Capítulo 3 A pessoa à minha frente é realmente Isabella?

Pela primeira vez, Chase Taylor se viu sem reação. A frieza desafiadora nos olhos de Isabella era algo que ele nunca tinha visto, e por um instante isso o calou.

Depois de alguns segundos de silêncio tenso, ele franziu a testa.

— Ele só não quer sentar com você. É tão difícil assim de entender?

Isabella sustentou o olhar dele com calma.

— E eu acabei de dizer pra ele ir embora. É isso que é tão difícil de entender?

O maxilar de Chase enrijeceu. Ele lançou um olhar sombrio para Isabella antes de se voltar para o outro irmão.

— Tobias. Sai daí.

Tinha algo errado. Ontem, aquela garota praticamente implorava por uma palavra gentil de Tobias. Hoje, ela o estava mandando sair do próprio lugar. Rangendo os dentes, Tobias se mudou a contragosto para a cadeira ao lado de Bianca, o arrastar da cadeira ecoando alto no silêncio da sala. Ele não conseguia se livrar da sensação de desconforto.

Do outro lado da mesa, Gabriel cerrava os punhos, fulminando a origem daquela confusão com o olhar. Quando Isabella esticou a mão para pegar um bolinho, ele girou o prato giratório de propósito, afastando a bandeja de doces bem na hora, para deixá-la fora do alcance dela. O prato parou bem na frente dele e de Bianca.

— A Bianca gosta dessa sobremesa — anunciou Gabriel, a voz carregada de um triunfo infantil. — É dela. Não encosta. — Em seguida, colocou um pedaço no prato de Bianca.

Bianca sorriu docemente, um brilho de vitória nos olhos. E daí se Isabella era a filha verdadeira? Naquela casa, ela é que era a querida.

Isabella observou aquela cena patética, com a expressão inescrutável. Depois estendeu a mão para pegar uma travessa de legumes salteados.

Gabriel girou o prato giratório de novo, um sorriso presunçoso no rosto.

— Qual é, Isabella? Não tá com fome?

Bianca puxou a manga da camisa dele de leve.

— Gabriel, não fica pegando no pé dela...

— Ela procurou — ele resmungou, voltando o olhar para Isabella. — Tá vendo? É isso que você ganha por desrespeitar o Tobias. — Ele parou no meio da frase. Isabella o encarava, os olhos calmos e completamente vazios de emoção. Aquilo dava arrepios. — Tá me olhando assim por quê? Ficou brava porque eu guardei doce pra Bianca?

— Não — respondeu Isabella, a voz plana. — Eu não tô brava.

Ela simplesmente pegou a travessa mais próxima — um prato de carne com brócolis ao molho — e, num único movimento fluido, se levantou, foi até Gabriel e virou todo o conteúdo em cima da cabeça dele.

— Pronto — disse, com a voz gelada. — Agora é tudo seu.

O estilhaçar da travessa de porcelana no chão ecoou junto com o berro de Gabriel. Molho gorduroso escorria pelos cabelos e pelo rosto dele. A mesa inteira ficou em silêncio, chocada. Aquilo não era só sobre comida. Era o Gabriel — o irmão que ela costumava seguir pela casa como um cachorrinho.

— Isabella! Você enlouqueceu?! — Gabriel saltou da cadeira, que arrastou com um rangido agudo. Ele tentou limpar o rosto freneticamente, as mãos agora lambuzadas de gordura. — Olha o que você fez!

Isabella encarou o olhar furioso dele sem recuar.

— Gabriel — ela declarou, não como um aviso, mas como um fato —, não mexe comigo de novo.

— Você... — Ele ficou sem palavras, completamente atordoado pela estranha que estava à sua frente.

Tobias finalmente recuperou a voz, a testa franzida em reprovação:

— Isabella, como você pode tratar seu irmão desse jeito...

— Ele não é meu irmão — ela o cortou, com um tom definitivo.

Tobias ficou imóvel. Os olhos de Gabriel se arregalaram de incredulidade. Ela não o reconhecia como irmão? Sendo que tinha sido ele quem não a aceitara!

— Já chega — disse Tobias, levantando-se da cadeira. Ele se aproximou, a voz carregada de condescendência: — Peça desculpas ao Gabriel. Você não aprendeu nada por ter se ajoelhado ontem? — Ele estendeu a mão para agarrar o braço dela.

Num segundo, Isabella segurou o pulso dele e o empurrou para longe com uma força surpreendente.

Tobias cambaleou para trás, o quadril batendo dolorosamente no canto da mesa. Ele a encarou, atônito com a força que havia naquele corpo magro. O rosto bonito dele gelou.

— Eu sou seu irmão!

— E você não é o meu — retrucou Isabella, com as mãos cerradas ao lado do corpo.

Vendo a situação fugir do controle, Bianca correu para intervir, a voz trêmula de uma preocupação claramente falsa:

— Isabella, por favor, se acalma. Se você quer o título de filha dos Taylor, eu... eu posso te dar, tá bom?

A cabeça de Isabella virou na direção dela. A atriz.

— Perfeito — disse Isabella, a voz escorrendo sarcasmo. — Então vamos agora mesmo falar com o papai que você tá abrindo mão do seu título.

Bianca congelou, o rosto empalidecendo. Não era aquilo que ela queria dizer. Antes que conseguisse se corrigir, Isabella já se virava em direção à porta, como se fosse guiá-la.

Bianca instintivamente recuou.

Isabella parou e olhou para ela, a voz cortante de impaciência:

— E aí? Vamos. Por que você não tá andando?

— Larga a Bianca!

Chase, que vinha observando tudo em silêncio de pedra, finalmente chegou ao limite. O rosto dele estava carregado.

— Essa confusão toda é por causa de um título? Você tá tentando forçar ela a abrir mão disso?

— Forçar ela? — Isabella soltou o braço de Bianca, que ela nem sequer estava segurando, e se virou para encarar o irmão mais velho. — Foi ela que se ofereceu.

Ela lançou a ele um olhar demorado e gelado, passando os olhos por ele com total desdém.

— Idiota.

Virou as costas e saiu andando.

— Pára aí.

A voz de Chase saiu perigosamente baixa. O jeito que ela tinha acabado de olhar para ele... e a palavra que ela usou... ninguém jamais tinha ousado.

Isabella parou, olhando por cima do ombro. A testa levemente franzida, não de medo, mas de pura e absoluta irritação.

— O quê?

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