Capítulo 1

Renasi, fui transportada de volta para o dia em que dei à luz minha filha.

Na minha vida passada, eu me humilhei por amor, só para ser traída pelo meu marido, Caspian, e pela amante dele, Serafina.

Eles desfiguraram meu rosto, assassinaram minha menininha e me jogaram na prisão.

Desta vez, eu vou me divorciar dele sem pensar duas vezes, apertar minha filha nos braços e fugir desse inferno em que eu estava vivendo!

POV da Arlene

— Então ela não morreu afinal. — Era a minha sogra, Rowena Valcour. — Fazer esse escândalo todo só porque teve um bebê...

A voz dela transbordava nojo.

As lágrimas escorriam pelo meu rosto enquanto eu estava deitada na cama de parto, soluçando sem conseguir parar.

Mas ninguém sabia por que eu estava chorando.

Achavam que era a dor, o cansaço.

Só eu sabia a verdade — aquelas eram lágrimas de felicidade.

Eu tinha renascido. De volta ao exato dia em que dei à luz minha filha.

Três anos atrás, a avó do Caspian, Helen Valcour, tinha arranjado o nosso casamento.

Mas, depois do casamento, ele nunca sequer me tocou uma vez.

Ele disse que eu não era digna dele. Que eu não passava de um fardo que tinham empurrado para cima dele. Que Serafina Cross era a única mulher que ele amaria na vida.

Eu me recusei a aceitar. Usei todo tipo de artimanha que consegui imaginar, até me enfiar na cama dele uma noite em que ele estava bêbado.

Um mês depois, eu estava grávida.

Eu achei que ter um filho dele ia amolecer o coração dele.

Eu estava errada.

Daquele momento em diante, o ódio dele por mim só se aprofundou, lançando uma sombra sobre toda a minha gravidez.

Os pais dele nunca tinham gostado de mim e, agora, me tratavam como um espinho enfiado no pé.

Só Helen me protegia, garantindo meu lugar frágil dentro da família Valcour.

Na minha vida anterior, depois do meu parto difícil, Caspian exigiu o divórcio.

Eu recusei. Fiz um escândalo, chorando e implorando para ele ficar.

No fim, Helen ordenou que me levassem de volta para a mansão.

Mas naquela mesma noite, Serafina sofreu um acidente de carro. Ela “morreu”.

A partir daí, o ódio do Caspian por mim chegou ao auge.

Ele tinha certeza de que eu tinha matado Serafina.

Ele começou a me torturar, me humilhar, exigindo que eu “pagasse pela vida da Serafina”.

Eu queria ir embora.

Mas eu não tinha coragem de abandonar minha filha.

Dois anos depois, Serafina “voltou dos mortos”, reaparecendo em grande estilo como uma violinista celebrada.

Ela estava mais bonita do que antes — o rosto, aprimorado com cirurgia, perfeito como o de uma boneca de porcelana.

A primeira coisa que ela fez ao voltar foi destruir o meu rosto. Depois, mandou que me expulsassem da casa dos Valcour.

E a pior parte? No terceiro aniversário da minha filha, ela morreu.

Serafina disse para todo mundo que eu tinha matado a minha própria criança.

Os Valcour me levaram ao tribunal.

Um mês depois, eu morri doente na prisão.

Quando eu dei meu último suspiro, ainda estava agarrada a uma foto da minha filha com um ano de idade.

E a Serafina? Ela conseguiu exatamente o que queria — virou a esposa do Caspian.

Agora, eu tinha renascido.

De volta a quando minha filha ainda estava viva.

Na minha vida anterior, eu me ajoelhei no chão, chorando e implorando para me deixarem ficar.

Eu achava que, se eu fosse humilde o bastante, eles teriam pena de mim.

E o que aconteceu? Quanto mais eu me rebaixava, mais eles me viam como presa fácil.

Desta vez, eu ia pegar minha filha e fugir desse inferno.

Próximo Capítulo