Capítulo 5 5
Reid
— Claro, senhor Reid! Me desculpe!
— Não precisa se desculpar.
Começo a passar as câmeras, depois as lentes e os rolos de filme para ela organizar tudo, sempre lhe alertando sobre a forma de acondicioná-los e a importância de cada um. Após concluir o serviço, abro a bolsa para comprovar e, por incrível que pareça, ela os armazenou corretamente em seus compartimentos.
— Parabéns! Você os colocou em seus devidos lugares. — Finalmente olho para a garota. — Já trabalhou como assistente de fotógrafo antes? — inquiro, curioso.
— Hã, não. Eu andei estudando algumas coisas sobre lentes e câmeras, e tinha um artigo que explicava a forma correta de armazená-los.
Semicerro os olhos.
— Muito bom! Demonstra que tem interesse em aprender. Venha, precisamos ir.
Seguro a bolsa pesada, apoio as alças em meu ombro e sigo com passos largos para fora do estúdio. Minutos depois, Kate e eu estamos dentro do meu carro e indo para o haras do meu primeiro e potencial cliente.
— Aquela é a área de hipismo. No momento não tem ninguém por lá; as aulas foram remarcadas para um pequeno ajuste — Joan fala, enquanto nos mostra o haras e suas áreas de atividades de lazer, os centros esportivos e os ambientes naturais também.
Por fim, passamos pelos estábulos, onde há algumas espécies de puro-sangue bem próximas de uma lareira e de um belo riacho que, devo dizer, é um encanto! O lugar é bem aconchegante e relaxante. Simplesmente lindo de se ver. Constatar a imensidão desse lugar me faz perceber que terei muito trabalho pela frente e, enquanto explorávamos, posso dizer que tive algumas ideias fabulosas para o álbum de apresentação.
Em seguida, Joan nos leva para um casarão e, quando estamos acomodados a uma mesa farta, ele nos fala com orgulho sobre o seu empreendimento e os seus sonhos.
— Temos dezenas de quartos aqui, uma enorme cozinha rústica com fogão a lenha, uma sala grande e aconchegante com lareira e almofadões, onde você pode se esquentar enquanto degusta um bom vinho e bate um bom papo com uma companhia agradável, ou com a sua família — enumera as maravilhosas possibilidades para o turismo do lugar.
— Bom, não vou mentir. Estou completamente fascinado com o seu haras! Isso aqui é mesmo surpreendente, Joan, além de muito lindo!
Ele sorri, presunçoso, diante do meu comentário, orgulhoso.
— Fico feliz de ouvir isso, Nick! Trabalhamos muito duro para chegarmos até aqui. Minha família começou a trabalhar com o haras apenas para fins de treinamento de animais, mas, depois que me formei e assumi a administração, resolvi apostar alto no turismo e na parte de hotelaria. Acho que temos um grande potencial para isso.
— Você acha? Cara, isso aqui é o paraíso!
— Conto com o seu trabalho para divulgar tudo isso e começarmos a ganhar dinheiro, Nick. — Ele faz sinal com a cabeça, apontando para a minha assistente, que está olhando os detalhes da decoração da casa. — Quem é a garota?
— Minha nova assistente.
Kate percebe os nossos olhos sobre ela e, meio sem jeito com a inspeção, se aproxima, com a bolsa apoiada no ombro. Aproveito para apresentá-los.
— Joan, essa é Kate Schmidt. E, Kate, esse é Joan Marli.
Observo o meu cliente olhá-la dos pés à cabeça e sorrir, estendendo a mão em seguida.
— Prazer, Kate!
Ela segura a mão do homem e, pela primeira vez no dia, vejo um sorriso seu… e é muito lindo, por sinal.
— Prazer, senhor Marli!
— Apenas Joan, Kate. Por favor!
Mais um sorriso surge em sua boca; porém, esse é acanhado.
— Ok, Joan!
— Precisa de ajuda com essa bolsa? Ela me parece bem pesada — pergunta ele, prestativo.
A garota me olha diretamente e, em seguida, volta o olhar para o cliente, fazendo um sinal negativo com a cabeça.
— Não, obrigada! Está tudo bem!
— Então tá! Vamos, preciso mostrar-lhe o campinho e finalizaremos com as trilhas e as pontes.
Após mais um longo tour pelo haras, voltamos para a empresa. Assim que estaciono o carro, Kate desce e segura a bolsa com os equipamentos. A garota veio o caminho todo completamente muda e permanece assim até então. Ela apenas entra no prédio e eu sigo ao seu lado, direto para o elevador.
Contudo, quando entramos no estúdio, ela começa a tirar da bolsa o equipamento que nem chegamos a usar e o arruma nas prateleiras de acordo com as instruções que lhe dei há algumas horas. Cada material é separado de acordo com a marca e a especialidade. Apenas a observo da minha sala.
Quando finaliza o trabalho, ela guarda a bolsa no suporte e vem para o meu escritório. Imediatamente me ajeito na cadeira e finjo olhar a tela do computador.
— Desculpe, senhor Reid, é que já são quase dezoito horas e eu… será que já posso ir?
— Ah, claro, Kate! Amanhã eu te aguardo aqui no mesmo horário. Iremos cedo para o haras. Não tem problema chegar mais cedo, tem?
Ela meneia a cabeça.
— Ótimo! Eu já tenho algumas ideias do que fazer e…
— Certo. Boa noite, senhor Reid! — interrompe-me bruscamente.
Em silêncio, observo o seu rosto por alguns segundos. Ela parece bem cansada.
Não pude deixar de observar o quão linda ela é, além de bem jovem. Kate deve ter seus dezoito ou dezenove anos. Contudo, parece que já sofreu tudo o que tinha de sofrer nesta vida. Ela tem um olhar sofrido, o rosto abatido, mas nada que tire a sua beleza e esse jeito de menina-mulher.
— Boa noite, Kate! — respondo, enfim.
Ela sai sem olhar para trás e eu fico apenas olhando-a se afastar. O jeans desbotado abraça o seu corpo e as pernas torneadas. A cintura fina e os quadris largos se destacam no tecido grosso. Não tenho como detalhar ainda mais o seu corpo devido ao casaco que acabou de vestir. Ela entra no elevador; entretanto, mantém a cabeça baixa, e as portas se fecham.
