A estranheza e o homem misterioso

Lavelle percebeu que algo estranho aconteceu com ela. Ela percebeu isso quando Daniela colocou um prato com um peru gigante e uma tigela de salada na sua frente. Ela ficou chocada e correu para o banheiro, vomitando tudo o que tinha no estômago.

"O que há de errado com você, Lavelle?" Daniela perguntou.

Lavelle não teve oportunidade de responder. Ela continuou vomitando no banheiro. Saiu do banheiro três minutos depois. Seu rosto estava muito pálido; sua respiração não estava normal. Ela caminhou até a cadeira e se jogou nela com um suspiro profundo.

Daniela a seguiu. "Lavelle, você está bem?"

Lavelle ficou em silêncio. Ela ponderava sem motivo aparente.

"Estou falando sério, Lavelle. Você está bem? Estou preocupada com sua saúde."

"Eu não sei..."

"Do que você está falando?" Daniela levantou as sobrancelhas.

"Isso aconteceu de repente, tem algo estranho aqui."

"Do que você está falando?" Daniela continuou perguntando sobre o que Lavelle queria dizer.

"Como chegamos aqui tão rápido?" Lavelle murmurou.

Daniela suspirou e olhou para Lavelle com descrença. "Você está brincando comigo? Está me pregando uma peça? Foi você quem disse que estava com fome."

"Eu não estou com fome, Daniela. Estou morrendo porque—"

"Meu Deus, está na cara. Você está me pregando uma peça."

"Não, não estou."

"Então, o que você quer dizer? Por que está confusa sozinha?" Daniela cruzou os braços.

"É isso que estou tentando entender agora." Lavelle bufou.

"Meu Deus, o que aconteceu com você, Lavelle? Você foi quem insistiu em ir para casa primeiro porque estava com fome?" Daniela perguntou, irritada.

"Eu não me lembro de nada além daquele pervertido," Lavelle disse.

"Pervertido?"

"Sim. Eu encontrei um jovem. Ele era tão—"

"Por favor, pare de falar besteira. Não me deixe mais confusa. Estou exausta de correr atrás de você," Daniela a interrompeu.

"Estou falando sério, Danie. Eu encontrei um pervertido," Lavelle insistiu.

"Mas como você encontrou um pervertido no meio da floresta?" Daniela deu de ombros.

"Eu não sei de nada, Danie. É estranho."

Lavelle evitou o olhar de Daniela. Ela cobriu o rosto em confusão. Estava tentando entender seu estado.

"Ei... talvez você esteja apenas tendo uma alucinação. Estamos sozinhas na floresta, enquanto você caminhava no mato, não havia ninguém te seguindo." Daniela suspirou e puxou uma cadeira.

Lavelle tremia. Estava instável pela enésima vez.

"Obviamente, não deveríamos ficar aqui. Você deveria continuar o tratamento."

"Estou tonta e não sei. Estou muito confusa," Lavelle disse depois.

"Vou pegar seus remédios." Daniela se levantou para subir ao segundo andar.

Mark abriu a porta principal e entrou junto com Shotaro. Mark olhou para os pratos na mesa de jantar e ficou confuso.

"Meninas, onde vocês encontraram esse peru patético?" Mark perguntou, enquanto colocava algumas sacolas plásticas na mesa da cozinha.

"Na floresta."

"Uau. Não acredito. Como vocês o pegaram?" Shotaro acrescentou.

"Pare de falar besteira, Shotaro." Daniela bufou.

Mark ficou em silêncio por um momento. Ele percebeu que algo ruim havia acontecido entre as meninas.

"Tem algo errado com vocês?" ele perguntou.

Daniela suspirou e olhou para Lavelle.

"O que está acontecendo?" Mark continuou a perguntar.

"É uma longa história. Não deveria compartilhar com você agora, Lavelle está reclamando de dor de cabeça. Vou pegar os remédios dela primeiro."

Mark queria impedir Daniela de seguir seu caminho. Shotaro segurou a mão de Mark como um sinal de que ele não deveria fazer besteira no meio do problema.

Daniela foi para o segundo andar, enquanto Mark ficou em silêncio e foi verificar suas compras. Daniela voltou mais rápido do que antes, desceu para o primeiro andar em minutos. Ela despejou os comprimidos na palma da mão antes de entregá-los a Lavelle.

"Você deve tomar isso duas vezes ao dia, Lavelle. Não deve esquecer," Daniela disse.

Ela entregou um copo de água para Lavelle. Lavelle respirou fundo e apertou o copo. Lavelle estava enlouquecendo por causa de sua estabilidade mental. Ela não sabia por quanto tempo sofreria com a dor.

Era abstrato, como uma sombra das chamas.

"Você gostaria de compartilhar comigo?" Mark falou.

Daniela virou a cabeça, olhou para Mark com um olhar neutro. "Me dê um tempo."

"Meninas, por que estão guardando isso como um segredo?" Mark gritou.

Daniela suspirou mais uma vez, enquanto sua mão tentava alcançar o lacre do frasco de remédios. Lavelle estava em silêncio diante dela, com as mãos entrelaçadas. Ela fechou os olhos e permaneceu calada.

"Algo misterioso possuiu Lavelle. Ela me disse que estava com desejo de comer peru e salada. Ela agiu como se eu estivesse brincando quando coloquei os pratos na mesa."

Mark começou a se chocar, seus olhos tremiam e ele arrastou o olhar para Shotaro. Eles se olharam, mas não disseram nada.

"Foi ridículo para mim. Mas não posso julgá-la por isso, já que aprendi muito, ela é uma sobrevivente de problemas de saúde mental." Daniela bufou.

"A propósito... qual parte da floresta vocês visitaram esta manhã?" Shotaro perguntou a Daniela.

"Foi a parte norte da floresta. Eu a convidei para os lagos, ela adora os lagos. Então, a levei lá," Daniela explicou.

Mark fechou os olhos por um segundo. "Como você pôde fazer isso? É uma atividade perigosa."

"Eu sei que é uma atividade perigosa. Não tive más intenções, mas tentei fazer Lavelle se sentir melhor," Daniela murmurou.

A atmosfera na sala de jantar começou a ficar tensa. Mark e Shotaro ficaram em silêncio, enquanto continuavam a se olhar.

"Eu não acredito que exista um fantasma em 2021," Lavelle murmurou.

"Que tipo de fantasma? Você disse que era um jovem que te seguiu," Daniela disse.

Mark interveio, "Espere um minuto, o que você quer dizer com jovem? Tem alguém atrapalhando sua vida hoje?"

Lavelle suspirou, empurrou seu copo para o centro da mesa de jantar. Ela se levantou e caminhou até as grandes janelas. Seus olhos tremiam, mas pareciam tão vazios.

"Meninas, vocês sabem que eu não deixaria vocês serem distraídas por estranhos," Mark disse.

"Sim, me diga quem é o jovem? Como ele chegou aqui?"

"Eu não sei nada sobre ele. Lembro-me de quando ele me impediu de deixar minhas coisas caírem lá," Lavelle murmurou.

"Ele te tocou?" Mark perguntou.

"Não, ele não tocou."

Lavelle soltou um suspiro profundo, virou a cabeça para olhar suas amigas. Ela bocejou enquanto caminhava até a cadeira.

"Temos uma informação sobre aquele sujeito. Não podemos ficar aqui, estou preocupado que ele seja uma pessoa má." Mark se levantou de repente.

Seu movimento agressivo deixou Daniela chocada. Mark e Shotaro se prepararam para sair e rastrear o jovem. Mark pegou a adaga de prata pontiaguda da sacola plástica. Daniela tremia de confusão.

"Caras, o que vocês estão fazendo?" Daniela gritou para Mark.

"Obviamente, vou procurar aquele sujeito e perguntar quais são suas intenções," Mark disse.

"Não seja louco."

"Não, não sou."

Lavelle se levantou de repente e olhou para suas amigas. Ela estava irritada com a conversa ridícula sobre aquele homem. Lavelle estava exausta por causa de sua saúde mental. Ela também se sentia exausta por causa do incidente estranho na floresta.

Ela não estava entrando em pensamentos ridículos. Mas ela queria tirar um cochilo por um tempo. Lavelle os ignorou, embora quisesse impedir Mark de procurar o jovem.

"Lavelle, por favor, me escute. Eu não vou matá-lo, mesmo que ele tenha feito algo inapropriado com você," Mark gritou.

"Eu não entendo. Quero pegar meus travesseiros e sonhar." Lavelle disse sem virar a cabeça, enquanto subia as escadas.

"Ouça-me—"

Mark franziu a testa quando uma batida o interrompeu. Daniela se levantou para abrir a porta, mas Shotaro segurou sua mão com força.

"Por que você está agindo de forma tão estranha?" Daniela perguntou a Shotaro.

"Tenha cuidado."

"É um convidado. Como você pode deixar o convidado esperando tanto tempo?" Daniela perguntou mais uma vez.

Mark interveio, "Cale-se! Lavelle vai tirar um cochilo, não faça barulho. Eu vou abrir a porta."

Um jovem estava parado em frente à porta principal. Ele parecia muito bem em um terno casual, seu cabelo era cor de vinho, seus olhos eram verde-claros, seus lábios eram cor de tijolo. Ele tinha cerca de 1,73 metros.

Ele deu a Mark um sorriso doce quando ele abriu a porta. Mark se sobressaltou, seus olhos se arregalaram cada vez mais. Um sorriso astuto fez com que Mark não conseguisse dizer nada sobre o jovem misterioso.

"Ugh, olá." O jovem acenou com a palma da mão diante do rosto de Mark.

Mark estremeceu e virou a cabeça para olhar para Shotaro, que tremia. Daniela ficou confusa com a situação estranha, mas caminhou e confrontou o jovem.

"Desculpe, mas quem é você, senhor?" Daniela perguntou ao jovem.

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