Capítulo 5 Ela não vai permitir isso, não vai permitir nada.

— Isabella — disse Hayden — vou relevar desta vez.

Ele lançou um olhar severo para ela. — Mas jogar comida no Gabriel durante o jantar? Foi assim que você foi criada?

— Pai, o senhor devia castigar ela! — Gabriel disparou do lado.

Isabella riu de leve. — Pai, o senhor só tá ouvindo a versão do Gabriel, dizendo que eu joguei comida nele. Por que não pergunta o que ele fez antes disso?

Hayden fez uma pausa e, com a expressão séria, perguntou:

— O que o Gabriel fez?

— Pai! — Gabriel se virou imediatamente para Hayden. — Eu só tava servindo comida pra Bianca, e a Isabella surtou de ciúmes. O ciúme dela é absurdo!

No começo, ele não tinha entendido a mudança repentina de comportamento de Isabella, mas depois de pensar a tarde inteira, percebeu que ela só podia estar com ciúmes da Bianca.

Era esse o nível de mesquinharia dela.

— Você só tava servindo comida pra Bianca? — Isabella encarou Gabriel. — E aquele seu teatrinho irritante com a Susan, que não me deixava comer em paz? Por que você não fala disso?

— Eu não fiz nada disso! — Gabriel negou, apontando para Isabella e se dirigindo a Hayden. — Pai, não dá ouvidos às bobagens dela.

— Pai, o Chase tava lá no almoço. Pergunta pra ele que o senhor vai saber a verdade — disse Isabella, confiante.

Hayden chamou Chase na mesma hora.

— Chase, o que aconteceu no almoço? O Gabriel passou dos limites?

Chase olhou em silêncio para Gabriel, depois para Isabella.

A tarde inteira, no escritório, ele não conseguira tirar da cabeça as palavras de Isabella: “Chase, esse seu jeito de falsidade me dá nojo...”

Ele não entendia por que aquilo tinha mexido tanto com ele. Ele nem sequer reconhecia essa “irmã”, e mesmo assim o desprezo e a frieza de Isabella o tinham ferido fundo.

Será que ela realmente o via como um hipócrita? Alguém incapaz de distinguir o certo do errado?

Como filho mais velho da família, ele sempre tinha procurado ser justo com os irmãos. Mas, desde a volta de Isabella, ele não conseguia deixar de ressentir o fato de ela tornar a vida de Bianca mais difícil. Vendo Bianca cada dia mais magra e abatida, era difícil não colocar a culpa em Isabella.

Por isso, toda vez que via Gabriel implicando com Isabella, ele optava pelo silêncio.

— Por que você não fala nada? — Hayden olhou para Chase, intrigado.

Chase voltou a si e soltou um suspiro. — O Gabriel perturbou a Isabella na hora da refeição, sim.

Os olhos de Gabriel se arregalaram, incrédulos. — Chase?

O que estava acontecendo?

— Pai, eu tenho trabalho pra fazer. Vou indo — disse Chase, fingindo não notar o olhar de súplica de Gabriel.

— Pode ir.

Quando a porta do escritório se abriu e se fechou, Gabriel protestou:

— Pai, a Isabella me desrespeitou primeiro! Foi por isso que eu agi daquele jeito! A Isabella morre de ciúmes da Bianca.

Desde que Isabella tinha voltado, ele via claramente seu ciúme e sua maldade.

Ela vivia fingindo ser boazinha na frente deles, tentando ganhar a simpatia de todo mundo e tirar a Bianca do caminho.

Ele não ia deixar isso acontecer!

Isabella sorriu e disse devagar:

— Sim, eu tenho ciúmes da Bianca. Afinal, ela é a sua queridinha, não é?

— Isabella, para com essa ironia — disse Olivia, irritada. — A gente só não anunciou que você é filha da família Taylor pra não deixar a situação da Bianca ainda mais difícil.

— A situação dela é difícil? — Isabella zombou. — E a minha? Eu não tô numa situação complicada? Ou você simplesmente não se importa?

Na vida anterior, ela não ligava pra essa identidade. Não se importava que a família Taylor a mantivesse escondida. Ela já ficava feliz só de ter se reencontrado com os pais e os irmãos. De verdade.

Mas agora, por que ela deveria abrir mão do que era seu por direito?

Ela não ia abrir mão de nada.

Se Bianca quisesse, então que lutasse por isso. Isabella ia ver quem venceria: a garota com sangue Taylor ou a impostora.

— Bianca — Isabella de repente olhou pra ela, e sua voz, que já era fria, ficou ainda mais baixa. — Você é uma fraude.

Bianca ficou atônita.

Ela olhou pra Isabella, que apontava pra ela, e sua mão se fechou involuntariamente.

O que Isabella estava fazendo?

Ela queria tirar tudo dela?

Não, ela não podia deixar isso acontecer.

Os olhos de Bianca se encheram de lágrimas.

Ao ver Bianca tão abalada, Gabriel explodiu:

— Isabella, do que você tá falando? A Bianca não é fraude nenhuma, ela é minha irmã!

Como Isabella tinha coragem de assustar Bianca daquele jeito.

Ele enxugou as lágrimas de Bianca com todo cuidado:

— Bianca, não chora. As palavras da Isabella não significam nada. A família Taylor só tem uma filha, e a Isabella não é nada.

Tobias também a olhou com carinho:

— Isso mesmo, Bianca, não liga pra besteira que a Isabella fala.

Isabella observava friamente a cena de fraternidade entre eles.

— Mas que graça tem isso? Você nem é filha biológica do meu pai, e mesmo assim insiste em ficar no lugar da verdadeira filha da família Taylor. É porque você se acostumou a viver no luxo e não quer voltar lá pras montanhas?

— Mas pra que roubar o que é meu?

— Se você gosta tanto de ser rica, por que não escolheu pais melhores? Por que tem que roubar dos outros? — Isabella continuou sem piedade. — Que falta de vergonha.

Bianca chorava cada vez mais, quase sem ar.

— Eu... eu não sou. Eu só não aguento a ideia de deixar a mamãe e o papai...

Gabriel já não dava conta de enxugar tantas lágrimas e lançou um olhar furioso pra Isabella:

— Cala a boca!

— Não posso falar da sua mentira? — Isabella zombou. — Eu não desci da montanha pra ser filha de empregada. Eu vim pra ser rica. Caso contrário, pra que eu teria vindo? Se vocês não querem que eu seja sua filha, tudo bem. Eu vou embora.

— Eu vou embora, tá?

Isabella se virou pra sair, sem demonstrar nenhum apego àquela família.

Os olhos de Hayden se arregalaram por um instante, e ele rapidamente gritou:

— Volta aqui!

Isabella não podia ir embora.

Ele valorizava demais o sangue.

Bianca era boa, mas carregava o sangue de outra família. Ela não podia herdar a linhagem dele.

A única garota com o sangue dele era Isabella.

Do contrário, ele não teria ido buscá-la imediatamente assim que soube da troca de bebês.

Isabella já estava com um pé pra fora da porta quando ouviu o apelo de Hayden. Um brilho frio passou por seus olhos.

Muita coisa ainda não tinha acontecido. Hayden ainda não estava tão decepcionado com ela quanto estaria dali a quatro anos. Enquanto ela tivesse um mínimo de utilidade, ele não permitiria que ela voltasse pra montanha.

Isabella se virou de volta, o rosto se iluminando com uma expressão ingênua e feliz:

— Pai, o senhor concorda em me aceitar como sua filha?

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