Capítulo 5 Capitulo 05
Malu narrando
Hoje faz uma semana que eu tô aqui no hospital, graças a Deus eu e a minha mãe estamos de alta, Chefin esteve por aqui e disse que o barraco que vamos ficar já está pronto, que ele vai fortalecer eu e minha mãe com uma grana pra montar o restaurante e eu vou pagando ele aos poucos, minha mãe não gostou de saber que eu vou trabalhar pra ele, mas só de saber que estamos livres daquele traste e agora temos a nossa liberdade já me deixa muito feliz.
— Bora lá ruiva, que tô cheio de parada pra resolver hoje e não posso demorar não, amanhã tem baile e o morro tá frenético.
— Claro, vamos Leila, vamos mãe. — eu falo e sinto muita dor nas minhas costelas na hora que eu levanto, coloco a mão e fecho os olhos.
— Filha tá tudo bem? Consegue ir? — eu concordo e o Chefin tá parado olhando pra minha cara.
— Desculpa, eu já estou indo. — eu falo tentando me recompor e vou andando devagar, ele vai indo na frente e quando chegamos do lado de fora tinha mais 2 caras com ele, cada um em uma moto, eles acenam com a cabeça pra mim e eu aceno de volta, entro na parte da frente já que minha mãe e a Leila entraram atrás e tento me acomodar no banco, já que tô com muita dor.
— Podemos ir? — ele pergunta e eu concordo, ele vai subindo o morro em direção ao alto e eu fico admirada em como aqui é lindo, tem crianças conversando, correndo e se escondendo, vários bares e algumas lanchonetes, senhoras nas suas portas conversando, pelo visto ele é muito bem respeitado, porque por onde ele passa o pessoal cumprimenta ele. — Aqui vai ser a nova casa de vocês, como disse tem o salão embaixo e a casa em cima, tem 3 quartos, sala, cozinha e uma área no último andar. — fico impressionada com o tamanho da casa e só passa uma coisa na minha cabeça, a gente tá ferrada pra pagar o aluguel.
— Meu Deus isso é enorme, não sei se vamos conseguir pagar. — eu falo pra ele.
— O aluguel não é tão caro não, vai dar pra vcs se virarem de boa, e tu ainda vai fazer os trampos pra mim, vou encaixar tu em um horário que dê pra ajudar tua coroa já é. — ele fala e eu concordo.
— Tudo bem, mas quanto é o aluguel? — eu pergunto né, vai que pra ele não seja caro e pra mim seja um absurdo.
— Vai ser 700 reais, acho um bom preço, beleza? — ele fala e até que tá razoável mesmo. — Se a comida de vcs for mesmo boa, vão tirar isso em um dia, agora preciso ir lá, que vou ver as paradas do baile, me dá teu número aí que entro em contato quando tu for começar o serviço. — olhei pra minha mãe que só observava sem falar nada.
— Desculpa, não tenho ainda um celular, assim que der eu compro um pra mim. — ele ficou parado me encarando.
— Vou mandar um meno trazer um aqui pra tu. — eu neguei.
— Desculpa, mas eu não quero, já tô com uma dívida muito alta com você e depois não vou conseguir pagar.
— Deixa de kao mina, eu preciso pra falar com tu, depois que quitar todas as nossas dívidas eu começo a descontar essa já é. — ele fala e pega um pacote com o amigo dele da moto. — Aqui tem 30 mil, deve dar pra vcs se virarem.
— Meu Deus, é muito dinheiro, não precisa de tudo isso não.
— Tem várias paradas pra comprar, vcs não têm nada ainda, só pega essa porra que tu tá me atrasando e deixa de me tontear ruiva. — não falei mais nada e peguei o pacote, ele deu as costas e saiu com o carro cantando pneu.
Fomos entrando eu, minha mãe e a Leila, o salão é enorme e vai ficar muito legal, no fundo tem uma porta que dá pra uma área e tem uma escada, subimos e abrimos a casa que já está mobiliada, a sala tinha um sofá cinza lindo de canto, um painel com uma televisão grande, na cozinha tinha uma ilha no meio com o fogão e um balcão com 4 banquetas, meu Deus essa casa vale muito mais o que ele cobrou, os armários são embutidos e a janela dá pra ver a favela e no fundo a praia do Rio, não sei qual mas sei que é alguma praia pela água.
— Meu Deus, essa casa é linda, e ele cobrou muito barato por ela.
— Também acho que sim. — elas falam olhando tudo.
— Vamos ver os quartos?
Passamos por um banheiro com chuveiro e box de vidro lindo todo na mármore preta, andando mais adiante tinha o primeiro quarto com uma cama de casal linda e uma TV na parede, um guarda-roupa lindo e um banheiro pequeno mas muito aconchegante.
— Meu Deus que quarto lindo. — eu falo e elas concordam.
— Vamos ver os outros pra ver com qual cada uma vai ficar. — concordei e fomos olhando.
O segundo quarto também tinha uma cama de casal e um banheiro e o guarda-roupa, parecido com o primeiro, o terceiro era igual, mas a diferença era que não tinha banheiro no quarto.
— Tudo bem eu fico com esse quarto e vcs com os outros dois. — Leila já nega.
— Não senhora, pode ficar com o quarto que você queria, eu não me importo de ficar com esse aqui. — ela fala e eu a olho.
— Tem certeza Leila?, eu gostei dele mas de dormir numa cama confortável e poder sair de casa pra mim já é tudo uma conquista, um banheiro no quarto é só um detalhe.
— Então, é só um detalhe, no corredor tem um banheiro eu uso ele sem problema nenhum. — eu concordei e fui procurar meu quarto, não tenho muitas roupas já que o inútil não me deixava sair e nem me dava nada, então as poucas coisas que tenho foi a Leila quem me deu, entrei no meu quarto e tomei um banho, a casa já estava tudo limpinha então não precisamos limpar nada, coloquei meu vestido vermelho que é o melhorzinho que eu tenho e minha mãe fala que tem um rapaz me chamando lá embaixo, peguei meus chinelos e desci pra ver quem era.
— Aê ruiva eu sou o Sombra, satisfação. — ele fala acenando pra mim.
— Oi Sombra eu sou a Malu, satisfação. — emenda um sorriso lindo, aí pretão.
— Então Chefin pediu pra entregar isso pra tu, já tá tudo aí e o número dele também, qualquer parada é só ligar já é? — eu concordo e vejo um cara me olhando de longe, Sombra olha na mesma direção e ele disfarça. — Vou lá valeu aí ruiva.
