Capítulo 1
Na minha vida passada, no dia em que enviamos nossas inscrições para a faculdade,
a estudante pobre e manipuladora, Mari, enfeitiçou meus dois namorados de infância.
Então, na hora, eles juraram abandonar as vagas já garantidas em universidades de primeira linha para segui-la até algum college comunitário sem nome.
Entrei em pânico e tentei fazê-los ouvir a razão.
Eles não me escutaram de jeito nenhum. Não tive escolha a não ser contar aos pais deles o que estava acontecendo.
As duas famílias vieram correndo durante a noite. Forçaram os filhos a colocarem as inscrições de volta nos trilhos.
Mas ninguém esperava que, apenas alguns meses depois do início do novo semestre, Mari tentasse se suicidar cortando os próprios pulsos.
Blaise e Kieran não a culparam por ser mentalmente frágil.
Jogaram toda a culpa em mim.
Eles me enganaram para eu subir a montanha e então me empurraram brutalmente do penhasco.
— Sua assassina! Desça para o submundo e expie a morte dela!
Eu caí centenas de metros pela encosta e fui esmagada em pedaços.
Por algum milagre, renasci de volta ao dia em que enviei minha inscrição para a faculdade.
Desta vez, não vou salvar ninguém. Que arruínem a própria vida.
— Sera? Sera, por que você está viajando?
Uma voz enjoativamente doce e frágil me despertou.
Eu me sobressaltei de volta à realidade, ofegante, como se estivesse buscando ar. Eu não conseguia acreditar que tinha sobrevivido.
Ao olhar para as três pessoas familiares de uniforme escolar diante de mim, percebi num instante que eu havia renascido.
Eu tinha renascido no ponto de virada mais crucial do meu destino.
— Sera, por favor, você precisa me ajudar a fazer Blaise e Kieran enxergarem a razão — implorou Mari.
Ela estava sentada ao computador ao meu lado. Os olhos estavam vermelhos nas bordas. — Minhas notas são horríveis — soluçou. — Eu só consigo entrar num college comunitário. Mas Blaise e Kieran foram tão brilhantes... e agora estão dizendo que querem desistir das inscrições para Stanford para ir comigo... Como eu posso segurá-los assim?
E então ela disse:
— Mas... mas sem eles, se eu tiver que ir para aquele campus desconhecido sozinha... eu fico tão assustada. Eu com certeza não vou conseguir sobreviver...
Aquele ar indefeso e cativante dela despertava nos homens o desejo mais forte de protegê-la.
Eu a encarei, e de verdade admirei como ela mantinha aqueles dois idiotas na palma da mão.
Na minha vida passada, eu fiz de tudo para dissuadi-los, pelo bem deles, e ainda liguei para os pais a fim de impedi-los.
Mesmo assim, esses dois desgraçados ingratos acabaram me matando. Eu tinha sido tão tola naquela época.
Naquele momento, Blaise imediatamente abraçou Mari e disse:
— Um diploma é só um pedaço de papel. Para nós, o que mais importa é ficar ao seu lado. A gente se transfere para a sua escola.
Kieran assentiu, apoiando-o com toda naturalidade. — Exatamente. O que é que Stanford tem de tão especial, afinal? Sem você, tudo fica completamente sem sentido.
Vendo os dois jogarem tudo fora por amor, eu mal conseguia conter o riso.
Eu planejava conceder a eles esse grande amor, prendendo os três no destino um do outro para sempre.
Não pude deixar de me perguntar que fim o destino reservava aos três.
Percebendo meu total silêncio, Mari mordeu o lábio inferior. De repente, ela estendeu a mão e segurou a minha.
— Sera! — exclamou, os olhos se arregalando com um brilho esperançoso. — Por que você não se candidata a uma faculdade comunitária com a gente também? Suas notas são tão boas... você vai se dar bem em qualquer lugar! Eu... eu realmente não quero que a gente se separe. Tá?
Eu encarei os dedos dela cravando na minha pele e arranquei meu braço do aperto, fria.
Vocês estão se deixando levar por essa loucura, mas não me arrastem junto.
Meu futuro é brilhante, e eu não vou me desperdiçar numa faculdade comunitária.
Olhei para a tela, o rosto completamente sem emoção. — Como vocês escolhem enviar suas inscrições é uma liberdade de vocês — eu disse, seca. — Eu não tenho responsabilidade nenhuma, nem obrigação, de interferir.
As palavras ficaram suspensas no ar.
Os três congelaram, me encarando em choque.
Eles estavam tão acostumados a eu ficar o tempo todo atrás deles, limpando as bagunças. Claramente nunca esperaram que eu fosse tão brutalmente fria.
— No entanto — continuei —, meu plano de vida não inclui uma faculdade comunitária. Desejo a vocês uma vida universitária feliz.
Peguei minha mochila e me levantei.
— Enviar inscrições para a faculdade é uma decisão importante — eu disse, empurrando a cadeira para debaixo da mesa. — Preciso ir para casa e discutir minhas escolhas finais com meus pais.
No instante em que me virei em direção à porta, os rostos de Blaise e Kieran se fecharam.
Eles se moveram ao mesmo tempo, bloqueando o corredor estreito à esquerda e à direita.
O corpo alto de Blaise parecia uma parede de tijolos. Ele me fuzilou de cima, os olhos rodopiando de decepção.
— Quando foi que você ficou tão egoísta assim, Sera? — Blaise zombou. — A Mari é sempre tão doce com você. Agora ela só está pedindo que você faça um pequeno sacrifício em nome da nossa amizade, e você ainda vai usar seus pais como escudo?
Kieran entrou no meio, se inclinou e pressionou a mão com firmeza sobre a minha mesa, me prendendo de fato.
— Olha pra ela. A Mari está chorando por sua causa. Quantos anos você tem, Sera? Por que você precisa correr pra mamãe e pro papai por causa de tudo? — Kieran me encarou.
— Eu sei que você odeia se separar da gente. Então nós vamos decidir por você!
