Capítulo 3 3

Reid

— Mãe, nós já conversamos sobre isso. Eu realmente tenho que ir, não dá para adiar mais! — ralho com a minha mãe, pois a proposta que recebi para trabalhar na Inglaterra vai alavancar a minha empresa aqui no Brasil.

— Mas, Nick, você é bem-sucedido aqui mesmo. Para que ir para longe da sua família, meu querido? — ela retruca, chorosa.

Imediatamente olho para o meu pai, que está abraçado à minha irmã mais velha, em um pedido mudo de socorro. Ele solta o ar pela boca, se afasta de Amanda e se aproxima da esposa, que ainda está abraçada a mim. Então a faz afastar-se e a abraça por trás, deixando um beijo casto em seu rosto.

— Querida, deixe que ele vá. Se Nick disse que precisa dessa proposta para alcançar os seus objetivos, não devemos impedi-lo, certo?

Ela me olha com os olhos cheios d’água e confesso que é de cortar o coração, mas é preciso. E, para o meu alívio, ela finalmente aceita o que o meu pai lhe pede.

— Tudo bem! Mas terá que me prometer que ligará para mim todos os dias! — pede com autoridade, embora a sua voz esteja embargada.

— Duas vezes por semana, mãe! — rebato, erguendo dois dedos para ela.

Dona Gisele revira os olhos para mim e bufa audivelmente.

— Tudo bem, duas vezes por semana. Mas, Nick, se não der certo, quero que volte para casa. Prometo que estarei bem aqui te esperando.

Com um sorriso gigante, aproximo-me da minha coroa, a abraço e beijo os fios lisos e dourados da sua cabeça.

— Prometido, Dona Gisele! Agora eu realmente tenho que ir. Essa já é a segunda chamada do meu voo.

Ela se afasta imediatamente do meu pai e me abraça mais forte mais uma vez, voltando a chorar. Depois me solta, relutante, e eu abraço o papai e, em seguida, a minha irmã.


Minutos depois, entro no avião com destino à Inglaterra. Ponho as minhas malas em seus devidos lugares, me acomodo em uma poltrona perto da janela e aperto o cinto de segurança. Como a comissária pediu, desligo os aparelhos eletrônicos e tento relaxar um pouco.

Nascer na família em que só há advogados não é nada fácil, principalmente quando você não quer ser um advogado. Sou do tipo aventureiro: gosto de estar ao ar livre, gosto das lentes, das câmeras, da sensação de liberdade e, principalmente, amo a minha profissão!

Quando fiz dezoito anos e informei aos meus pais, em pleno café da manhã, que queria ser um fotógrafo profissional, foi um deus-nos-acuda! Mamãe quase teve um infarto e papai ficou completamente catatônico, com o pão parado na metade do caminho até a sua boca. Eles levaram meses para se adaptarem às minhas escolhas.

Gisele Maddox e Guilherme Maddox são advogados renomados e reconhecidos em todo o país. Meus avós, primos e primas por parte de mãe, todos são advogados. E, cara, eu até tentei. Fui para uma faculdade e não aguentei nem o primeiro período completo; saí correndo e entrei em um curso de fotografia e artes. E aqui estou eu, e não me arrependo nem um dia sequer da minha escolha.

Há duas semanas, recebi uma ligação de um homem chamado Joan Marli dizendo que queria contratar os meus serviços por longos dois anos. Não perdi tempo e aceitei a proposta. Agora estou indo abrir mais uma empresa na Inglaterra e fazer o meu nome internacionalmente. Assim, assumirei o trabalho dele e os que vierem pela frente.

Mas, para isso, deixei Mikael, meu melhor amigo e sócio, cuidando da empresa no Brasil. Ficarei satisfeito em assumir a filial aqui na Inglaterra. Então, não trouxe uma equipe treinada comigo para esses serviços, a fim de não desfalcar a empresa do Brasil. Isso quer dizer que terei de treinar algumas pessoas para chegar ao meu nível de trabalho aqui na Inglaterra. E espero que Aretuza consiga alguém esperto e ágil o bastante e que aprenda rápido, porque não tenho muito tempo a perder.

Joan Marli é dono de um belo haras muito requisitado na Inglaterra e no mundo. Ele quer que eu faça fotos dos seus cavalos de raça e do seu comércio para uma revista esportiva e turística muito conhecida. O que me deixou bastante eufórico foi descobrir que ele viu e ouviu falar muito do meu trabalho e o requisitou imediatamente. E aqui estou eu para realizar o meu primeiro trabalho internacional, e sei que será um grande sucesso.

Outra coisa que me incentivou a largar tudo e vir para Londres foi July Limeira, a irmã caçula do meu sócio, Mikael Limeira. A garota e eu tivemos um relacionamento durante o ensino médio. Na verdade, foi apenas um namoro de adolescente; curtimos muito um ao outro e, quando fui para a faculdade, dei esse romance por encerrado. Eu precisava de liberdade, de me dedicar aos meus projetos. Mas parece que ela não entendeu isso, pois estava sempre no meu pé, armava barracos quando eu saía na night com alguma garota, mandava mensagens ameaçadoras para as minhas modelos e clientes, e isso se estendeu até alguns dias atrás. Era um saco! Talvez dois anos longe do Brasil a ajudem a me esquecer de uma vez por todas.

Chego a Londres de madrugada e sou recebido por uma chuva torrencial. Visto um casaco negro para manter o corpo aquecido e desço do carro, correndo imediatamente para a entrada do meu hotel. Vou direto para a recepção e faço o check-in. Alguns funcionários levam as minhas malas para o quarto e recebo o cartão-chave logo em seguida. Satisfeito, sigo para o elevador e, em poucos minutos, estou em minha suíte presidencial.

Dentro do apartamento, tiro o sobretudo, coloco-o em um cabide na parede do quarto, deixo os sapatos em um canto perto da porta e vou para o banheiro. Livro-me das roupas e as largo pelo chão. Tomo uma ducha quente que me faz relaxar e fico debaixo d’água por algum tempo. Quando saio, visto um roupão felpudo e branco e volto para o quarto.

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