Capítulo 3
POV da Arlene
—Arlene! —Caspian amparou Serafina, me fuzilando de raiva. —Que porra é essa? Qual é o seu problema?
—Não tem nada de errado comigo. —Mantive os olhos fixos em Serafina. —Eu só não quero ela encostando na minha filha.
—Ela só queria pegar a bebê no colo! —A voz de Caspian subiu vários tons. —Precisava mesmo disso?
Serafina baixou a cabeça, com a voz tremendo.
—Arlene, me desculpa... Eu só achei a bebê tão fofa que não me aguentei... Eu não quis dizer nada com isso...
Ela ergueu o rosto, lágrimas escorrendo pelas bochechas, a imagem perfeita da inocência ferida.
—Olha o que você fez com a Serafina! —Rowena deu um passo para trás com a bebê, me encarando com nojo. —Loucura pós-parto é uma coisa, mas isso aqui já é outra completamente diferente!
—Ela é amiga do seu marido, não uma vilã!
Ela é a mulher que matou a minha filha.
Imagens da minha vida anterior atravessaram a minha mente—
Depois que Serafina voltou, eu fui expulsa da casa dos Valcour.
Minha filha ficou.
Eu implorei para me deixarem vê-la. Eles se recusaram.
Só mais tarde eu soube o que Serafina tinha feito com ela.
Ela quebrou o brinquedo favorito da minha filha bem na frente dela.
Ela a assustou de propósito, até minha filha ficar sem ar de tanto chorar.
Quando ninguém estava olhando, ela beliscava os braços da minha filha, deixando hematomas espalhados pela pele.
E o Caspian? Ele não sabia de nada.
Ou melhor: ele não queria saber.
No terceiro aniversário da minha filha, eu não fui convidada —a própria mãe. Eu me infiltrei na propriedade só para conseguir vê-la de longe.
Minha filha viu meu rosto desfigurado e soltou gritos apavorados. Naquela noite, minha filha morreu.
“Insuficiência respiratória”, disseram.
“A própria mãe assustou a filha até a morte”, disseram.
Só depois eu descobri a verdade: Serafina aproveitou a oportunidade para matar a minha filha, e todo mundo acreditou que eu era a assassina.
Nesta vida, eu nunca deixaria Serafina encostar um dedo sequer na minha filha.
—Caspian. —Serafina puxou de leve a manga dele, enxugando as lágrimas. —Deixa isso pra lá. A culpa é minha... Eu não devia ter tentado pegar a bebê no colo sem pedir... A Arlene acabou de dar à luz, ela não está bem, é natural ficar mais sensível...
—Não culpe ela...
—Serafina, você é boa demais. —Rowena olhou para ela com o coração apertado. —Você não precisa se rebaixar ao nível dela.
—A mamãe tem razão. —Caspian puxou Serafina para perto, e o olhar dele me cortou como gelo. —Arlene, é melhor você lembrar do que aconteceu hoje.
—Assim que você se recuperar, a gente vai resolver esse divórcio.
—E quanto à guarda... nem pense nisso.
Dito isso, ele passou o braço em volta de Serafina e saiu.
Rowena colocou a bebê de volta nos meus braços e soltou um resmungo frio.
—Se cuide. Daqui a pouco eu mando uma empregada para olhar você.
Aldrich me lançou um olhar, sem dizer nada, e saiu atrás da esposa.
A porta bateu com força atrás deles.
No dia seguinte, eu saí do hospital com a minha filha nos braços.
Eu não voltei para a mansão dos Valcour. Em vez disso, fui para um apartamento pequeno que eu tinha alugado às pressas.
Eu já tinha me decidido: se eles queriam que eu deixasse a criança para trás e fosse embora sem nada, então eu mesma ia dar entrada nos papéis do divórcio e levar minha filha comigo.
Desta vez, eu é que ia ter o controle.
Pedi para o meu advogado entregar o acordo de divórcio na residência dos Valcour.
Os termos eram simples: a esposa abre mão voluntariamente de qualquer reivindicação sobre os bens do casamento e solicita apenas a guarda total da criança.
Dois dias depois, Caspian ligou.
—Arlene, que inferno... onde você levou a minha filha? Não esquece que eu também sou o pai. Meus pais têm todo o direito de ver a neta.
—Caspian, tudo o que eu quero é a minha filha. Mais nada. —Minha voz era de aço. —Não é isso que você queria? Você sempre disse que eu era um incômodo. Sempre me culpou por estragar a sua história de amor com a Serafina. Ótimo —eu vou levar a nossa filha e ir embora. Considera isso a minha bênção para vocês dois.
O riso de Caspian foi amargo.
—Continua sonhando. Você obviamente está planejando usar a criança como moeda de troca. Se você voltar agora —voltar e confessar pra minha avó todas as sujeiras que você fez pra me manter longe da Serafina, e pedir desculpas pra Serafina— talvez eu deixe você ficar na propriedade com a bebê.
—Eu não quero a sua caridade. —Desliguei.
