Capítulo 5
O que eu estava sentindo não era normal. Meu estômago se revirava com violência, meu corpo ardia de calor e minha visão girava. Eu não estava em meu juízo perfeito.
— Minha Rainha, espero que a senhora fique bem. A senhora não parece nada bem — disse Sage, aflita, enquanto tirava meu vestido e meus sapatos e me cobria com um edredom grosso.
Eu tremia sem controle, mas o suor já encharcava os lençóis.
— Minha Rainha, sua temperatura está alta demais. Esse edredom só vai piorar. Eu deveria chamar um médico — disse ela, estendendo a mão para tirá-lo.
— Não, por favor, deixa — murmurei, fraca. — Estou com frio. Não chame médico. Vou me sentir melhor depois de descansar um pouco.
Eu não sabia quanto tempo levaria para me recuperar, mas a ideia de ser examinada me deixava inquieta.
— Se a senhora insiste, minha Rainha, vou preparar um chá verde. Pode ajudar a aquecer e acalmar — disse ela, fazendo uma reverência antes de sair do quarto.
Apesar do calor, eu continuava tremendo com força. Minha visão embaçou quando a porta se abriu de novo, revelando a Rainha Lula. Eu mal conseguia focar.
Ela se aproximou com um sorriso suave, erguendo um pouco a saia do vestido ao se sentar ao meu lado. A mão dela deslizou de leve pelos meus cabelos.
— Você pode estar reagindo ao ambiente desconhecido — disse ela, serena. — Você precisa aprender a aguentar. O Rei Archer não se importa com doença. Se ele quiser você, ele espera que você esteja pronta.
Ela falava olhando para o nada, com uma expressão distante. Ela era deslumbrantemente bonita, embora magra demais, com as clavículas pontudas e bem marcadas.
As joias de esmeralda brilhavam intensas, valiosas demais para usar no dia a dia. Eu me perguntei por que ela se enfeitava de forma tão luxuosa mesmo dentro das paredes do castelo.
Ela observou meu corpo trêmulo e, então, devagar, puxou o edredom para longe.
— Você não precisa disso. É melhor a febre baixar do que você ficar suando sem parar — disse ela, prendendo o cabelo atrás da orelha. — A Rainha Zínia te detesta. As outras também. Eu também não gosto de você, mas não sou cruel. Vou ajudar no que eu puder. Essa vida não foi uma escolha sua.
As palavras dela pesaram em mim.
Por que todas me odiavam? Como eu ia sobreviver num lugar onde eu não era bem-vinda nem amada?
— Todas nós sabemos que você é a mais jovem — ela continuou. — Você ainda não foi tocada. Inocente. O Rei logo vai voltar a atenção para você, e é por isso que nós ressentimos você. Ele gosta de sangue novo. Quando enjoar, ele vai te descartar e procurar outra.
Aquilo me fisgou. Eu lutei para me sentar.
— Sim, Pearl — ela disse em voz baixa. — Nós também já fomos as favoritas dele. Agora, ele prefere as criadas a nós. Esse é o homem com quem você se casou. Ele é insaciável, mas nos proíbe de ter filhos.
O medo apertou meu peito.
— Como isso é possível? — perguntei. — Como ele pode dormir com vocês e impedir uma gravidez? E por que ele não quer um herdeiro?
O sorriso dela se desfez.
— O Rei manda médicos até nós a cada sete dias para aplicar uma medicação preventiva. Ele jurou matar qualquer mulher que engravide dele — disse.
Minha respiração travou.
— Quanto a um herdeiro, não sei dizer. Mas uma coisa é certa: o rei Archer não ama ninguém. Nem a si mesmo.
Ela se levantou.
— Eu já disse o suficiente. Não cruze o nosso caminho, principalmente o da Zinnia. Ela é perigosa. Descanse bem.
Ela me deixou sozinha com meus pensamentos.
Como alguém conseguia aguentar uma vida dessas? As rainhas estavam presas a um homem que não amavam, competindo numa miséria silenciosa.
Como um homem podia ser tão sem coração? Casado com cinco mulheres e, ainda assim, procurando outras e negando a elas filhos.
Só alguém como o rei Archer conseguiria viver assim.
— Aqui está o seu chá, minha rainha — disse Sage, interrompendo meus pensamentos.
Eu aceitei a xícara, observando-a com atenção. Como eu poderia saber se ele não tinha se deitado com ela também? Ela era linda, tudo o que os homens desejavam.
Não era essa a vida que eu queria. Eu tinha sonhado com amor e paz, não com isso.
Dei um gole no chá e suspirei baixinho. Estava delicioso.
— Foi você que fez? — perguntei. Ela assentiu, sorrindo, tímida.
— Está maravilhoso. Quem sabe um dia você me ensina — provoquei com suavidade.
Ela corou até as orelhas. — Eu adoraria, minha rainha, mas pessoas da realeza são proibidas de entrar na cozinha. Fico feliz que a senhora tenha gostado.
— Estou me sentindo melhor — eu disse, baixinho.
— Que bom ouvir isso — ela respondeu.
— Sage, por favor, olhe para mim quando falar. Estamos sozinhas — pedi, com delicadeza.
Ela hesitou e então, devagar, ergueu a cabeça. Seu rosto redondo era delicado e bondoso.
— Venha sentar aqui do meu lado — eu disse, batendo de leve na cama.
Ela entrou em pânico na mesma hora. — Não, minha rainha. Eu seria punida.
— Então sente no sofá — sugeri.
Ela balançou a cabeça. — Prefiro ficar de pé.
— Tudo bem — suspirei. — Faça como quiser.
Tomei o resto do chá depressa. Os olhos dela se arregalaram.
— Minha rainha, beba devagar. A senhora precisa estar bem. O seu casamento é amanhã.
— Amanhã? — eu engasguei.
— A senhora não sabia? — ela perguntou, confusa.
— Sabia — menti, sem convicção. — Obrigada. Preciso ficar sozinha.
Eu me deitei de novo, encarando o teto.
Amanhã.
Eu não estava nem de longe pronta.
