Capítulo 3

Eva estava envolvida em uma discussão animada com suas melhores amigas após a primeira aula, ocasionalmente notando os olhares desaprovadores dos alunos da Crescent Black. Ao seu lado caminhavam Martin, o filho do Beta, e sua irmã Catherine, enquanto Lex seguia de perto. A filha de um Alfa sempre carregava uma aura de autoridade, obrigando seus amigos a cuidarem dela.

“Ei, Eva, quer conferir aquele novo centro de treinamento que acabou de abrir?” Catherine perguntou com um sorriso radiante, exibindo seus dentes brancos impecáveis.

Eva adorava sessões de treinamento rigorosas e era amplamente considerada uma das guerreiras mais promissoras da matilha.

“Claro,” Eva concordou com um leve sorriso, embora preferisse a liberdade de correr e levantar pedras na natureza selvagem em vez de ficar confinada entre paredes de concreto. No entanto, ela não podia recusar o pedido de Catherine, não quando ela parecia tão sincera.

“Eva!” Lex resmungou com irritação, seus olhos prateados hipnóticos se estreitando. Pareciam conter traços de mercúrio líquido.

“Temos nossa noite especial hoje. Você esqueceu?”

As noites de segunda-feira eram seu santuário privado de amizade, exclusivo para os três. Eles estavam determinados a manter essa tradição, conversando, se deliciando com guloseimas açucaradas e assistindo a um novo filme a cada semana.

“Desculpe, Catherine! O dever chama,” Eva brincou, levantando as mãos em rendição. Catherine revirou os olhos, plenamente ciente de que Eva e Lex eram inseparáveis quando se tratava de deveres.

“Ah, eu esqueci!” Catherine fez beicinho.

“Acho que todos estamos um pouco desorientados hoje, considerando as circunstâncias,” Martin observou, seus olhos examinando um grupo de garotas com um olhar crítico.

Como era seu hábito costumeiro, o filho do Beta julgava aqueles ao seu redor, oferecendo comentários astutos e observações sarcásticas.

“Considerando o acordo do Alfa com os líderes da Crescent Black, não prevejo muitos problemas aqui,” Lex acrescentou, pontuando suas palavras com um bocejo alto. Claramente, ele não era uma pessoa matutina.

“Acordar cedo, assistir a aulas inúteis e fingir ouvir aqueles que acabaram aqui porque não conseguiram se destacar em outro lugar. Será mais do mesmo,” Lex resmungou, seu braço sobre o ombro de Catherine. Ela o empurrou com um rosnado, não achando graça em suas reclamações.

“E o que é isso, Lexi?” Martin provocou, exibindo um sorriso travesso.

“É evidente, Eva,” Martin respondeu confiante. “Que tipo de Beta eu seria se não conseguisse ler as pessoas?”

Eva riu, notando a garota furiosa que agora mirava em Martin.

“Bem, para sua informação, eu sou a futura Luna da Crescent Black,” ela declarou, convencida de que a vitória estava ao seu alcance.

“Por que seu Alfa ainda não te marcou, princesa?” Martin provocou, cruzando os braços e desafiando-a a explicar o inexplicável. Ele sempre gostou de debater com garotas, o que talvez explicasse por que a única amiga feminina de Eva era sua irmã, Catherine.

“Ou devo dizer, amante?”

Eva tinha uma teoria sobre Martin: ele usava uma máscara de sarcasmo e solidão para esconder seu verdadeiro eu e a solidão que sentia. Surpreendentemente, ele era o único do grupo que realmente ansiava por um companheiro, um fato que ele nunca admitiria.

“Ele me marcou, mas em um lugar que você nunca imaginaria,” a loba respondeu, mostrando os dentes.

A risada de Martin, carregada de zombaria, reverberou pelo corredor.

“Ah, querida, coitada de você. Eu posso pensar em lugares que você nunca iria. Os meus são reais, enquanto os seus existem apenas na sua cabeça.”

Eva podia ver a garota fervendo de raiva, enquanto suas amigas estavam em choque. Luna ou não, ela era sem dúvida alguém importante dentro da matilha Crescent Black.

“Vamos embora. A garota ali está prestes a pular em você e criar uma cena,” Eva sussurrou para Martin, apenas para perceber que tinha falado alto.

Quando se viraram para ir embora, a confrontação escalou quando a garota se lançou sobre eles. Ela era rápida, mas não rápida o suficiente para superar a filha do Alfa da Lua Cheia.

Com um movimento fluido e preciso, Eva a prendeu contra a parede, segurando sua garganta com uma única mão. Sua loba agora estava no controle. O coração da garota batia descontroladamente sob o aperto de Eva.

“Talvez você não devesse mexer com o sangue de um Alfa como eu. Da próxima vez que tentar, não hesitarei em bater sua cabeça vazia contra a parede.”

A loba de Eva, quando provocada, podia ser ferozmente violenta. Além disso, Titus estava inquieto desde que chegaram ao estacionamento naquela manhã, por razões desconhecidas.

Gradualmente, Eva recuperou o controle, piscando várias vezes.

“Desculpe, minha loba tomou conta de mim.” Um momento depois, a loba a esbofeteou com tanta força que Eva viu estrelas, planetas e deuses rindo dela.

Martin rosnou de fúria, profundamente ofendido que alguém tivesse ousado tocar em Eva enquanto ele estava presente.

A situação rapidamente escalou, com Eva perdendo o controle e desferindo uma série de socos, enquanto Martin gritava e segurava as outras garotas, recebendo arranhões e mordidas.

“Chega!”

Uma voz terrivelmente autoritária ecoou pelos corredores, parando tudo.

E então Eva ouviu.

Aquela palavra encantadora, a que cada um de nós anseia ouvir, a palavra que pode absurdamente alterar nossas vidas para sempre.

“Companheiro…”

Com essas palavras, o mundo pareceu parar para Eva. Uma mistura tumultuada de medo, surpresa e antecipação tomou conta dela. Tudo o que ela pensava saber estava prestes a mudar, e ela não tinha ideia de como isso afetaria sua vida ou a matilha.

Enquanto a palavra “companheiro” pairava no ar, a tensão era palpável. Eva sentiu um pressentimento, como se o mundo inteiro estivesse à beira de uma revelação que mudaria sua vida. As implicações dessa descoberta pesavam em sua mente, deixando-a com mais perguntas do que respostas.

O companheiro desconhecido, sua conexão com a Crescent Black, e os segredos de sua matilha estavam todos intricadamente entrelaçados, e Eva não podia deixar de sentir um crescente desconforto. Os capítulos de sua vida estavam se desenrolando de maneiras inesperadas, e a jornada à frente prometia tanto desafios quanto revelações.

Enquanto os ecos daquela palavra fatídica reverberavam pelo corredor, o coração de Eva disparou, e ela se preparou para o futuro incerto que a aguardava.

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