Capítulo 7 Encontro

O encontro não seria na mansão. Essa foi a primeira regra.

O hotel escolhido ficava no centro histórico de Florença, um prédio antigo de fachada discreta e diárias que custavam mais que o salário anual de um professor universitário. A escolha tinha sido dele, exclusivamente dele. Don Giovanni aceitara todas as condições sem discutir, o que, para quem conhecia seu pai, dizia mais sobre Vincenzo Esposito do que qualquer apresentação formal.

Ambra chegou com uma hora de antecedência, como Diana insistira. O vestido pesado de pérolas tinha sido trocado por outro, ainda mais justo, de um vermelho escuro que Diana chamou de poderoso. O motorista abriu a porta e os funcionários do hotel já estavam à espera na calçada, como se tivessem sido avisados minuto a minuto do trajeto. Ninguém perguntou seu nome. Todos sabiam quem ela era. Ou melhor, sabiam de quem ela seria.

— Sra. Di Rossi, Srta. Di Rossi, por aqui — disse o gerente, com uma reverência pequena e perfeita.

O elevador subiu em silêncio. Diana, ao seu lado, checava o reflexo no espelho dourado das portas, ajeitando o próprio decote. Não ofereceu a mão, nem uma palavra.

A suíte presidencial tinha sido preparada como se fosse para uma lua de mel que ainda não existia. Havia rosas vermelhas demais em vasos baixos, champanhe no gelo, luzes baixas e amareladas, lençóis de seda cor de marfim cruelmente esticados sobre uma cama enorme. Tudo gritava intimidade. Tudo era invasivo. O luxo, em vez de acalmá-la, fez o estômago de Ambra revirar. Aquilo não era acolhimento. Era um palco.

— Meu Deus, olha isso — murmurou Diana, passeando os olhos pelo quarto com aprovação. — Ele tem bom gosto. Caro, pelo menos.

Ambra ficou parada no meio da sala, com a bolsa apertada contra o corpo como se fosse um escudo. Sentia o coração batendo na garganta.

— Diana... — começou, a voz falhando.

Diana se virou e finalmente a olhou. Viu o pavor cru nos olhos da enteada e, por um segundo, seu rosto se suavizou em algo que quase parecia pena. Quase.

— Relaxe, querida — disse, chegando mais perto e ajeitando uma mecha do cabelo de Ambra atrás da orelha com uma intimidade falsa. — Ele é só um homem. O máximo que vai fazer é te foder. Então curta o momento.

Deu uma piscadela lenta e saiu, fechando a porta atrás de si com um clique suave que ecoou alto demais.

O silêncio que ficou foi absoluto.

Ambra permaneceu imóvel, as palavras de Diana ainda queimando. Tentou respirar fundo, como Alessa tinha ensinado, mas o ar não entrava. Cada detalhe do quarto se tornou uma ameaça. O espelho enorme em frente à cama, a poltrona escura no canto, a sombra do banheiro entreaberto. Perguntas terríveis começaram a se atropelar na sua cabeça, todas as que ela tentou não fazer nos últimos dias. E se ele fosse violento? E se a odiasse à primeira vista? E se a tocasse e ela não conseguisse suportar? A sensação de ser descartável, que conhecia tão bem dentro da própria família, voltou com uma força nova. Era uma mercadoria sendo entregue no endereço combinado.

A batida na porta foi seca, duas vezes.

Ambra deu um pulo. O sangue sumiu de suas pernas.

— Entra — conseguiu dizer, num fio de voz.

A porta se abriu.

Ele era alto. Mais alto do que ela lembrava do corredor da festa. Cabelos pretos, lisos, caindo até os ombros, ainda úmidos da chuva fina que começara a cair lá fora. Terno escuro impecável, sem gravata, com os dois primeiros botões da camisa abertos. E a máscara. Preta, fosca, cobrindo metade do rosto, deixando à mostra apenas a boca e a linha firme do maxilar.

O mesmo homem do corredor.

O reconhecimento a atingiu como um choque elétrico. Foi ele. O homem que a olhou com desdém e a deixou falando sozinha. O homem que ela não conseguia tirar da cabeça desde então, sem saber por quê. Agora estava ali, fechando a porta atrás de si com um movimento calmo e trancando-a com um clique que fez o peito de Ambra se contrair.

Ele era seu futuro marido.

Ele não disse nada por um longo momento. Apenas a observou. O olhar, por trás da máscara, percorreu seu corpo com uma lentidão deliberada, sem pressa, sem pudor. Dos pés descalços que ela tinha tirado do salto, subindo pelas pernas, pela cintura marcada pelo vestido vermelho, pelo decote que Diana fizera questão de deixar generoso. Não era um olhar de desejo. Era um inventário. Uma avaliação fria, possessiva, que fez Ambra se sentir completamente nua.

Instintivamente, ela cruzou os braços sobre o peito, tentando esconder o que o vestido insistia em mostrar.

Ele inclinou levemente a cabeça.

— Você se veste assim com frequência? — perguntou. A voz era baixa, grave, com um sotaque carregado do sul que ela não soube identificar. Cada palavra dita com calma, como se tivesse todo o tempo do mundo.

Ambra sentiu o rosto queimar de vergonha.

— Não — respondeu, com os olhos fixos no carpete creme, incapaz de encará-lo.

— Não?

— Não foi escolha minha. Foi minha...

— Não me interessa de quem foi a escolha — cortou ele, seco.

Ele deu dois passos à frente. Não muitos, mas o suficiente para que Ambra pudesse sentir o cheiro de chuva e de perfume amadeirado que vinha dele. Ela recuou um passo sem perceber, até sentir a borda da cama nas costas.

— Não se vista mais assim — disse ele, e a frieza na voz fez um arrepio cortante descer pela espinha dela. — Parecendo uma prostituta. Você vai ser minha esposa. Aja como tal.

A humilhação foi instantânea e completa. Não foi o insulto em si, foi a verdade por trás dele. Ela sabia que estava vulgar. Sabia que Diana tinha feito de propósito. E agora estava sendo punida por isso por um homem que nem sequer sabia seu nome.

Quis dizer que não queria aquele vestido, que não queria estar ali, que não queria se casar. Mas a voz morreu na garganta. O medo, antigo e aprendido, falou mais alto.

— Sim, senhor — murmurou, quase inaudível.

As mãos tremiam tanto ao lado do corpo que ela precisou fechar os punhos. Os olhos ardiam com lágrimas que ela se recusava a deixar cair na frente dele. O olhar dele continuava sobre ela, pesado, marcando-a, como uma marca invisível que afundava na pele.

O quarto, enorme e luxuoso, pareceu encolher de repente. O silêncio que se seguiu ao seu sim foi tenso, sufocante, carregado de tudo o que ainda não tinha sido dito.

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