Capítulo 1 Meu Vizinho
Eu estava terminando a faxina na kitnet quando ouvi meu vizinho chegando. Reconheci o barulho do lado de fora, mas continuei guardando as últimas coisas e tentando colocar tudo em ordem. Depois de passar um tempão limpando naquele calor, tudo o que eu queria era tomar um banho demorado e aproveitar o restante do fim de semana sem fazer absolutamente nada.
Entrei no banheiro e fiquei alguns minutos embaixo da água, aproveitando aquela sensação maravilhosa depois de terminar uma faxina. Quando desliguei o chuveiro, saí me secando devagar, com o corpo ainda encharcado e cheiroso, sentindo a pele fresca depois do banho. Foi justamente nesse momento que ouvi algumas batidinhas na porta.
— Já vai!
Corri para ver quem era e quase caí no caminho, escorregando no chão molhado. Consegui me equilibrar por pouco e segurei melhor a toalha enrolada ao redor do corpo antes de abrir a porta.
Quando abri, dei de cara justamente com o meu vizinho gostoso.
Ele era um negão enorme, com quase dois metros de altura, forte, daqueles homens que pareciam ocupar todo o espaço ao redor simplesmente por estarem ali. Assim que me viu daquele jeito, recém-saída do banho, com os cabelos molhados e a pele ainda cheia de gotinhas de água, ele abriu um sorriso meio desconcertado.
— Oi, vizinha, tudo bem? Nossa... Eu vim perguntar se a sua internet está pegando. É que eu tenho que fazer umas coisas lá em casa e a minha não está.
Abri um pouco mais a porta e sorri sutilmente antes de caminhar até o notebook para conferir.
— Ah, oi! Sim, sim. Deixa eu conferir aqui, mas acho que está pegando, porque estou ouvindo música e não parou de tocar. Entra, pode entrar.
Ele entrou e fechou a porta atrás de si. Percebi que seu olhar demorou um pouco mais do que deveria sobre mim antes que ele perguntasse, com uma pontinha de malícia:
— Ô, desculpa aí te incomodar, viu? Está num momento bom?
Comecei a rir enquanto verificava a conexão no notebook.
— Ah, sim, sim. Momento ótimo. Um calor desse, né? Ainda bem que agora estou toda renovada. Me sinto até com mais energia. Agora vou abrir uma cerveja, ficar de boa e curtir o resto do fim de semana.
Ele continuou parado perto da porta, mordendo discretamente os lábios enquanto me olhava daquele jeito que não deixava muita dúvida sobre o que estava passando pela cabeça dele.
— É... eu também estou precisando relaxar um pouco e curtir. Agora que estou solteiro e tal...
Na mesma hora percebi que ele estava jogando um verde para cima de mim. Aquela história de internet já estava começando a parecer apenas uma desculpa conveniente para aparecer na minha porta.
Resolvi entrar na brincadeira.
— Ah, então vem tomar uma cerveja comigo... se você esperar eu me vestir.
Ele começou a rir.
— Ah, então eu aceito. Já que estou sem internet mesmo, vamos ficar conversando.
Fui até a cozinha ainda enrolada na toalha, peguei uma cerveja e entreguei para ele antes de apontar para o sofá.
— Senta aí.
Quando ele foi pegar a cerveja, porém, segurou minha mão. O toque começou discreto, quase inocente, mas seu polegar acariciou minha pele enquanto ele mantinha os olhos presos nos meus.
— Ah, mas você não precisa se vestir. Pode ficar assim para a gente ficar mais à vontade, não pode? Eu sempre quis dar uma olhadinha para ver o que tem aí por baixo.
Comecei a rir.
Aquela situação tinha mudado de uma conversa casual para uma provocação descarada em questão de minutos, e eu não estava exatamente interessada em interromper.
— Então, que não seja por isso. Pode olhar, gato.
Abri a toalha diante dele, revelando meu corpo nu, minha intimidade completamente depilada e meus seios, que já denunciavam o quanto aquela provocação também estava mexendo comigo.
A reação dele foi imediata. Meu vizinho aproximou a mão da minha intimidade, acariciando-me enquanto soltava um palavrão baixo, claramente surpreso e excitado com o que estava vendo.
— Puta que pariu... Desse jeito eu vou gozar na calça. Não é que você é gostosa mesmo? Essa cerveja aqui vai ter que esperar, porque agora minha vontade é outra.
Ele me olhou diretamente nos olhos antes de perguntar se podia me dar prazer com a boca.
Comecei a rir e caminhei até o sofá. Deitei confortavelmente, abri as pernas diante dele e respondi, provocando:
— Ah, uma mamada e um copo d'água não se negam a ninguém, né? Fica à vontade.
Ele deixou a cerveja de lado, tirou a camiseta e começou a abrir a calça antes de se aproximar. Em seguida, mergulhou entre minhas pernas com uma vontade que me fez prender a respiração.
Eu me acomodei melhor no sofá enquanto sentia a boca dele percorrendo minha intimidade. A intensidade aumentava a cada instante, e meu corpo reagia naturalmente às carícias, ficando cada vez mais sensível e excitado. Ele parecia completamente concentrado em mim, como se naquele momento não existissem a internet, a cerveja ou qualquer outra coisa fora daquela pequena kitnet.
E eu já sabia que aquele fim de semana estava apenas começando.
A intensidade daquilo foi aumentando rápido demais para que eu conseguisse pensar em qualquer outra coisa. Meu corpo inteiro parecia eletrizado, e eu já nem me lembrava da cerveja abandonada, da internet que supostamente tinha levado meu vizinho até a minha porta ou do fato de que, minutos antes, eu estava simplesmente planejando passar o restante do domingo sozinha.
Quando finalmente cheguei ao ápice, não consegui controlar a minha voz. Gemi tão alto que ele imediatamente levou a mão até a minha boca, tentando abafar o som.
— Desse jeito os vizinhos vão descobrir tudo — murmurou, rindo contra mim.
Eu ri também, ainda ofegante, mas a risada desapareceu quando ele segurou meu pescoço e me encarou. Havia desejo demais naquele olhar. Aquele homem enorme diante de mim parecia ter perdido completamente o interesse em fingir que tinha aparecido ali por causa da internet.
E, sinceramente, eu também já tinha desistido de fingir qualquer coisa.
Ele abaixou a calça, e meus olhos acompanharam o movimento. O pouco de juízo que ainda me restava foi embora naquele instante.
— Você estava mesmo precisando usar minha internet? — provoquei.
Ele soltou uma risada baixa.
— Talvez eu estivesse precisando era de uma desculpa para bater na sua porta.
— Safado.
— E você mandou entrar.
Não consegui responder porque ele me puxou novamente para perto. A partir dali, tudo aconteceu numa mistura de desejo, provocações e gemidos que precisei conter para não anunciar para a vizinhança inteira o que estava acontecendo dentro da minha kitnet. Em determinado momento, ele voltou a tampar minha boca enquanto eu agarrava seus braços, completamente entregue às sensações.
Quando nos afastamos, eu estava ofegante, descabelada e ainda tentando recuperar o fôlego. Ele também parecia satisfeito demais consigo mesmo.
Então olhou para minha boca por alguns segundos.
— Sabe que eu sempre tive vontade de beijar essa sua boca? — confessou. — Ela é muito bonita. Vermelha desse jeito... sempre fiquei imaginando um monte de coisa.
— Ah, então você já ficava me olhando antes?
— Muito.
Comecei a rir.
— E eu achando que você era um vizinho comportado.
A provocação continuou. Eu me ajoelhei diante dele e deixei claro que aquela atração não existia apenas da parte dele. Eu também já tinha reparado naquele homem enorme mais vezes do que gostaria de admitir.
O restante daquele encontro foi tão intenso quanto o começo. Quando finalmente terminamos, ele segurou meus cabelos, respirando profundamente, e soltou, ainda tentando recuperar o fôlego:
— Desse jeito eu vou acabar me apaixonando por você.
Comecei a rir.
— E eu vou acabar adorando ter um negão gostoso desses batendo na minha porta todo dia.
— Todo dia?
— Dependendo do desempenho...
Ele arregalou os olhos.
— Depois de hoje você ainda vai avaliar meu desempenho?
— Claro. Sou uma mulher exigente.
Nós dois caímos na gargalhada.
Depois daquela loucura, fomos tomar banho juntos. O clima que antes estava carregado de tensão virou uma coisa surpreendentemente divertida. Ficamos implicando um com o outro debaixo do chuveiro, rindo da desculpa esfarrapada da internet e discutindo sobre quem tinha provocado quem primeiro.
Quando saímos, finalmente conseguimos cumprir o plano inicial.
Abri mais duas cervejas.
Sentamos no sofá, ainda com os cabelos molhados, ouvindo música e conversando como se aquela fosse a coisa mais normal do mundo. Ele contou algumas coisas sobre a vida dele, eu contei outras sobre a minha e, de vez em quando, nossos olhares se encontravam e nós dois começávamos a rir novamente, lembrando do que tinha acabado de acontecer.
Olhei para a cerveja na minha mão e balancei a cabeça.
Meu plano para aquele domingo era terminar a faxina, tomar banho, abrir uma cerveja e descansar.
Tecnicamente, eu tinha feito tudo isso.
Só não estava nos meus planos fazer tudo acompanhada do meu vizinho gostoso.
E, pelo jeito como ele me olhava enquanto bebia a cerveja, tive certeza de uma coisa:
Aquela tinha sido apenas a primeira vez.
