem dizendo estar preocupado pois não me viu no morro, eu só vi pela barra de notificação e nem respondi, eu ainda iria descobrir o que ele está tramando e com quem. Meu lanche chegou eu comi pensando se ela lá dentro havia comido mais de uma refeição por dia, mas faria uma refeição bem caprichada para ela na próxima visita.
Era quatro da manhã quando ela me mandou mensagem avisando que tudo havia se acabado. - Eu estava muito preocupado, mas o alívio tomou conta assim que repeti em voz alta que já havia acabado.
~~ Agora dorme, amanhã você tem prova e vai me contar como foi com o advogado. - Nós despedimos e eu realmente fui dormi, acordando cansado mas aliviado que não havia sido encontrado nada lá, ela realmente sabe bem como fazer as coisas.
Na faculdade depois de uma manhã cheia de provas, eu fui até o restaurante da faculdade para almoçar, vi a bicha falsa e segui como se não tivesse visto, peguei meu almoço e sentei no canto afastado como de costume, mas a minha paz não durou muito.
— Cara aonde você se meteu ontem, eu te procurei por todo o morro.
Me procurou como, não estava tendo invasão?
— Teve toque de recolher, antes de ir para casa eu fui atrás de você, pois eu sei que nunca passou por uma invasão antes.
Entendi, eu estava na pista e quando cheguei ouvi tiros então só fui para um hotel.
— Fez bem, o morro ferveu ontem.
Mas porque invadiram lá?
— Acho que querem tomar o comando, com a patroa presa é mais fácil.
Mas não tem gente tomando conta no lugar dela?
— Ter até tem, mas não é a patroa então é só meter bala.
Você fala como se gostasse disso.
— Eu amo essa adrenalina de confronto.
Se te ouvirem vão pensar que você está com o outro morro.
— Talvez, eu só preciso ajustar umas coisas antes.
Você está me assustando, o que quer dizer com isso.
— Querido você é ingênuo de mais, porém como um bom amigo que eu sou vou te ensinar a como ser esperto. - Ele riu saindo da mesa me deixando intrigado, e com ainda mais certeza que ele é um X9 que está no morro, comecei a pensar até aonde essa falsidade dele pode ir, a nossa amizade desde o início da faculdade também era uma mentira, eu sou mais uma marionete no seu jogo, quem era ele de verdade, com tantos pensamentos eu me sentia sufocado, fiquei observando de longe ele conversa com alguns alunos da sua sala e vez ou outra pegava ele me olhando, ele era alguém que eu confiava que havia se tornado meu amigo e confidente, ele poderia me matar e ninguém sentiria falta.
Com todos os pensamentos escuros que rondavam a minha mente eu juntei as minhas coisas e sai da faculdade, sentia o ar faltar como se estivesse preso dentro do carro por horas, até aonde o ser humano poderia ir por dinheiro, eu sai indo para minha casa eu só queria a minha cama, o meu aconchego eu ainda tinha muito o que aprender e iria, apesar do medo eu iria proteger quem estava ao meu lado e que corre risco de vida.
Japa sem perceber tem se tornado a minha prioridade, espero que um dia ela saia de lá e aqui for a possamos recomeçar e juntos escrever um novo caminho para a vida.
