Capítulo 7

Alguém bateu de leve na porta do quarto de Avery.

— Avery — chamou Helen em voz baixa —, seu pai e Daniel chegaram.

Avery fechou o álbum de fotos, guardou-o na mesinha de cabeceira e abriu a porta.

Assim que saiu para o corredor, viu duas figuras familiares entrando pela porta da frente.

— Pai!

Avery abriu um sorriso radiante.

— Daniel!

Daniel sorriu de volta.

— Trouxe uma coisa para você.

Ele deixou várias sacolas de compras sobre a mesa de centro.

— Vem ver.

A curiosidade de Avery despertou na mesma hora.

— O que é?

Daniel tirou uma caixa de joias azul-marinho de uma das sacolas e a entregou a ela.

— Abre.

Dentro havia uma pulseira de ouro primorosamente trabalhada, com delicadas folhas de hera entrelaçadas ao longo da peça.

Os olhos de Avery brilharam.

— É linda.

Com cuidado, ela abraçou Daniel.

— Obrigada.

— Que bom que você gostou.

Daniel riu e bagunçou o cabelo dela com carinho.

Também trouxe para Helen um lenço de seda e um kit luxuoso de cuidados com a pele.

Para Edward, comprara uma garrafa de uísque escocês de dezoito anos e várias iguarias típicas de Edimburgo, onde estava trabalhando.

Não demorou para que a sala se enchesse de risadas.

Pela primeira vez em semanas, Avery se sentia completamente à vontade.


Quando todos se acomodaram à mesa de jantar, Daniel lançou um olhar para a barriga de Avery.

— Então... quanto tempo falta?

— Cerca de dois meses.

Ele sorriu.

— Aposto que é uma menininha.

Avery assentiu.

— É.

Edward pareceu agradavelmente surpreso.

— Você já sabe?

— A família Blackwood providenciou exames complementares.

Helen e Edward trocaram um olhar aliviado.

— Bem... se a senhora Blackwood está feliz, isso já é alguma coisa.

Edward assentiu devagar.

— Desde que o bebê seja amado... talvez as coisas entre você e Adrian melhorem.

Avery baixou os olhos.

De repente, perdeu o apetite.

Tinha planejado contar tudo mais tarde.

Depois do jantar.

Mas já não conseguia guardar aquelas palavras por mais tempo.


Helen levou à mesa uma perna de cordeiro perfeitamente assada, acompanhada de batatas com alecrim, cenouras glaceadas com mel, Yorkshire puddings e um molho de cebola bem encorpado.

O jantar começou em clima alegre.

Daniel falou com entusiasmo sobre a empresa.

Três anos antes, Edward tinha investido as últimas economias na pequena startup de software de inteligência artificial de Daniel.

Agora, após fechar vários contratos comerciais importantes, a empresa se preparava para a primeira grande rodada de investimentos.

Os negócios nunca tinham estado tão bem.

Edward sorriu, orgulhoso.

— Decidi vender minha empresa de desenvolvimento de software.

Daniel ergueu os olhos.

— Edward...

Edward fez um gesto com a mão, interrompendo qualquer protesto.

— Já venho pensando nisso há meses. O mercado não é mais o que costumava ser. Estou ficando mais velho e prefiro investir em algo que tenha futuro.

Daniel entendeu na mesma hora.

Edward queria apoiar a empresa dele.

Então, Edward olhou para Helen do outro lado da mesa.

— E... finalmente decidi que chegou a hora.

Ele estendeu a mão e segurou a dela.

— Helen, quer se casar comigo?

Helen cobriu a boca. Seus olhos se encheram de lágrimas imediatamente.

Depois de tantos anos juntos...

Ele finalmente tinha feito o pedido.

Avery sorriu com sinceridade.

Nunca tinha sido contra aquela união.

Muito pelo contrário.

Gostaria que o pai tivesse tomado essa decisão anos antes.

Ele tinha passado boa parte da vida sem conseguir deixar para trás a mulher que o abandonara.

Talvez...

Talvez agora tivesse finalmente conseguido.

O clima à mesa não poderia estar mais feliz.

E isso tornava ainda mais difícil o que Avery precisava dizer.

Ela fitou o prato.

Então falou baixinho:

— Adrian quer o divórcio.

Silêncio.

Um silêncio pesado tomou conta da sala.

Edward pousou devagar a faca e o garfo.

Ninguém parecia surpreso.

Apenas triste.

Na verdade...

Todos tinham esperado que aquele dia chegasse, cedo ou tarde.

O casamento jamais tinha sido realmente aceito.

Embora Avery e Adrian fossem legalmente marido e mulher, nunca tinha havido uma cerimônia.

A família Blackwood nunca tinha visitado aquela casa.

Adrian nunca tinha cruzado a porta da frente.

A cada Natal e Páscoa, Edward e Helen preparavam cestas elaboradas com todo o cuidado para Avery levar à mansão dos Blackwood.

A senhora Blackwood sempre as recebia com educação.

Mas Avery sabia que, depois, os presentes eram discretamente repassados aos empregados da casa.

Victoria não demonstrava a mesma discrição.

Mais de uma vez, tinha mandado uma empregada jogar os presentes fora enquanto Avery ainda estava ali.

O próprio Adrian simplesmente tinha dito:

— Não faz sentido.

Olhando para trás...

Talvez o fim tivesse sido inevitável desde o começo.

Avery rompeu o silêncio mais uma vez.

— Vou ficar até o bebê nascer. Depois disso... vou para Stanford. Já falei com o Professor Thornton.

Daniel foi o primeiro a sorrir.

— Acho que é exatamente isso que você deve fazer. Você sempre foi brilhante. Merece a carreira pela qual trabalhou tanto. Não importa o que decida... sempre vou estar ao seu lado.

Avery sorriu entre as lágrimas.

— Obrigada.

Edward soltou um suspiro profundo, os olhos cheios de arrependimento.

— A culpa é minha. Eu nunca deveria ter deixado você carregar esse fardo. Somos pessoas comuns, Avery. A família Blackwood vive em um mundo completamente diferente.

Avery balançou a cabeça.

— Não. Eu fiz essa escolha. E vou arcar com as consequências.

Helen lhe passou um lenço de papel em silêncio.

Não demorou muito para que a conversa voltasse a assuntos mais alegres.

Quando o jantar chegou ao fim, as risadas já tinham voltado à mesa.

Avery se deu conta de algo que quase tinha esquecido.

Não importava o que acontecesse.

Ela sempre teria um lar.


Enquanto isso...

A vários quilômetros dali, em um dos bairros residenciais mais antigos e exclusivos de Londres, um Bentley Flying Spur escuro parou diante de uma casa vitoriana isolada.

A propriedade já tinha pertencido à família Collins.

Agora, pertencia a outra pessoa.

O vidro escuro da janela traseira desceu lentamente.

Dentro do carro, um homem extremamente bonito permanecia sentado, o perfil iluminado pela luz quente que vinha da casa.

Ele contemplou por alguns instantes aquela casa tão familiar.

Algo indecifrável atravessou sua expressão.

Arrependimento.

Saudade.

Talvez os dois.

Depois de um longo momento, desviou o olhar e acendeu um cigarro.

O celular tocou.

Ele atendeu quase de imediato.

— E aí, Ani?

A voz alegre de Anya veio do outro lado da linha.

— Onde você está? Estou morrendo de fome, e Adrian não me deixa começar a jantar antes de você chegar.

Uma segunda voz surgiu logo depois.

Grave.

Divertida.

— Eu só pedi para ela esperar mais cinco minutos.

O homem riu baixinho.

— Se está com fome... pode começar a comer. Chego logo.

Ele encerrou a ligação.

Depois de lançar um último olhar para a casa intensamente iluminada, Sebastian Sinclair apagou o cigarro no cinzeiro.

O Bentley desapareceu em silêncio pela noite de Londres.

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