Seduzindo o Sr. Intocável

Seduzindo o Sr. Intocável

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Introdução

Eu sou Emily. Eu costumava ter tudo – até a morte repentina do meu pai, a doença da minha mãe e parentes gananciosos que roubaram nossa fortuna. Michael apareceu quando eu mais precisava de ajuda. Aceitei sua oferta, mas então descobri segredos de família e seu noivado secreto. E agora?

Capítulo 1

Luzes de neon pulsavam enquanto uma música ensurdecedora reverberava pela Oak Hill Estate, o clube noturno privado mais exclusivo da cidade.

Emily Harrison caminhava pela multidão caótica, equilibrando uma bandeja de bebidas enquanto se esforçava ao máximo para vender.

Quase inconscientemente, ela puxava a barra da saia curta do uniforme, uma exigência inegociável do código de vestimenta do clube.

Na cabeça, usava um par de orelhas de coelhinha felpudas.

"Um rosto tão lindo vendendo bebidas... que desperdício!" zombou um homem bêbado, levantando-se de repente e bloqueando o caminho dela. Os olhos dele percorriam o corpo de Emily descaradamente, com um olhar afiado e predatório.

Emily virou-se para encará-lo, com os olhos verde-azulados límpidos e serenos.

A maquiagem era pesada, com delineador estilo gatinho e lábios vermelhos e carnudos. Sob o brilho do neon, ela parecia menos uma garçonete e mais uma linda e perigosa criatura da noite.

"Cada bebida custa mil dólares", disse ela em tom neutro.

O homem, Jason Lee, um conhecido herdeiro da região, olhou para ela com visível surpresa, claramente encantado com a beleza dela. Ele engoliu em seco, com a admiração brilhando em seus olhos. "Sério?"

Os amigos dele começaram a incentivá-lo, entre assobios e risadas.

"Quem diria que a grande Srta. Harrison acabaria vendendo bebidas? Se contassem por aí, achariam que é piada!"

"Jason, você tirou a sorte grande hoje! Não deixe uma chance de ouro dessas escapar!"

Jason tirou um cartão de crédito do bolso, bateu com ele na mesa e abriu os braços de forma teatral. "Por cada copo que você virar hoje à noite, eu transfiro esse valor. Pode ser o equivalente a um mês de salário para você em uma só noite!"

Emily assentiu com firmeza. "Fechado."

Ela apoiou a bandeja e se aproximou da mesa de Jason. Playboys ricos como ele viviam para esse tipo de emoção. A mesa estava lotada de garrafas caras e copos cheios de bebida destilada.

Emily pegou um copo e o virou de uma vez só.

O álcool forte queimou sua garganta e seu estômago.

As lágrimas brotaram instantaneamente em seus olhos, mas ela conteve a vontade de vomitar, cravando as unhas na palma da mão. Em seguida, pegou um segundo copo e o secou com a mesma rapidez.

Ela precisava do dinheiro.

Os assobios vindos do camarote VIP ficaram mais altos enquanto Jason a observava com grande expectativa.

Emily os ignorou e virou dez doses seguidas. Ela mordeu a língua por dentro, usando a dor para se manter firme contra a tontura que começava a surgir, e então estendeu a mão esbelta.

"Dez mil dólares. Quando recebo?"

Jason levantou-se do camarote, sem pressa, cambaleando levemente ao se aproximar dela. "Qual é a pressa? Acha que eu voltaria atrás na minha palavra?" Os lábios dele se curvaram em um sorriso cínico. "Vamos para um hotel, e eu com certeza te pago lá."

Enquanto falava, a mão dele deslizou em direção à cintura de Emily.

Emily deu um tapa na mão dele imediatamente e recuou. O álcool havia deixado suas bochechas coradas, mas seus olhos continuavam frios e alertas. "Tire as mãos de mim."

Humilhado na frente de todos, a expressão de Jason se fechou.

"Você não passa de uma garota de programa de luxo", cuspiu ele. "E ainda age como se fosse a nobre herdeira da família Harrison. Acha que se fazer de difícil te torna virtuosa?" O olhar dele percorreu o corpo de Emily com descaramento. "Você quer dinheiro, não é? Então venha para o hotel comigo agora. E se me satisfizer, talvez eu até te dê uma gorjeta."

Ele se inclinou, com a voz baixa e venenosa. "Me recuse, e você não vai receber nada."

Emily lutou contra a dor ardente no estômago, percebendo que Jason nunca teve a intenção de pagá-la honestamente desde o início.

Ela pressionou a mão discretamente sobre o estômago e disse com uma voz fria como gelo: "Eu bebi, e você me deve o dinheiro! Já vi muita gente fazer esse tipo de joguinho, mas você é o primeiro a descer tão baixo em um acordo. Quer que eu espalhe por aí sobre o seu comportamento nojento?"

Jason soltou uma risada ríspida e, em seguida, puxou um maço de dinheiro da carteira.

— O relógio no meu pulso poderia comprar a sua vida, e você ousa me chamar de mesquinho! — ele esbravejou.

No segundo seguinte, ele atirou o dinheiro direto no rosto dela.

— Você queria dinheiro, não queria? Então vá para o chão e pegue.

O maço de notas a atingiu como um tapa.

Emily cambaleou, mas rapidamente se equilibrou.

Ela olhou ao redor para os rostos que se divertiam com a cena, seus lábios carmesim quase sangrando pela força com que os mordera.

Aquelas pessoas tinham ido até ali para rir dela.

Na época em que a família Harrison estava no auge, pessoas como eles jamais teriam ousado se aproximar dela. Agora que ela havia caído em desgraça, eles a rodeavam como abutres.

Jason continuava a provocá-la. — O que foi? Você não estava pedindo dinheiro agora há pouco? É todo seu se você pegar. Mas vai ter que ficar de joelhos para isso.

As unhas de Emily se cravaram ainda mais fundo nas palmas de suas mãos. Ela encarou as notas espalhadas pelo chão como se estivessem manchadas de sangue.

Ela precisava desesperadamente do dinheiro, mas o orgulho enraizado em sua criação não a permitia se curvar. Mesmo parada ali, suas costas permaneciam perfeitamente eretas.

Os amigos de Jason caíram na gargalhada.

— Srta. Harrison, vamos parar com o teatro. Você não acha mesmo que a família Harrison ainda significa alguma coisa, não é?

— Como o jogo virou! Sua família costumava menosprezar os Lee. Agora, dinheiro é o suficiente para humilhá-la!

Emily lutou para conter a humilhação esmagadora que crescia dentro de si.

Seu olhar baixou para a própria saia curta, e um sorriso amargo tocou seus lábios.

A essa altura, que dignidade ela ainda tinha a proteger? Ela havia abandonado a maior parte dela no dia em que decidiu trabalhar naquele clube.

Em meio às vozes zombeteiras, Emily finalmente começou a se abaixar lentamente.

Mas, justo quando estava prestes a alcançar o dinheiro, uma voz fria e indiferente cortou o barulho.

— Que barulheira.

Emily ergueu o olhar instintivamente.

Um homem estava parado ali, vestindo um terno casual cinza-claro. Suas feições eram refinadas e marcantes, como a criação mais favorecida de Deus.

Seus olhos azuis como o aço eram totalmente indiferentes, como se nada neste mundo merecesse sua atenção. Uma aura gélida de distanciamento o envolvia.

Era Michael Wilson.

Seu assistente, Jonathan Parker, imediatamente deu um passo à frente e instruiu os funcionários a esvaziarem o salão do clube.

O gerente do clube fez reverências repetidas vezes, quase tropeçando nos próprios pés em pânico, enquanto se desculpava: — Sinto muito por perturbar a paz do Sr. Wilson. Vamos retirar esses convidados indesejados imediatamente.

Então, ele se virou para Jason e seu grupo, com o rosto endurecido. — Saiam. Agora!

Jason ficou furioso, mas não ousou discutir. Ninguém em sã consciência arriscaria ofender Michael Wilson. Restou-lhe apenas ir embora frustrado, mas não sem antes parar ao lado de Emily para murmurar uma ameaça: — Você deu sorte hoje. Da próxima vez, não vai ter.

Emily manteve o olhar baixo, envergonhada demais para erguê-lo. Ela conseguia suportar maus-tratos e humilhações. Já havia se acostumado com isso. Mas, na frente de Michael, não conseguia fingir que não se importava.

O gerente recolheu apressadamente todo o dinheiro espalhado pelo chão e o enfiou nas mãos de Emily. — O que você está fazendo aí parada? Vá atender o Sr. Wilson imediatamente.

Emily ergueu o olhar, surpresa, apenas para encontrar os olhos indiferentes de Michael.

Ele não disse nada. Simplesmente se virou e subiu as escadas.

Após uma breve hesitação, Emily o seguiu.

Michael raramente visitava aquele clube, mas, sempre que ia, ela era a designada para servi-lo. Talvez fosse porque ele a considerava mais limpa e apresentável do que os outros funcionários.

Dentro da sala privativa no segundo andar, a música era muito mais baixa.

Michael sentou-se de forma relaxada no assento principal.

Emily se aproximou lentamente para lhe servir uma bebida. A dor em seu estômago estava se tornando insuportável, mas ela a suportou em silêncio.

Então, de repente, a voz fria dele soou acima dela.

— Você está se sentindo mal?

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