Capítulo 4

Ponto de vista de Elowen

Merda, Juno se alarmou, de repente totalmente desperta. Isso é diferente.

— Cassian... — comecei.

— Você está nervosa — ele observou. Mais um passo. Agora estava perto. Perto demais. As luzes do corredor pareceram diminuir ao nosso redor, as sombras se acumulando aos pés dele. — Por quê?

— Eu não estou. — Minha voz falhou. Me traiu.

A cabeça dele se inclinou. Predatória. — Mentirosa.

A palavra ficou suspensa entre nós. Meu coração martelava. Eu devia me mexer. Passar por ele. Ir embora. Mas meus pés não colaboravam.

— O que você quer? — consegui dizer.

Um vestígio de sorriso tocou os lábios dele. Frio. Bonito. Apavorante. — A verdade.

— Que verdade?

— Você deixou ele tocar em você? — A voz dele baixou ainda mais. Mais suave. Mais perigosa. — Meu irmão. Você deixou Casper entrar em você?

Meu rosto queimou. — Isso não é da sua—

Ele se moveu. Um único movimento fluido. De repente a mão dele estava na parede ao lado da minha cabeça, me aprisionando. O cheiro dele me atingiu — minério gelado e rosa, alguma coisa escura e intoxicante que deixou meus joelhos fracos.

— Responda, Elowen.

Minhas mãos subiram por instinto e se pressionaram no peito dele. Tentando criar distância. Ele era sólido. Quente apesar do gelo nos olhos. Eu empurrei. Ele nem se mexeu.

— Não — eu disse entre dentes. — Eu não deixei. Agora sai de perto.

Mas ele não saiu. A mão livre dele deslizou para baixo, as pontas dos dedos roçando de leve meu braço. Deixando rastros de fogo. Ou de gelo. Eu já não sabia distinguir.

— Você está com o cheiro dele — ele murmurou. Se inclinou. A respiração dele era fria junto ao meu ouvido. — Em você inteira. Pinho. Fumaça. Casper.

Porra, Juno praticamente ronronou. Esses piercings prateados na orelha dele. Eu quero morder eles. Morder ele.

— Quietinha — eu sibilei em voz alta. Mortificada.

Cassian ouviu. Algo cintilou nos olhos dele. Diversão. Fome. Os dois.

— Sua loba gosta de mim — ele disse. Não foi uma pergunta. Foi uma afirmação.

— Minha loba é insana. — Tentei empurrá-lo de novo. Mais forte dessa vez. Minhas palmas espalmadas no peito dele. Ele segurou meus pulsos. Gentil, mas firme. Manteve-os presos entre nós.

— Para — eu exigi. Tentei me soltar, torcendo. Ele não cedeu.

— Por quê? — O polegar dele desenhou círculos no ponto onde meu pulso pulsava. Devagar. Deliberado. — Seu coração está disparado. Seu cheiro... — ele inspirou fundo — ... me diz que você não quer, de verdade, que eu pare.

— Você está errado. — Eu puxei as mãos. Ele apertou a pegada. Não doía. Só... era inflexível.

— Estou?

A outra mão dele desceu mais. Encontrou minha coxa através do vestido de seda. Minha respiração prendeu. Tentei dar um passo para o lado. Não havia para onde ir. Parede de um lado. Cassian do outro.

— Solta — eu disse. Minha voz tremeu. De raiva. De outra coisa que eu não queria nomear.

— Me faça. — Os dedos dele subiram um pouco mais. Só um pouco. Provocando. Testando.

Eu o empurrei com o ombro. Tentei me abaixar e passar por baixo do braço dele. Ele soltou meus pulsos só para me prender completamente, as duas mãos na parede agora, me encurralando.

— Cassian, isso não é... — Minhas palavras morreram quando a mão dele achou minha coxa de novo. Mais quente dessa vez. Mais insistente. As pontas dos dedos deslizando pela renda da borda da minha calcinha.

Frio. Sempre tão frio. Até o toque dele queimava de geada.

Eu me sobressaltei. Agarrei o pulso dele. Tentei afastá-lo. — Para com isso.

— Você não está empurrando com muita força, lobinha. — A voz dele era um rosnado agora. Baixa. Vibrando nos meus ossos. — Se você quisesse mesmo que eu parasse, você podia. Você é mais forte do que finge.

Ele tem razão, Juno sussurrou. A gente podia mudar. Podia lutar. Mas a gente quer?

— Cala a boca — eu rosnei para ela. Para ele. Para os dois.

Os lábios de Cassian se curvaram. Ele se inclinou mais. A boca dele bem no meu ouvido. A respiração fria contra minha pele quente.

— Eu quero estar dentro de você, Elowen. — As palavras foram quase um sussurro. Suave de um jeito mortal. — Sardentinha.

Meu corpo inteiro ficou rígido. Eu o empurrei — empurrei de verdade dessa vez, usando minha força. Ele recuou. Só um passo. Me deu um palmo de espaço para respirar.

Mas os olhos dele não saíram dos meus. Azul-gelo. Ardendo de frio.

— Você... — eu não achava palavras. Minhas mãos tremiam. De raiva. De medo. Do calor traidor se juntando baixo no meu ventre, que eu me recusava a reconhecer.

— Eu tenho paciência — ele disse baixo. Alisou a camisa. Casual. Como se não tivesse acabado de me encurralar. De me tocar. De dizer aquelas coisas. — Mas não para sempre, Elowen. Lembre disso.

Ele se virou. Foi embora. Desapareceu na esquina.

Eu fiquei congelada contra a parede. Coração disparado. Pernas trêmulas. Juno uivava na minha cabeça — frustrada, excitada, confusa.

Que diabos acabou de acontecer?

E por que uma parte de mim — a parte que eu desesperadamente queria ignorar — desejou que ele não tivesse parado?

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