Capítulo 7
O escritório ficou em silêncio.
O rosto de Brandon escureceu de um jeito alarmante. O bichinho de pelúcia caiu da mão dele e bateu no chão.
“Ela realmente desligou na minha cara. Inacreditável!”, Lancelot disse entre dentes. “Antes ela nunca teria coragem. A gente mimou demais!”
“Se ela vai ser tão ingrata, então esquece.” Kent jogou o “presente” dele no lixo.
A essa altura, Katrina já tinha arrumado as coisas.
Ela estava decidida a sair de casa.
Depois de tantos anos, não tinha muita coisa — os documentos, alguns pertences pessoais e as joias que a mãe tinha comprado para ela.
O resto? Ela não queria.
Ela puxou a mala para fora da mansão e ia chamar um táxi quando um Bentley preto parou bem na frente dela.
Era o carro do Brandon — discreto, firme, imponente.
Katrina deu alguns passos à frente, sem querer gastar saliva com eles.
Mas Brandon e os outros já tinham descido e vinham na direção dela.
“O que você acha que está fazendo? Só porque a gente não te levou pro hospital, você vai fugir de casa?”, Brandon zombou, a voz pingando deboche.
“Você já é uma mulher adulta. Acontece alguma coisa e você só sabe fazer birra. Acha que dessa vez a gente vai ficar com dó?”, Lancelot rosnou, com desdém.
Kent estava fora de si. “Katrina, você não contou que estava doente e não contou que saiu do hospital. Você ainda enxerga a gente como família? Você mereceu sofrer a noite inteira!”
Diante das acusações sem vergonha, Katrina não sentiu nada. Na verdade, quase deu vontade de rir.
O táxi chegaria em alguns minutos.
Logo ela estaria longe dali. Não fazia sentido desperdiçar energia com aquelas pessoas.
“Seus irmãos estão falando com você. Que atitude é essa?”, Brandon explodiu. Ele deu um passo à frente e arrancou o celular da mão dela.
Quando viu a corrida de táxi solicitada, a expressão dele mudou. Ele cancelou na hora.
“Me devolve!” Katrina estendeu a mão, o olhar gelado.
Os três irmãos nunca tinham visto ela daquele jeito. Por um instante, ficaram sem reação.
A irmã deles parecia diferente.
“Chega”, Brandon disse, frio. “Volta pra dentro. Ficar aqui fora assim é uma vergonha.”
Ele tentou empurrar Katrina de volta para a casa. “Já que você está doente, a gente vai deixar passar você ter feito a gente passar vergonha no hospital. Mas quando entrar, você vai ter que conviver bem com a Lena.”
“Eu não vou voltar.” Katrina se livrou do braço dele. Aproveitando a distração de Kent, pegou o celular de volta.
Os três ficaram irritados.
Foi então que Helena também apareceu.
“Katy, você ainda está chateada porque os meninos não cuidaram de você ontem? A culpa é toda minha. Eu sou fraca demais. Eu não tenho pais... e eu preocupei eles. Katy, a gente só está querendo o seu bem. Para de dificultar e volta com a gente.”
Helena segurou o braço de Katrina, com cara de que ia chorar a qualquer momento. Quem visse de fora ia achar que Katrina tinha maltratado ela de novo.
Katrina sentiu nojo. Ela puxou o braço com evidente repulsa. “Não encosta em mim.”
"Você passou dos limites!" Brandon segurou Helena quando ela cambaleou alguns passos para trás. Ele gritou para Katrina: "Peça desculpas pra Lena!"
Katrina soltou uma risada fria. Brandon devia ser o herdeiro da família Fontaine. Como ele podia cair tão fácil no teatrinho da Helena?
"Já que você gosta tanto dela, eu saio do caminho." Ela largou essa frase e se virou para ir embora.
Ela ia embora hoje. De qualquer jeito.
"Para!" Os três irmãos falaram ao mesmo tempo.
Katrina manteve as costas eretas. Não parou de andar.
"Se você não voltar, não põe mais os pés em casa!" Kent rosnou, com os dentes cerrados.
"Ela só está tentando assustar a gente!"
"Deixa ela ir. Se ela sair, não volta mais!"
Os três irmãos pareciam convencidos de que Katrina acabaria voltando, rastejando, implorando perdão.
Helena ficou radiante.
Estava tão animada que quase chorou.
Ela sinceramente não esperava que Katrina fosse tão teimosa.
Que idiota. Bastava Helena dizer meia dúzia de palavras, e Katrina ia embora por conta própria.
Era perfeito. A partir de agora, ela seria a única filha desta casa!
Alguns minutos depois, Katrina já estava bem longe.
Ela se sentia mais leve do que se sentira em anos.
O plano era ficar alguns dias na casa da melhor amiga, Lisa, e depois arrumar um emprego novo e um apartamento. Ela se despediria da família Fontaine de uma vez por todas.
De repente, outro carro parou à frente dela. Dois seguranças de terno preto desceram e bloquearam seu caminho.
"Senhorita Katrina, por favor, entre no carro. O Sr. Fontaine está esperando a senhorita lá dentro."
Eram os seguranças do Richard.
O vidro do passageiro desceu, revelando o rosto severo de Richard.
"Entra." A voz dele era fria e impaciente.
Katrina teve que admitir: ouvir a voz do pai de novo fez o coração dela estremecer, sem querer.
Afinal, havia uma diferença entre o pai e os irmãos. Richard tinha amado Katrina de verdade, um dia.
Mas agora ele era o pai da Helena.
Katrina encarou Richard por um bom tempo, depois se virou e foi embora.
"Você, sua..." Richard claramente não esperava que ela fosse tão desafiadora. Ele mandou os seguranças a segurarem.
Katrina foi imobilizada pelos dois homens. Não conseguia se mexer.
"Eu não vou voltar", ela disse, teimosa, erguendo o queixo. "Minhas pernas são minhas. Mesmo que você me arraste de volta, eu vou embora de novo."
"Tudo por causa da Lena?" Richard zombou. "Você é mesmo tão mesquinha assim?"
"Se você trata ela como sua filha, então eu não reconheço você como meu pai!"
Aproveitando uma brecha, Katrina puxou o braço com força, se soltou e disparou com a mala.
"Segurem ela!" Richard esfregou as têmporas, exasperado, e saiu do carro ele mesmo.
Logo, Katrina foi pega de novo.
Ela ainda parecia desafiadora, os olhos em chamas enquanto encarava Richard.
Richard ficou realmente surpreso.
Ele não esperava que a filha tivesse tanta fibra.
Ela lembrava a mãe.
Richard segurou Katrina pelos ombros. "Você vai mesmo deixar para trás tudo o que sua mãe deixou pra você?"
