Capítulo 2 2
Medusa Narrando,
Nós tínhamos uma história que ninguém sabia, foi algo mútuo e sincero, nó final da noite dormíamos juntinhos e ninguém precisava saber disso, era nosso mundo mas um dia ele desmoronou, em um confronto seu irmão foi baleado e eu me arrisquei indo até ele no meio do confronto para tirar ele do fogo cruzado, eu tomei um tiro mas foi de raspão, tentei salvar ele como pude, mas por não ter como levar ao hospital naquele momento ele veio a falecer, depois disso Enzo não queria mais me ver e nem manter nenhum tipo de relação, entendi que precisava passar pelo seu luto, mas eu não consegui me manter longe e nem afastar essa obsessão de dentro do meu peito, e agora olhando ele aqui tão perto, eu tenho a certeza que estou a ponto de enlouquecer.
- Eu já vou, obrigado pela ajuda.
Enzo.
- Eu não vou ficar, você sabe que não vou ficar. - Eu queria gritar e trancar ele dentro dessa casa, então fiz o mais óbvio, o beijei sentindo ele ser relutante nó começo, mas não me afastou demorou um pouco, mas ele me apertou em si aprofundando o beijo, há como eu senti falta desse beijo e desses braços em volta do meu corpo, por um impulso empurrei ele na cadeira de novo e sentei no seu colo, rebolava devagar do jeito que ele gostava, a cada aperto em meu corpo eu gemia manhosa pois somente ele tinha esse domínio no meu corpo, quando faltou o ar para que ele não se arrependesse percebendo que o mesmo já estava duro, puxei a sua blusa, e levantei a parte de cima da minha camisola, ficando somente de calcinha, ele suspirou beijando meu corpo e me apertando mais em si, eu levantei o puxando e abaixei sua bermuda, mas ele não deixou que eu fizesse um trabalho nele, me levantou e abaixou a minha calcinha, havia pressa e tesão acumulado, ele novamente sentou e me encaixou em seu colo, entrando em mim da maneira deliciosa que eu tanto desejava, eu quicava e rebolava com maestria, ele gemia meu nome mamava um seio enquanto brincava com outro, sua respiração pesava anunciava a chegando ao seu orgasmo, depois de tanto tempo sem, sabíamos que não duraríamos muito perto um do outro.
- Temos que parar de fazer isso, me sinto cada vez mais preso a você.
Você é meu Enzo, isso nunca vai mudar.
- Nós não usamos camisinha, e você não toma remédio e nem quer ter filhos.
Esse é um dos motivos que te fazem se afastar?
- O menor deles.
Enzo só tinha um motivo, agora mais um. - Eu levantei do seu colo o tirando de dentro de mim e comecei a pegar a minha camisola, ele me olhava intrigado realmente nunca agi dessa forma antes então é normal ele estranhar.
- O que deu em você.
Você é meu Enzo, ta na hora de ser sincero comigo e principalmente com você mesmo, sabemos quais são seus sentimentos, pois foi você mesmo que me disse todos eles, mentir e se esconder atrás de uma casca que você mesmo criou não é uma opção, vou subir e tomar banho, bate a porta quando sair.
Enzo Narrando,
Eu sabia que ela estava certa, e que tudo que disse era a mais pura verdade, mas eu não conseguia seguir em frente eu perdi o meu irmão que era meu tudo e acima de tudo meu confidente, não quero perder ela também essa vida não é pra mim, eu não consigo lidar com as consequências dessa escolha, já havia se passado pouco mais de um mês e por incrível que pareça eu não vi ela, simplesmente sumiu do morro ou estava evitando me encontrar por aqui. A comunidade estava em silêncio e quase não se via as pessoas do movimento andando o que achei bem estranho, o QG estava fechado e a praça vazia, alguma coisa estava acontecendo e eu não tinha para quem perguntar, minha vó se sentiu mal e eu estava acompanhando ela no posto na entrada do morro, até os funcionários estavam estranhos, poderia ser coisa da minha cabeça mas nada aqui parecia normal, enquanto minha vó esperava o remédio fazer efeito chegou vários carros e os caras do movimento começou a descer, deram início a uma correria e senti meu sangue gelar ao ouvir eles gritarem.
RÁPIDO POHA A PATROA FOI BALEADA.
Em fração de segundos tudo ficou em câmera lenta, colocaram ela em uma maca e ela passou na minha frente pálida e com a região da barriga cheia de sangue, os caras ficaram na mesma sala que eu de espera, mas eu permaneci quieto ao lado da minha vó que olhava tudo muito curiosa.
- O que aconteceu com a menina?
Armaram pra ela, estão querendo tomar o comando, mas ela tinha tudo sobre controle, mas apareceu uma criança correndo e ela entrou na frente para que ela não fosse atingida, e ela acabou recebendo o tiro.
- Que não seja grave, sem ela aqui essa comunidade não anda. - Fiquei somente observando a conversa, passou pouco mais de duas horas e o médico veio avisar o que tinha acontecido.
A cirurgia dela foi complicada, ela teve uma hemorragia no meio do procedimento a bala atravessou 3 centímetros da bexiga, descobrimos no meio do procedimento que ela estava gravida, nas primeiras semanas, mas não foi possível salvar o bebê, ela vai ficar em observação e sem visitas por enquanto. - As palavras gravida, e bebê rondavam a minha mente, ela estava esperando um filho meu, eu sabia que era meu, não sei como ela vai reagir quando saber disso, eu não sei o que estou sentindo nesse momento, eu preciso muito abraçar ela, eu sei que ela não vai receber nada bem essa notícia.
Tenho até medo do que ela vai fazer para se vingar de quem atirou nela.
Medusa Narrando,
Acordei assustada reconhecendo o lugar em que eu estava, permaneci em silêncio lembrando de todo o ocorrido, tudo ocorreu bem mesmo tentando me enganar, mas ai no final uma criança apareceu do além e eu não poderia deixar que se machucasse, sou humana e agi como um instinto, uma enfermeira entrou e me viu acordada fez algumas perguntas e chamou o médico, eu percebia que eles estava sendo cauteloso demais e pedi que fosse direto ou ponto, e me quebrou por inteira saber que o que eu tanto havia sonhado se foi, a relação complicada entre mim e Enzo é carregada de amor e medo, mas eu sei o quanto estaria disposta para que tido ficasse bem e que tudo desse certo, aquele dia no meu escritório não nos prevenimos, e a noite eu orei baixinho pedindo que tivesse um filho dele, mesmo que não ficássemos juntos um pedacinho dele estaria sempre ao meu lado, mas ele se foi assim como as minhas esperanças, eu preciso arrancar essa obsessão do meu peito, preciso reviver antes que esse amor me sufoque e me mate. Era fim de tarde quando a porta se abriu e le entrou meio acanhado, fiquei muito surpresa pois ele seria a última pessoa que imaginei ver.
- Como está se sentindo, sente muita dor?
O que faz aqui Enzo?
-Não sei, mas eu precisava ver você e saber como está.
Já viu, agora já pode ir.
- Não vou, era meu filho também.
Como você sabe?
- Eu estava aqui quando você chegou baleada, e permaneci aqui todos esses dias.
Porquê?
- Isso eu não sei responder, mas eu senti que precisava estar ao seu lado nesse momento.
Não precisa se sentir responsável por nada, hoje mesmo vou ter alta.
- Sei que deve estar com raiva, mas esse momento eu não deixar que passe sozinha.
As pessoas vão saber, não será bom para sua reputação, posso me virar sozinha, assim quando me virei sozinha na morte do seu irmão, baleada, sozinha e com o peso nas costas de achar que não fiz o suficiente, e ainda ter que lidar com a sua rejeição, então Enzo eu não preciso da sua ajuda.
- Mas eu vou ficar, mesmo contra a sua vontade, era meu filho e essa dor não é só sua.
Faz o que quiser, eu já não me importo mais.
