Capítulo 7 Eu aceito
Decido não responder a ele por enquanto. Em vez disso, caminho até o armário que eu tinha prometido pra mim mesma que não abriria hoje à noite.
— Se adorar é a recompensa, eu quero ver a punição — digo, dando um passo pra trás e apontando com a mão para o armário.
Ele tira o paletó, e eu observo sem disfarçar os músculos esticando o tecido da camisa, igual no escritório. Mas aqui a energia é outra.
Então ele vai até o armário, parando na minha frente por um segundo antes de se virar para olhar bem os objetos. Eu dou um passo pra trás pra dar espaço pra ele decidir, voltando para me encostar na mesa enquanto ele escolhe. O armário só tem os brinquedos de iniciante: algemas, chicotes tipo flogger e coleiras simples. É para explorar interesses e, quando as preferências forem descobertas, os brinquedos mais pesados e complexos podem entrar em cena.
— Aquele da Sala que você me mostrou, não tá aqui — ele diz depois de alguns segundos. Minha respiração prende na garganta.
Claro que ele ia querer o chicote de nove tiras.
— O Cat o’Nine Tails é um que exige prática pra usar. A gente só traz ele quando nós dois entendermos os nossos limites.
— Então é só pra eu escolher um e te bater? — ele pergunta, erguendo uma sobrancelha.
Eu suspiro e volto a caminhar até ele.
— Se eu concordar, você vai fazer isso com bastante frequência, senhor Reid — retruco, fazendo o ar arrogante sumir do rosto dele. — Então é melhor a gente começar de algum lugar.
Estendo a mão e pego o flogger de couro.
— Esse é parecido com o de nove tiras. Se você quiser começar com ele — explico, entregando o brinquedo pra ele.
Ele concorda com a cabeça, mas, quando vou voltando para as poltronas, ele pega alguma coisa em cima da mesa.
Eu espero pacientemente ele se aproximar, virando um pouco o corpo quando ouço o flogger batendo na mesa.
É quando eu noto a venda na mão dele.
Ele se aproxima, encaixa o tecido por cima da minha máscara, cobrindo meus olhos. Sinto as mãos dele atrás da minha cabeça, amarrando tudo, mas também sinto a respiração dele contra a minha bochecha. Isso faz a minha pele arrepiar.
— Ajoelha — ele sussurra no meu ouvido.
A pura dominância na voz dele provoca uma onda de calor úmido que encharca minha calcinha. Meu coração dispara.
Eu inspiro.
Então, coloco lentamente a mão na lateral da mesa e me ajoelho com elegância, como se fosse algo natural, apoiando as mãos em cima dela.
— Tem algum lugar que eu não posso te bater?
— No rosto — respondo na hora, com um sorriso pela cavalheirice de perguntar. — Meu emprego diurno não ia gostar muito.
Quase solto uma risada pela ironia quando, de repente, ouço o arrastar alto de madeira à minha esquerda e estendo a mão, hesitante.
Ele moveu a mesa.
Outro arrastar, e tenho quase certeza de que é a cadeira sendo afastada, me dando espaço. Dando espaço pra ele.
— Mão — ele ordena, e eu não preciso perguntar o que ele quer. Estendo a mão, com a palma voltada pra cima, sentindo as tiras de couro do flogger roçando nela. — Pra alguém que disse que não é submissa, você é muito boa nisso — ele comenta, enquanto meus ouvidos tentam localizar onde ele está no quarto.
Eu sorrio com o elogio, mas não digo nada.
Então o flogger estala na minha mão. Eu não recuo. Não me mexo.
— Me dá uma escala de quão forte foi — ele ordena, a voz de repente no meu ouvido direito.
Sinto a excitação inundar meu corpo.
— Três.
Ele repete.
— Cinco.
De novo.
— Cinco — repito, com um sorrisinho, sabendo que ele está me observando.
— Você tá sendo uma brat de propósito? — ele rosna de algum lugar acima de mim.
— Tô sendo sincera — explico. — É um substituto bem fraco pro de nove tiras.
Ouço um baque no chão e presumo que ele jogou o brinquedo de lado.
Eu sobressalto quando os dedos dele se fecham ao redor da minha garganta, puxando meu rosto até ficar a poucos centímetros do dele.
— Talvez a gente deva esperar até você me autorizar a usar aquele, então — ele diz em voz baixa.
Consigo sentir a respiração dele nos meus lábios, mas a pressão da mão na minha garganta faz o sangue pulsar tão forte nos meus ouvidos que as palavras saem um pouco abafadas. Ele me solta, e eu ouço os passos dele cruzando o quarto, seguidos de barulho de coisas sendo mexidas.
Ele está pegando outra coisa.
— Levanta — ele ordena, e eu me ergo, trêmula, quando ouço os passos se aproximando de novo.
Os dedos dele se fecham gentilmente ao redor do meu pulso, puxando-o para trás das minhas costas, e logo sinto o metal frio deslizar em volta de mim.
As algemas.
Eu deixo que ele prenda minhas mãos atrás das costas, e então ele usa a algema para me puxar pelo cômodo. Pisco por trás das máscaras, esperando ansiosa pelo que ele vai fazer.
Ele me firma por um segundo, depois as mãos dele vão parar nos meus quadris, guiando meus passos para frente. Meus joelhos batem em algo sólido, me fazendo parar. As mãos dele escorregam até meus joelhos, e ele me incentiva, com delicadeza, a levantá-los. Eu obedeço, um de cada vez, enquanto ele os puxa e posiciona de cada lado do colo dele, até que eu esteja montada nele, enquanto ele está sentado na cadeira.
O ar fica pesado, silencioso, enquanto nós dois esperamos. Ele me encara, esperando ver alguma reação, enquanto eu espero as mãos dele se moverem, espero ele falar.
— Posso te tocar? — ele finalmente pergunta.
O plano é conversar, só conversar, alinhar os limites dele com os meus. O plano não é fazer nada hoje à noite.
E mesmo assim, eu me pego assentindo.
Os dedos dele sobem pela minha coxa, de leve, como se estivesse desenhando um padrão invisível na minha pele. Sinto meu quadril querendo se mexer, roçar nele, mas me forço a ficar imóvel.
Ele levanta a barra da minha camisola, o tecido se acumulando na altura do meu quadril, o ar roçando na pele recém-exposta. Um dedo desliza pela linha da minha calcinha. Meu coração martela no peito enquanto eu espero, mas ele não me deixa esperando muito. O dedo passa rápido pelo meu clitóris, e o tecido entre nós não faz nada para diminuir a sensação. Meu corpo treme em resposta, e a outra mão dele sobe para o meu pescoço, apertando do mesmo jeito que já fez antes. Minha boca se abre num arfar, e ele pressiona a mão com mais força contra mim.
— Vou te fazer algumas perguntas. Você precisa responder cada. Uma. Delas. Entendido? — ele rosna, e eu balanço a cabeça.
Ele começa a mexer a mão, esfregando meu centro por cima da calcinha.
— O que é fora dos limites pra você?
Lambo os lábios, sem saber quão honesta devo ser.
Ele arranca a mão de mim, fazendo meu quadril estremecer de necessidade.
— Responde. — ele exige.
— Não muita coisa. — suspiro, e então ele põe a mão de volta em mim. Minha cabeça tomba um pouco para trás.
— Palavras de segurança?
— Depende. — respondo. — Sempre que eu tô de submissa, geralmente minha boca costuma estar meio… ocupada. — digo, com um leve sorriso.
Os dedos dele apertam mais no meu pescoço.
— Como eu te chamo? — é a próxima pergunta. Eu penso no assunto enquanto ele continua acariciando meu clitóris.
Sinto meus olhos virarem de prazer.
— O que você decidir. — acabo dizendo. A mão dele puxa meu pescoço, trazendo meu rosto para perto do dele, onde sinto a respiração dele roçar nos meus lábios.
— E como você costuma ser chamada?
— Senhora. — arfho. — Mas isso não se aplicaria exatamente a nós dois.
Quero ver o rosto dele, saber se ele tá sorrindo com a minha resposta ou não. Em vez disso, tudo que tenho é o silêncio, e os dedos dele no meu centro, me provocando, ameaçando deslizar pela minha umidade. Quero que ele tire minha calcinha. Tento rebolar, dizendo em silêncio o que eu quero, mas ele não reage de maneira diferente.
— Você decidiu aceitar? — ele pergunta, e meu corpo inteiro fica tenso. Eu não respondo. — Boneca? — ele rosna, me pressionando a responder, mas eu continuo em silêncio.
Ele tira a mão de mim. Tira a outra do meu pescoço. Depois alcança minhas costas, abrindo as algemas dos meus pulsos. Quando estou livre, ele começa a empurrar meus quadris para trás, me fazendo descer do colo dele, e segura minhas mãos para me ajudar a ficar de pé.
Sinto os dedos dele na minha máscara, separando com cuidado a de cima da de baixo, e ele puxa a de cima pela minha cabeça. Eu pisco de volta para o quarto, focando nele parado na minha frente. O rosto absurdamente lindo dele, bem ali, só me devorando com o olhar.
— O que você tá fazendo? — franzo a testa.
— Me avisa quando decidir. — ele diz simplesmente, pegando minha mão, levando meus dedos à boca e depositando um beijo neles. Eu o encaro, confusa, enquanto meu corpo pulsa de desejo, querendo que ele termine o que começou.
Ele se vira e caminha até a porta. Quando ouço a maçaneta girar, meu cérebro finalmente entra em ação.
— Sr. Reid? — chamo, fazendo-o congelar e virar a cabeça para me olhar.
Eu respiro.
— Eu aceito.
