Capítulo 4 Capítulo Quatro
— A Lilly também é dessa turma. Você se importa de levá-la? — Logan pergunta, me dando um aperto carinhoso.
Harrison sorri para mim.
— Mas é claro. Pronta para ir, Lilly? O horário de almoço está quase acabando.
— Hum, sim — digo, tentando me levantar. Logan me solta com relutância. — Vejo vocês mais tarde. — Sorrio e aceno para o pessoal.
Harrison passa o braço pelos meus ombros, e não consigo evitar olhar para trás para o Logan, que está fuzilando o Harrison com o olhar.
— Então, você e o Logan? — Harrison pergunta casualmente.
— Como assim? — pergunto, sentindo meu rosto corar.
— Está rolando alguma coisa entre vocês? — Harrison diz com um sorriso malicioso.
Alguma coisa? Como poderia estar rolando alguma coisa? Acabamos de nos conhecer hoje de manhã.
— A gente se conheceu hoje de manhã; não acho que esteja rolando nada — digo, e sinto o calor subindo pelo meu pescoço.
Harrison dá um sorriso de lado.
— Se você diz. Mas eu nunca vi o Logan agir de forma tão possessiva com ninguém na vida.
Possessivo? Comigo? Sinto borboletas no estômago e não consigo evitar um sorriso. Sinto Harrison apertar o braço ao redor dos meus ombros e olho para cima, para ele.
— Acho melhor te avisar. Seu adorável meio-irmão também é dessa turma.
Ryder? Sério? Droga, eu estava torcendo para conseguir evitá-lo o dia inteiro. Tinha dado sorte até agora. Harrison ri.
— Não é tão ruim assim. Você pode sentar do meu lado e a gente finge que ele não existe.
Sorrio para ele.
— Tudo bem.
A sala de aula é escura e cheia de computadores.
— Eu sento lá no fundo — Harrison diz, enquanto me guia para a última fileira.
Harrison se senta de frente para o computador no canto direito, no fundo da sala. Sento na cadeira ao lado da dele. Harrison me ajuda a fazer o login e a acessar o site certo.
— O professor sempre se atrasa um pouco.
A porta se abre e acho que vai ser o professor, mas, em vez disso, é o Ryder e uma morena magra que está com o braço enlaçado na cintura dele, como se fosse cair caso o soltasse.
Ryder e a garota que presumo ser a namorada dele caminham em direção à última fileira e se sentam no corredor oposto ao meu. Observo enquanto Ryder se senta na cadeira do corredor e a namorada se senta ao lado dele. Eu queria que ele fosse mais feio, mas, infelizmente, ele é lindo. Ele tem cabelos pretos bagunçados, olhos castanho-escuros e um porte físico musculoso e bronzeado. Pena que seja um babaca. Ele me flagra olhando para ele e eu desvio o olhar imediatamente, voltando minha atenção para o Harrison.
Harrison puxa minha cadeira para mais perto da dele, e sorrio quando ele coloca a mão na minha coxa.
— Então, você tem namorado?
— Você acha que eu deixaria você e o Logan me tocarem assim se eu tivesse namorado? — digo em um tom de flerte.
— É que algumas garotas não se importam, mesmo tendo namorado.
Reviro os olhos, mas não consigo evitar uma risada.
— Bom, eu não tenho namorado. — Eu nunca tive um namorado. Mas não conto essa parte para ele.
— Que bom. — Harrison se inclina para mais perto e sinto sua respiração na minha orelha. — Acho que você não se importa se eu fizer isso, então.
Lanço a ele um olhar confuso, mas, antes que eu consiga perguntar o que ele quer dizer, sinto sua mão deslizar bem mais para cima na minha coxa, mandando um arrepio pelo meu corpo. Puxo o ar com força. Antes que ele consiga subir mais, coloco minha mão sobre a dele e o encaro. Ele apenas pisca para mim em resposta.
— Será que o professor vai vir? — eu pergunto para o Harrison.
Harrison dá de ombros. — Sinceramente, acho que não. Ele quase nunca aparece.
— Ah. E o que a gente faz então?
— Basicamente isso — ele diz, acenando com a mão pela sala. Todo mundo está mexendo no celular e conversando.
Não consigo evitar o riso. — Bom, então tá.
Dou uma olhada para Ryder e a namorada dele. A namorada dele está tagarelando sobre sabe-se lá o quê, mas ele não está prestando a menor atenção. Em vez disso, ele está olhando para mim, com o olhar mais intenso que já vi. Não sei se olho de volta ou desvio o olhar. Harrison move a mão mais para cima na minha coxa e eu dou um pulo.
A atenção de Ryder desce para a minha coxa, e ele estreita os olhos para mim. — Por que ele está olhando para você? — Harrison sussurra no meu ouvido e eu finalmente desvio o olhar de Ryder.
— Acho que ele está olhando para a sua mão na minha coxa — sussurro de volta para Harrison, e ele sorri para mim.
— Deixa ele olhar — Harrison sussurra de volta.
Dou uma última olhada para Ryder, que ainda está encarando, e volto minha atenção para Harrison, que passa os braços em volta da minha cintura para me puxar para mais perto. — Sabe, a gente podia dar a ele outro motivo para olhar pra gente — Harrison diz com um sorriso malicioso.
— Ah é, o quê? — pergunto, genuinamente curiosa.
— A gente podia se pegar — Harrison diz com a cara completamente séria, e não consigo conter a risadinha que escapa de mim.
— Você é hilário — digo bem na hora que o sinal toca, indicando o fim da aula.
— Você deu sorte — Harrison diz, me dando um beijo rápido na bochecha.
— Tenho horário de estudos na biblioteca agora. Por acaso você vai estar lá comigo? — pergunto, esperando não ter que ir sozinha.
Harrison franze a testa para mim. — Não vou, mas acho que o Calvin vai.
— Ah, tá bom. Que bom que não vou ficar sozinha.
— Não sinta muito a minha falta, linda — Harrison diz com uma piscadela e outro beijo rápido na bochecha.
— Vai ser difícil, mas vou tentar sobreviver sem você — digo, dando um beijo na bochecha de Harrison. — Até mais — digo, acenando enquanto me viro e sigo em direção ao prédio da biblioteca.
Essa é a primeira vez no dia todo que tenho que andar para uma aula sozinha, e não vou mentir, não estou gostando.
— Lilly, Lilly, espera. — Ouço alguém chamando meu nome quando estou mais ou menos na metade da subida para a biblioteca. — Lilly. — Ouço de novo e finalmente vejo Calvin correndo na minha direção.
— Ah, oi — digo, acenando para ele.
— Caramba, garota, você anda como se estivesse sendo perseguida por um maldito serial killer — Calvin diz quando me alcança.
— Eu não — digo rindo.
Calvin bufa. — Anda sim. Nunca vi ninguém andar tão rápido para a aula na minha vida.
Não consigo evitar rir de novo. — Bom, desculpa.
Calvin entrelaça seu braço no meu. — Agora que consigo respirar de novo, deixe-me escoltá-la até a biblioteca.
— Pois muito obrigada — digo, colocando a mão no peito. — Me sinto especial.
Calvin ri e fazemos o resto do caminho morro acima jogando conversa fora. A biblioteca tem mais gente do que eu imaginava. — Não sabia que tanta gente estaria no horário de estudos — digo a Calvin quando encontramos uma mesa vazia.
