Capítulo 4 Hora extra

Leonor colocou a coqueteleira no balcão e encheu duas taças de coquetel com o líquido transparente e um pouco turvo. O aroma forte de vodca e limão preencheu o ar.

— Problema? Não, Armina. Só... solidão. —

Ela pegou uma das taças e ergueu, oferecendo-a à Armina.

— Venha. Sente-se. Não quero beber sozinha.

Armina olhou para a taça e para a camisola de seda vermelha. A cena era completamente incomum e carregada de uma tensão estranha.

— Dona Leonor, eu… eu agradeço, mas eu estou de serviço. E já é muito tarde. Eu preciso descansar.

O sorriso de Leonor sumiu. Seu tom ficou frio e autoritário, mas com um toque de súplica que fez Armina hesitar.

— Não seja boba, Armina. O serviço acabou quando eu disse que acabou. E eu estou dizendo agora que quero sua companhia. Não como empregada, mas… como uma pessoa.

— Afinal, você é a única pessoa nessa casa que me suporta há mais de cinco anos. Pegue a taça. É só um drink. Vodka. Vai te ajudar a dormir.

Leonor empurrou suavemente a taça de cristal na direção de Armina.

— Eu não sei, Dona Leonor. Eu não costumo beber. — disse Armina, pegando a taça, sem beber.

— Ah, claro. A Armina perfeita. Tudo bem. Hoje você não precisa ser a Armina perfeita. Hoje você pode ser minha confidente, se eu quiser.

Leonor deu um gole generoso em sua taça e encarou Armina, esperando sua reação. O silêncio na cozinha era pesado, preenchido apenas pelo ruído distante da música, a música suave que vinha da sala.

Armina, sentindo o calor e o peso da taça de cristal na mão, fez um movimento lento para não parecer desafiadora.

— Eu não… eu não estou confortável.

Leonor sorriu, um sorriso que era uma máscara de dor e desejjo. Ela pegou Armina pela mão e a puxou gentilmente, mas com firmeza, para a sala de estar, onde as almofadas de veludo estavam desalinhadas.

— Bobagem. Senta. Conversa. Não vou morder, Armina.

As duas se sentaram no sofá. Armina na ponta, tensa em seu pijama de algodão, Leonor afundada no estofado, a seda vermelha escorregando sensualmente pelas pernas. Leonor bebeu mais um gole do coquetel, com o gelo estalando no copo.

— Sabe, Armina. — começou Leonor, com a voz mais baixa.

— Ele me deixou. E a pior parte não é a conta bancária. É… essa sensação de inutilidade. Eu só queria... queria go zar. É pedir muito?

Armina sempre foi bi e todos sabiam, ela engoliu em seco. A honestidade crua de Leonor a atingiu. Ela sempre a vira como a patroa inatingível, nunca como uma mulher vulnerável.

— O problema é que eu não sinto nada. Nada desde que ele saiu. Me sinto seca, Armina. Seca e lisa. Aqui. — Leonor apontou um dedo para o tecido da camisola, bem na altura da virilha.

— Como uma boneca de porcelana.

Armina sentiu um calor percorrer seu próprio corpo. Ela sempre observara a beleza imponente de Leonor de longe. O corpo sarado e bem cuidado, o aroma de perfume caro. Sua voz saiu mais baixa do que o pretendido, quase um sussurro.

— Dona Leonor, a senhora não precisa de um homem para isso.

Leonor soltou uma gargalhada curta e amarga.

— Ah, a sabedoria das empregadas. Sempre sabem mais do que as patroas. Então me ensina, Armina. Me ensina a go zar sozinha. Porque eu estou morrendo de tédio e frustração aqui dentro.

Armina hesitou por um momento, mas a curiosidade e uma excitação crescente, alimentadas pela proximidade, pelo álcool e pela confissão íntima, superaram sua prudência. Ela colocou a taça de lado.

— A senhora precisa se conhecer. Tocar o corpo.

— Eu não sei por onde começar! — Leonor interrompeu, impaciente.

— Como? Na frente? Atrás?

Armina moveu a mão, demonstrando o que faria.

— A senhora pode começar tocando por fora, bem perto da testa. Devagar. Sentindo. Respirando fundo.

Leonor a observou com os olhos arregalados, como uma aluna. De repente, impulsionada pelo álcool e pela audácia, ela levantou a camisola vermelha de seda até a cintura, revelando a pele branca e sedosa de suas coxas e o tufo de pelos escuros e bem cuidados.

— Faz isso. Não estou sentindo nada. Mostra direto na minha buc eta, Armina. Anda. Mostra como é para uma mulher go zar de verdade.

Armina sentiu seu coração acelerar descontroladamente. A visão de Leonor, n ua da cintura para baixo, era intensa. Era a Leonor que ela sempre secretamente admirou, agora exposta e vulnerável. Armina rastejou no sofá, aproximando-se. Sua mão, que limpava e esfregava o chão e a louça, tremeu ao se aproximar da coxa de Leonor.

— Eu… eu vou mostrar.

Armina tocou a pele quente da coxa, subindo devagar. O cheiro de Leonor era gostoso, perfume, vodca e um toque sutil de feminilidade. Armina encontrou os lábios úmidos da bu ceta de Leonor.

Com a ponta dos dedos, começou um toque leve e circular.

— Precisa estar molhadinha, Dona Leonor. Não pode estar seca. — A voz de Armina estava baixa, irreconhecível.

Ela intensificou o toque, sentindo o clitóris pequeno e sensível em seus dedos.

— Quero ver se o que estou fazendo está bom. Me diz se a senhora molha para mim.

O ar ficou denso na sala. Leonor suspirou, apertando os olhos, a cabeça jogada para trás no estofado. A seda vermelha parecia pulsar.

— Eu… Armina… Isso…

— Silêncio. Só respira e sente. — ordenou Armina, agora completamente exc itada e no controle.

— Quero ver se a senhora consegue esquecer o seu marido só com a minha mão.

A mão de Armina, antes hesitante, agora movia-se com destreza e uma urgência excitada. O ar de submissão havia desaparecido, substituído pela confiança e pelo desejjo. Leonor gem eu alto, um som que Armina nunca imaginou ouvir da patroa.

— Isso… oh, Armina… é demais… — A voz de Leonor era entrecortada.

Tomada pela intensidade daquele momento, Leonor acariciou o rosto de Armina, puxando-a para um beijo lento e apreensivo. Era um beijo de descoberta, onde a boca fria de Leonor procurava a segurança e o calor da boca de Armina.

Armina aceitou o beijo, mas não diminuiu o ritmo lá embaixo. Pelo contrário, ela intensificou a fricção no clit óris de Leonor, concentrando-se em levá-la ao limite.

— Quero que a senhora sinta tudo. — murmurou Armina contra os lábios de Leonor.

— Sinta o que a senhora estava procurando.

O corpo de Leonor se arqueou, e um gemido prolongado e alto rasgou o silêncio da noite. Ela se mexia impaciente. Em poucos segundos, seu corpo se contraiu em um orgas mo violento que a fez ofegar e soltar um grito abafado no beijo de Armina. O líquido quente do prazer escorreu pelos dedos de Armina.

Leonor desabou sobre as almofadas, respirando pesadamente. Armina parou de beijá-la e observou seus dedos úmidos, sorrindo com satisfação.

— A senhora ficou molhadinha. Está bom, então.

Leonor abriu os olhos, piscando atordoada, mas antes que pudesse responder, Armina a surpreendeu novamente. Arregalando as pernas de Leonor, Armina se inclinou. O cheiro de desejjo de Leonor era intenso. Armina hesitou por um segundo, e então desceu, a beijando pelo corpo, começou chupar sua bu ceta melada, sugando os lábios, metendo a língua no clitó ris.

O choque fez Leonor soltar um novo gemi do, que se transformou rapidamente em um sussurro implorando por mais.

— Armina… o que você… nossa que delícia …

Armina não respondeu. Ela trabalhou com a língua e a boca, explorando a buce tá de Leonor de um jeito que nenhum homem jamais ousou. Leonor deitou-se de novo, as mãos segurando a própria cabeça, os quadris se movendo em busca do toque de Armina, gemendo incessantemente e pedindo: "Mais! Por favor, mais!"

O prazer era tanto que as lágrimas vieram aos olhos de Leonor. Ela go zou novamente, um orgas mo mais longo e profundo, esguichando seu go zo na boca de Armina.

Armina subiu e a beijou de novo, misturando o gosto de vodca, e o prazer delas.

— Eu não tenho p au para enfiar, Dona Leonor. — disse Armina, com a voz grave e rouca.

— Mas eu a farei g ozar lou camente sem ele.

Leonor a encarou, com os olhos marejados de prazer e surpresa. Ela riu, um riso leve e desarmado que Armina não ouvia há meses.

— Eu nunca tinha ficado com uma mulher. Mas... parece que vou ter que aderir a essa novidade e experimentar coisas novas. Você é inacreditável, Armina.

Naquela noite, Armina e Leonor não voltaram a ser apenas patroa e empregada. O toque, a intim idade e a vulnerabilidade compartilhada na sala de estar criaram um laço inquebrável, um segredo mútuo que redefiniu completamente a dinâmica da casa.

A partir daquele dia, Armina nunca mais sofreu humilhações ou grosserias. Leonor havia encontrado em Armina não apenas alívio para sua solidão, mas uma fonte de prazer e atenção que o ex-marido jamais lhe dera.

Toda vez que Leonor se sentia estressada, ansiosa ou carente, a expressão autoritária em seu rosto cedia espaço a um olhar cúmplice.

Ela simplesmente dizia, com um tom misterioso:

— Armina, preciso de você para hora extra hoje.

Armina entendia o recado. Ela sorria por dentro, sentindo o poder daquele segredo. O "serviço extra" não era na cozinha, mas sim na suíte principal, com as taças de coquetel, camisolas de seda e os ge midos que agora eram sinônimos da nova, e surpreendentemente excitante, relação entre as duas.

Fim!!

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