Capítulo 1 O Sr. Reid é tão gostoso
AVISO: Esta é uma obra de ficção erótica e não deve ser interpretada como qualquer outra coisa além disso. Não é um guia prático de BDSM, bondage ou relacionamentos. A autora não afirma ser especialista em nada ligado a kink e recomenda fortemente que qualquer pessoa interessada no assunto seja responsável, se cuide e pesquise por conta própria.
Se você veio só pela putaria, ela começa lá pela marca das 5 mil palavras. MAS!! Eu realmente recomendo que você leia tudo, porque enquanto eu escrevia, minha intenção era criar tensão sexual até dizer chega e, embora eu seja amadora, acho que a construção deixa a coisa real muito mais gostosa, e a própria tensão já é bem apimentada ;)
Mas seja lá como você quiser ler essa história, aproveite, e sinta-se à vontade para comentar! Com feedback suficiente eu com certeza vou continuar, e mesmo sem, provavelmente ainda vou, porque, sendo bem sincera, acho que eu preciso tirar isso do meu sistema.
Divirtam-se, pecadores ;)
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Não tem explicação.
Eu amo meu trabalho de dia, de verdade. Mas tem algo nas minhas atividades noturnas que simplesmente incendeia tudo dentro da minha alma. É como se tudo na minha vida, toda a merda, todo o lixo, sumisse assim que eu ponho o pé naquele prédio às dez da noite. A única coisa que sobra é excitação, adrenalina, expectativa.
E eu estou completamente no controle.
Mas, como eu disse, eu também amo meu trabalho diurno. Especialmente a pessoa para quem eu trabalho diretamente.
Como secretária do senhor Reid, o CEO da Reid Global, um conglomerado multimilionário que tem dedo em vários setores – energia, ciência, política, vendas –, eu tenho contato com muita coisa do negócio, mas também sei que tem muita coisa que eu não sei, muita coisa que eu não sou importante o bastante na hierarquia para saber.
Depois de um ano trabalhando para ele, porém, sinto que passei a conhecê-lo um pouco, e com certeza conheço a reputação dele. A fama dele pinta um homem de negócios frio, sem nenhum vínculo sério, alguns acham que ele é jovem demais para o cargo, com só 31 anos, mas ninguém pode negar que ele entrega resultado onde precisa.
Pessoalmente, eu sei que ele é gentil. Pelo menos, ele é comigo.
Eu entro na sala dele sem nem bater, um gesto que foi rapidamente esquecido depois das minhas primeiras semanas ali. Eu e David (ou Dave, como eu chamo quando somos só nós dois) nos conectamos rápido e facilmente, e aqui estou eu um ano depois, sem ter me arrependido um segundo sequer.
Ele está ao telefone, como quase sempre, mas eu começo minhas tarefas de sempre. Troco a xícara de café frio na mesa por uma nova, que ele provavelmente também vai esquecer, dou uma organizada nos arquivos sobre a mesa enquanto ele anda de um lado pro outro na sala, gritando com seja lá quem for que está do outro lado da linha, e deixo a agenda de amanhã ao lado do computador dele.
Levanto os olhos para ele quando termino, me lembrando do outro motivo pelo qual eu gosto tanto desse trabalho.
O senhor Reid é um tesão.
O paletó está largado numa das cadeiras, mas ele ainda está de camisa social, colete, calça de alfaiataria e sapatos engomadinhos. Ele é o estereótipo perfeito de CEO, mas o cabelo escuro faz os olhos azuis cortantes se destacarem do outro lado da sala, e eu secretamente amo o fato de que ele parece sempre comprar camisa do tamanho errado, fazendo os músculos esticarem um pouco o tecido.
Ele me pega no flagra olhando para ele e sorri, depois revira os olhos e levanta um dedo, pedindo para eu esperar, o que me diz que ele já está mentalmente de saco cheio da conversa que está tendo.
Eu fico parada, paciente, atrás da mesa dele, abraçando contra o peito os arquivos velhos de que ele não precisa mais, uma das mãos segurando a caneca de café de duas horas atrás, esperando ele finalmente desligar.
“Eu não vou repetir, Owen, era pra isso estar pronto faz dois dias. Se o contrato assinado não estiver na minha mão até uma da tarde amanhã, considere que hoje foi seu último dia.” David rosna no telefone, antes de finalmente encerrar a ligação.
Ele fecha os olhos e inspira fundo.
“Eu te disse semanas atrás pra não colocar o Owen nessa, Dave.” eu digo. Ele abre os olhos e solta uma risada baixa, então vem na minha direção.
“Eu sei que disse, mas eu não posso deixar os chefes descobrirem que eu sigo conselho de estratégia da minha secretária. Eles vão achar que eu tô ficando mole.” ele responde enquanto pega o café fresco e toma um gole.
— Pois a sua humilde secretária fica mais no piso do que você, então talvez devesse começar a ouvir ela no futuro. — respondo, dando a volta na mesa e passando por ele. — Eu ainda deixo você ficar com o crédito.
— Vou levar isso em consideração. — ele responde, apoiando o café na mesa e se virando para encostar no tampo enquanto me observa caminhar até a porta. — Terminou tudo por hoje?
— Terminei, sim. — digo, parando de andar. — Mas deixei o arquivo do Vance separado pra você, você precisa…
— Argh, eu sei. — ele geme, esfregando o rosto com as mãos.
— Ele quer uma reunião semana que vem.
— Diz pra ele que eu tô ocupado.
— Eu tô dizendo isso há dois meses. — rio, voltando a andar na direção dele. — Ele só quer a sua proposta inicial, então deixa de frescura com ele e resolve isso. — ordeno, parando bem na frente dele.
Ele passa a língua no lábio inferior enquanto olha pra baixo, pra mim, com uma sobrancelha erguida.
Qualquer outro chefe, e eu estaria apavorada de falar desse jeito. Mas o Dave e eu? Pra mim isso é normal, essa provocação amigável. A sobrancelha levantada e o lance do lábio também são só um hábito dele, um que eu nunca quero que ele perca.
— Eu já fiz um rascunho pra você. — acrescento, fazendo a expressão dele desabar.
— Fez? — ele pergunta, alcançando o arquivo, abrindo e passando os olhos pelas páginas.
Eu dou uma risada enquanto volto em direção à porta. — Claro que fiz, porque você nunca ia fazer.
— Isso aqui tá uma merda, Nora! — Ele franze a testa, apontando pras folhas.
— Ah, eu sei, fiz de propósito pra ficar ruim, assim você se anima pra corrigir. — explico com um sorriso aberto. Ele revira os olhos.
— Ardilosa. Vai fazer alguma coisa hoje à noite? — ele pergunta, mesmo já com a atenção de novo na proposta porcaria e com a caneta na mão pra começar a editar. Isso faz com que ele não perceba meu corpo ficando ligeiramente tenso.
— Nada demais. De sempre. E você? — pergunto, educada.
— Tenho quase certeza que vai ser mais disso aqui. — ele diz com um leve suspiro, se sentando na cadeira e largando o arquivo em cima da mesa. Olha pra mim com um pequeno sorriso nos lábios. — Te vejo de manhã.
— Até de manhã. — repito, e então vou embora.
~ ~ ~ ~ ~
Quatro horas depois, estou entrando no outro prédio onde passo a outra metade da minha vida. Respiro o cheiro familiar, reparo nos rostos familiares e deixo a sensação, também familiar, de empolgação começar a se espalhar pelo meu corpo. Não tem nada igual.
No meu trabalho diurno, eu estou interpretando um papel. Nora Ellis, secretária do senhor Reid. Vista, mas não ouvida. Ninguém em quem alguém olharia duas vezes.
Aqui, porém? Aqui eu uso outro nome, outra parte da minha personalidade, e definitivamente não passo despercebida, principalmente com minha máscara icônica de renda roxa e preta que todo mundo já conhece tão bem.
É uma máscara simples, cobrindo a região ao redor dos olhos, com a renda caindo delicadamente pelas bochechas, a fita amarrada atrás da cabeça e pequenas gotas de pedrinhas negras adornando as bordas. Ela se destaca em contraste com a peruca vermelha que também uso, outro detalhe pelo qual todo mundo já me reconhece.
Faço um aceno pros seguranças na porta de funcionários, deixando que abram pra mim, e passo. Vou direto cumprimentar e abraçar o pessoal que também trabalha aqui, antes de todos começarmos a sair em fila para o salão principal. Rapidamente identifico os clientes de sempre, os novatos, a área de cada menina pra cobrir naquela noite, e faço um sinal de cabeça pro bartender, que imediatamente começa a preparar minha bebida.
O lugar não é meu, mas o pessoal me considera como se eu fosse a terceira no comando. A Selena, a ruiva de verdade, é quem manda. Ela é a dona. O segundo no comando é o Nico. Ele fica atrás do bar, fingindo ser só um barman comum, mas se alguma coisa acontece, ele aparece em um segundo e põe qualquer um pra fora, mesmo que o cara tenha o dobro do tamanho dele.
Depois vem eu, extraoficialmente. Eu simplesmente estou aqui há tanto tempo que todo mundo assume que faço parte da gerência, e minha proximidade com a Sel e o Nico só reforça essa ideia. De qualquer forma, eu às vezes penso nesse lugar como minha segunda casa, já perdi a conta de quantas vezes eu, a Sel e o Nico acabamos dormindo aqui depois que as portas se fecham, acampando no escritório dela quando estou entre um apartamento alugado e outro, sabendo que, se eu precisar de qualquer coisa, esse lugar tá aqui.
Respiro fundo, sorrindo sozinha enquanto me apoio no balcão, me preparando para uma noite divertida de pura devassidão.
Eu realmente amo trabalhar em um clube de BDSM.
