Capítulo 2

A luz ofuscante do sol entrava em torrentes pelas janelas do chão ao teto, e eu abri os olhos devagar. Em vez do teto branco de um hospital, fui recebido por um luxuoso lustre de cristal. Sentei num sobressalto, percebendo que estava deitado numa enorme cama de couro italiano.

Onde eu estou? Eu não devia estar morto a essa altura?

Saltei da cama e corri até o espelho. Um rosto ao mesmo tempo estranho e familiar se refletiu ali — ainda era o meu, mas muito mais jovem, provavelmente com uns vinte anos. Mais importante: meus olhos tinham virado um azul profundo, e minha pele estava muito mais clara.

— Droga, o que está acontecendo? — murmurei para mim mesmo.

Nesse instante, uma enxurrada de memórias invadiu meu cérebro. Não eram as minhas memórias, e sim a vida de outra pessoa.

Alexander Drake — é quem eu sou agora. Filho de um bilionário misterioso, criado na Suíça, recém-formado na Harvard Business School. Seu pai é o fundador da maior empresa de private equity da Europa, com ativos avaliados em dezenas de bilhões de dólares, mas é extremamente discreto e raramente aparece em público.

Mais estranho ainda: o tempo atual é de dois anos atrás, antes de eu morrer. Se meus cálculos estiverem corretos, William ainda deve estar vivo, e Richard deve ter acabado de começar a se aproximar de Emily.

Eu tenho a oportunidade de mudar tudo.

— Jovem mestre, o senhor acordou? — veio uma voz gentil do lado de fora da porta.

— Pode entrar — eu disse.

Um homem de meia-idade entrou, vestido com um terno impecável, o cabelo cuidadosamente penteado. Pela memória que agora eu tinha, eu sabia que era James, o mordomo, um servo leal da família Drake.

— Jovem mestre, seu pai deseja que o senhor desça para o café da manhã. Ele disse que há algo importante para discutir com o senhor.

Eu assenti:

— Já vou descer.

Depois que James saiu do quarto, comecei a organizar meus pensamentos. Já que o destino tinha me dado essa chance, eu não podia desperdiçá-la. Mas, primeiro, eu precisava entender o quão poderosa a família Drake realmente era.

A propriedade da família Drake, localizada em Long Island, Nova York, era tão grande quanto uma cidadezinha. Caminhei por corredores longos, admirando as pinturas inestimáveis nas paredes. Não eram cópias, e sim obras autênticas de Van Gogh, Picasso e Da Vinci.

No restaurante, um homem idoso de cabelos grisalhos, mas com uma vitalidade impressionante, lia o Wall Street Journal. Era Victor Drake, meu pai nominal, uma figura lendária das finanças europeias.

— Sente-se, Alexander. — Ele baixou o jornal, os olhos afiados me examinando. — Você foi muito bem em Harvard; os professores só falam bem de você.

Sentei, fingindo uma postura relaxada:

— Obrigado, pai. O senhor disse que tinha algo importante para discutir?

Victor sorriu de leve:

— Sim. Acho que chegou a hora de você assumir responsabilidades. Estou preparado para lhe dar um capital inicial para estabelecer sua própria empresa de investimentos nos Estados Unidos. O capital inicial é de cinco bilhões de dólares americanos e, se você provar sua capacidade, eu aumentarei o investimento.

Cinco bilhões de dólares americanos! Mesmo nas minhas lembranças da vida passada, isso era um número astronômico. Os ativos totais da Howard Corporation mal chegam a cerca de dois bilhões de dólares.

— O senhor tem muita confiança em mim — eu disse.

— Confiança precisa ser comprovada com resultados. — O tom de Victor ficou sério. — A posição atual da família Drake não se deve à sorte, mas à força e à sabedoria. Espero que você se lembre disso.

Eu assenti, compreendendo. Então, de repente, uma pergunta me ocorreu:

— Pai, eu posso escolher em quais investimentos vou apostar?

— Claro. O que você está pensando?

Respirei fundo:

— Estou muito interessado numa empresa chamada Howard Group. Eles têm uma presença forte no setor imobiliário e na construção civil, mas recentemente enfrentaram algumas dificuldades financeiras. Acho que pode ser uma boa oportunidade de investimento.

Victor assentiu, pensativo.

— A Howard Corporation... Já ouvi falar dessa empresa. William Howard é um bom homem de negócios, mas realmente tem alguns problemas de fluxo de caixa. No entanto, Alexander, lembre-se disto: nos negócios, nunca deixe as emoções turvarem seu julgamento.

— Entendo, pai.

O que ele não sabia era que, desta vez, meu investimento tinha menos a ver com uma transação comercial e mais com o primeiro passo de um plano de vingança.

Depois do café da manhã, comecei imediatamente os preparativos. Primeiro, eu precisava de uma identidade de fachada perfeita. O nome Alexander Dezhi ainda era relativamente desconhecido nos círculos empresariais americanos, o que, na verdade, era uma vantagem. Eu poderia aparecer como um investidor misterioso, ganhando acesso ao Howard Group sem despertar a desconfiança de Emily e Richard.

Em segundo lugar, eu precisava reavaliar a situação atual. Pelo que eu lembrava, deveria ser por volta da época em que Richard entrou pela primeira vez na vida de Emily. William ainda não confiava totalmente nele e, embora as finanças da Howard Corporation estivessem apertadas, eles não estavam completamente falidos.

Mais importante: William ainda estava vivo.

Peguei o telefone e disquei para a central principal do Howard Group.

— Alô, Howard Corporation — atendeu a voz de uma jovem.

— Eu sou representante da Drake Investments e gostaria de agendar uma reunião com o sr. William Howard. Temos grande interesse nas oportunidades de investimento da sua empresa.

— Por favor, aguarde um momento. Vou transferi-lo para o escritório do CEO.

Um instante depois, uma voz familiar soou do outro lado:

— Alô, aqui é a secretária do sr. William Howard. Com quem eu falo?

Apertei o microfone com força. Embora fosse apenas a voz da secretária, ela me lembrou do passado maravilhoso, do sorriso gentil de William e de seus olhos bondosos.

— Sou Alexander Drake, diretor da Drake Investments. Somos uma firma de private equity focada em investir em empresas de alta qualidade e estamos muito interessados no modelo de negócios do Howard Group. O sr. William teria tempo para uma reunião?

— Por favor, aguarde um momento. Preciso confirmar com o sr. Howard.

Alguns minutos depois, a secretária respondeu:

— O sr. Howard está disponível amanhã à tarde, às três, na sede da empresa. Esse horário é conveniente para o senhor?

— Perfeito. Até amanhã.

Depois de desligar, fui até a janela e contemplei a vista da mansão. Amanhã, eu veria William de novo. O homem que havia me dado tudo e, ainda assim, foi assassinado pela própria filha e pelo genro.

Desta vez, não vou deixar a tragédia se repetir. Desta vez, eu vou protegê-lo, e vou fazer aquele casal adúltero pagar o preço.

Eu já tinha formulado um plano preliminar. Primeiro, eu me aproximaria do Howard Group como investidor para conquistar a confiança de William. Depois, investigaria em segredo todas as provas dos crimes de Richard e, quando chegasse a hora certa, eu o derrubaria de uma vez.

Quanto a Emily... a lembrança dos olhos frios e do sorriso cruel reacendeu minha raiva. Ela vai pagar pelas escolhas que fez, e eu vou obrigá-la a assistir enquanto perde tudo — do mesmo jeito que fez comigo.

Mas agora eu precisava me acalmar e me preparar com cuidado para a reunião de amanhã. Afinal, este é o primeiro passo do meu plano de vingança, e eu não posso me dar ao luxo de cometer nenhum erro.

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