Capítulo 5 Capítulo Cinco
— É, eles meio que jogam todo o pessoal que sobra aqui. A galera que não tem nada melhor pra fazer — diz Calvin, sentando-se ao meu lado.
— Ah, entendi. E o que você faz aqui?
— Hum, normalmente fico mexendo no celular. Quando tenho lição de casa, eu faço, mas isso é bem raro — Calvin diz, dando de ombros.
Olhando ao redor da sala, vejo vários alunos das minhas outras turmas. A maioria me ignora, mas algumas garotas continuam me fuzilando com o olhar, do mesmo jeito que passaram o dia todo fazendo. Meu lado mais escroto tem vontade de perguntar qual é a porra do problema delas. A outra parte não quer arrumar treta logo no meu primeiro dia. Já dei sorte de fazer amizade com um grupo de garotos; a última coisa de que preciso é de uma guerra de um ano inteiro contra as garotas da escola.
A porta da biblioteca se abre de novo, e eu juro que ele está me seguindo.
— Eu não sabia que o Ryder era dessa turma — digo para Calvin, que está mexendo no celular.
Calvin levanta os olhos bem na hora em que o olhar de Ryder cruza com o meu.
— Ah, é. O babaca do seu meio-irmão é dessa turma.
— Obrigada pelo aviso — digo, dando um empurrãozinho de ombro no Calvin.
— Sempre que precisar, gata. Sempre — ele diz rindo, e eu não consigo evitar de rir também.
Ryder se senta em uma mesa na diagonal de mim e do Calvin, e consigo sentir seu olhar intenso sobre mim. Por que ele não para de me encarar desse jeito? Isso já está começando a me dar arrepios.
— Cara, por que ele tá te encarando desse jeito? — Calvin pergunta, e percebo que ele está olhando fixamente para Ryder.
Olho para Calvin.
— Não sei. Ele ficou encarando a mim e ao Harrison na minha última aula também. Achei que fosse só porque o Harrison estava dando em cima de mim, mas pelo visto não.
Calvin assente devagar, compreendendo.
— Vem cá — diz ele, esbarrando seu braço no meu.
— Aonde a gente vai? — pergunto, confusa.
Calvin se levanta e eu o sigo até um dos corredores de estantes. Ele se senta no chão do corredor, de costas para a parede.
— Vem sentar comigo — Calvin diz, abrindo as pernas e dando tapinhas no chão à sua frente.
— Você quer que eu sente aí? — pergunto, indicando com a cabeça o espaço entre as pernas dele no chão.
Um sorriso lento se abre em seus lábios e ele assente. Fico olhando para ele por um minuto antes de me sentar no espaço entre suas pernas.
— Pode encostar, gata — diz Calvin, passando os braços pela minha cintura e me puxando com delicadeza para trás, até eu ficar apoiada em seu peito.
— Quer ver uns vídeos de algumas partidas anteriores? Posso te explicar algumas regras pra você saber quando torcer por mim.
— E quem disse que eu vou precisar saber quando torcer por você? — pergunto, me virando de leve para encará-lo.
Calvin aperta os olhos na minha direção e abre um sorriso galanteador.
— Você já está usando o moletom de futebol americano do Logan, então eu sei que vai virar a nossa nova fã número um.
Sinto minhas bochechas esquentarem; para ser sincera, eu tinha até esquecido que estava com o moletom do Logan. Calvin dá uma risadinha no meu ouvido e não sei o que dizer. Ele entende meu silêncio como um sim e decide me mostrar alguns dos melhores momentos dos jogos do início da temporada e do ano passado. Achei que não fosse gostar, mas, não vou mentir, futebol americano parece ser bem interessante.
A aula passa voando e eu não conto para o Calvin, mas estou bem animada para ver os caras jogarem no próximo jogo. Quando o sinal toca anunciando o fim da aula, Calvin e eu seguimos cada um para o seu lado.
— Bom treino — digo, enquanto acenamos um para o outro.
Antes que eu consiga sair do prédio, sou parada por Ryder, que passa por mim sussurrando no meu ouvido:
— Nossa, você tá mesmo gostando de passar de mão em mão, hein?
A pergunta dele me pega tão desprevenida que não consigo pensar em uma resposta antes que ele desapareça colina abaixo em direção ao campo de futebol. Que babaca. Eu não estou passando de mão em mão. Eles são meus amigos. Continuo resmungando sozinha o caminho todo até o prédio principal, onde fica minha aula de História Geral.
— Oi, gata — Aaron diz quando esbarramos um no outro no corredor.
— Oi — respondo com um pouco menos de entusiasmo do que provavelmente teria, se não fosse pelo maldito do Ryder sendo um babaca.
— O que foi? — Aaron pergunta, me olhando com uma preocupação genuína.
— O Ryder é um babaca, só isso.
Aaron concorda com a cabeça.
— O que ele fez dessa vez?
Reviro os olhos.
— Nada, foi só uma coisa que ele disse depois de ver o Calvin e eu juntos na aula passada.
— Ah, então ele tá com ciúmes — Aaron constata, com naturalidade.
Solto uma risada antes que consiga me conter.
— Ciúmes de quê?
Aaron dá de ombros.
— Você é gata pra caramba e a namorada dele parece uma puta viciada.
Rio tanto que acabo roncando, o que faz vários outros alunos no corredor olharem para mim. Aaron apenas ri.
— Viu, até a sua risada é sexy.
Dou um tapa no braço dele enquanto tento controlar a risada.
— Você é louco. Não teve nada de sexy no meu ronco.
Aaron sorri.
— Pelo menos consegui fazer você rir. Agora vem, vamos pra aula.
Aaron segura a porta da sala aberta para mim e me empurra de leve em direção ao fundo da sala. Qual é a desses garotos de sempre sentarem no fundo? Eles têm alergia à primeira fileira ou o quê?
— Senta comigo — Aaron diz, puxando uma cadeira para a sua mesa.
— Tá bom — respondo, e o professor entra na sala.
Aaron se inclina bem perto e sussurra:
— O Sr. Wilkins é meio babaca, então, se precisar falar alguma coisa, é melhor escrever num papel.
— Valeu pela dica — sussurro de volta, e ele pisca para mim.
Essa aula é a que demora mais para passar de todas, e o Aaron não estava brincando. O Sr. Wilkins é mesmo um babaca. Nos quarenta e cinco minutos de aula, ele mandou dois alunos diferentes para a diretoria e deixou um de detenção. Caramba. Achei que o Aaron estivesse exagerando, mas não estava. Nunca fiquei tão feliz em ouvir o sinal de saída.
— E aí, como foi seu primeiro dia de aula aqui na adorável Pine Valley High School? — Aaron pergunta enquanto juntamos nossas coisas e vamos para o ponto do ônibus.
Penso um pouco a respeito.
— Sinceramente, foi muito bom. Acho que vou gostar daqui.
Aaron sorri.
— Que bom que você gostou.
A volta de ônibus para casa é tranquila. Aaron e eu sentamos no último banco, onde o Logan e eu tínhamos sentado hoje de manhã.
— Então, onde você mora? — pergunto ao Aaron depois de várias paradas.
