Capítulo 2 Capítulo 2: O ponto de vista de OLIVE
Capítulo 2: Ponto de vista da OLIVE
“Eu não vou a esse jogo. Que porra eu tinha na cabeça?”
Bati a testa na minha mesa com força suficiente pra fazer meu monitor tremer. Tomar decisão de vida baseada numa foto de revista? Esse era um novo fundo do poço, até pra mim.
A Brenda nem levantou os olhos do computador. “Você não pode amarelar agora. Você já confirmou.”
“Eu fiquei toda empolgada pra ir porque vi um cara gato numa revista. Numa revista, Brenda. Isso é insano.”
“E?” Ela continuou digitando. “Eu acho perfeitamente razoável. Não é todo dia que alguém encontra o rebote segundos depois de um término.”
“Eu não tô tentando dar o troco—”
“Dar o troco pra quê? Pra ficar aqui sentada, pensando demais, até se convencer de que a traição do Cole foi culpa sua?” Ela parou de digitar e virou pra mim. “Porque eu já tô vendo isso acontecer. Você tá fazendo aquela coisa de entrar em parafuso.”
Ela tinha razão.
“E se eu não estive presente o suficiente?” As palavras saíram de uma vez. “E se a distância foi difícil demais—”
“Ok, para. Para agora mesmo.” Brenda se levantou e se encostou na minha mesa. “Eu vou falar isso uma vez só. Para de ser uma chorona por causa de uma pica medíocre.”
Minha boca se fechou na hora.
“Eu tô falando sério, Olive. Cole Maddox é medíocre no hóquei, medíocre na cama — sim, você me contou, bêbada de vinho, nem vem negar — e, aparentemente, medíocre em ser fiel. Você passou dois anos pegando chuva nos treinos dele. Dirigiu três horas pra ver ele esquentar banco. E é assim que ele te paga? Que se foda ele.”
“Eu sei, mas—”
“Mas nada. Você vai pra Chicago. Você prometeu pro Hunter meses atrás que ia estar lá no primeiro jogo dele na NHL. Essa promessa não tinha nada a ver com o Cole e tudo a ver com o seu irmão, que sempre esteve do seu lado.”
E ela também tinha razão nisso. O Hunter vinha me pedindo pra ir aos jogos desde que assinou com o time afiliado. Naquela época, a ideia de ele chegar à NHL parecia uma fantasia bonitinha. Agora era real, e eu tinha prometido que estaria lá.
“Tá, eu entendi.” Mas eu já estava sorrindo, só um pouquinho.
“Ótimo. Agora para de entrar em parafuso e—” Ela parou no meio da frase, os olhos travando em alguma coisa atrás de mim. “Ah, merda.”
Eu me virei pra seguir o olhar dela.
A TV.
E bem ali, ocupando a tela inteira, estava o rosto do Cole.
Meu estômago despencou.
Ele estava bonito. Claro que estava bonito. Cabelo loiro perfeitamente arrumado, olhos cinzentos que pareciam quase prateados sob as luzes da câmera.
Mas não foi isso que fez minha respiração falhar.
Porque encaixada debaixo do braço dele, colada ao lado dele como se pertencesse ali, havia uma mulher.
Deslumbrante. Cabelo loiro caindo em ondas perfeitas, um vestido vermelho que marcava cada curva.
Ela estava rindo. Cabeça jogada pra trás, a mão pousada no peito do Cole, dedos abertos como se ele fosse dela.
E aquele cabelo — era exatamente o cabelo que eu tinha visto caindo pelas costas dela naquela videochamada.
“Cole Maddox foi visto ontem à noite com a suposta nova namorada, Sophia Mercer, a bordo de um cruzeiro particular”, a voz da repórter preencheu o escritório.
Um texto branco apareceu embaixo do rosto dela.
Sophia Mercer, 23
Mercer.
“Ela é parente dele”, eu sussurrei.
Os dedos da Brenda já estavam voando no teclado. “Deixa eu ver — ah. Ah, merda. Olive.”
Ela virou o monitor na minha direção.
Zane Mercer — Principal jogador da NHL no Chicago Wolves. Uma irmã: Sophia Mercer, 23.
E tinha uma foto. Uma foto de ação. Zane no gelo, sem capacete, o cabelo escuro de suor, a mandíbula travada. Os olhos brilhando de fúria.
Ele parecia perigoso. Poderoso.
E eu já tinha visto aquela foto antes.
A ficha caiu com força.
“Olive?” A voz da Brenda soou distante.
Seis meses depois de eu e o Cole começarmos a namorar. Eu estava procurando uma caneta na bolsa de treino dele quando encontrei uma foto enfiada dentro do caderno. Dobrada. Escondida.
Essa foto.
"Quem é esse?" eu tinha perguntado.
O Cole arrancou a foto das minhas mãos. O rosto dele ficou vermelho, o maxilar travado.
"Não encosta nisso." A voz dele saiu cortante. "Nunca mais mexe nas minhas coisas, Olive."
Depois ele amoleceu. Beijou minha testa, disse que estava estressado. Mas nunca explicou a foto.
E eu tinha esquecido disso.
Até agora.
"Eu já vi ele antes", sussurrei.
"O quê?"
"O Zane. Essa foto. O Cole tinha ela. Escondida na bolsa de treino dele. Um ano e meio atrás. Eu achei por acidente e ele surtou. Ficou estranho, na defensiva."
Os olhos da Brenda se arregalaram. "Então o Cole tá obcecado pelo Zane desde o começo do relacionamento de vocês?"
Meu estômago revirou. "Você acha que ele tá com a Sophia pra chegar perto do Zane?"
"Meu Deus. Faz sentido." A Brenda já estava abrindo o Instagram da Sophia. "Olha isso aqui."
Foto atrás de foto. A Sophia em jogos, em camarotes VIP, cercada de jogadores. E em várias delas, aparecendo um pouco desfocado ao fundo—
Zane.
"O Cole viu isso. Usou ela pra ter acesso."
"Eu nunca fui suficiente porque eu não tinha ligação com as pessoas certas."
"Ei." Brenda segurou meu rosto. "Nem vem. O Cole é um filho da puta arrivista que usa as pessoas. Você era boa demais pra ele."
Meu celular vibrou na mesa.
Um e-mail. De… Cole.
Eu não queria abrir.
Mas abri mesmo assim.
'Me desculpa, Olive. Eu nunca quis que as coisas terminassem desse jeito. Mas eu cheguei a um novo nível na minha carreira e preciso de alguém que esteja à altura. Alguém capaz de me ajudar a crescer. Você foi ótima pro momento em que eu estava, mas agora eu preciso de mais. Espero que você entenda.'
O celular escorregou dos meus dedos.
Alguém capaz.
Ele tinha acabado de me dizer que eu não era capaz o bastante. Depois de dois anos. Depois de tudo.
Brenda pegou meu celular num bote, o rosto dela mudando de preocupação pra pura fúria. "Depois que você pega ele te traindo—ele te manda um e-mail terminando? Te chamando de incapaz?"
Eu não conseguia respirar.
"Pera. Tem mais." Ela já estava rolando a tela no próprio celular. "Eu fui atrás dele desde ontem. Achei as fotos marcadas dele no Instagram, as que ele tentou desmarcar. Olive. Olha."
Uma foto. Cole. Com uma mulher.
Cabelo vermelho. Não era a Sophia. Outra pessoa.
Casa de praia, os dois agarrados, se beijando.
O horário dizia nove meses atrás.
"Nove meses", eu sussurrei.
"Tem outra. De dois meses atrás. Outra garota. Porra, Olive, tem pelo menos cinco mulheres diferentes no último ano."
Eu encarei a tela. A prova. O padrão.
"Você vai nesse jogo." Os olhos dela estavam em chamas. "Você vai entrar lá parecendo um acontecimento. Cabeça erguida."
"Eu não quero vingança—"
"Isso não é sobre vingança. É sobre você lembrar quem diabos você é." Ela apertou meu braço. "Você é a Olive Monroe. Você é inteligente, você é linda, e você não engole desaforo de ninguém quando não tá sendo manipulada por homens medíocres."
Eu olhei aquele e-mail de novo. Alguém capaz.
Que se foda.
"Eu vou", eu disse.
A Brenda abriu um sorriso. "Isso, garota."
"Eu vou apoiar o Hunter. Meu meio-irmão sempre foi bom comigo, e eu prometi pra ele que eu ia estar lá." Minha voz ficou mais firme. "E eu vou ficar gostosa pra caralho, num nível que, se o Cole me ver, ele engasga com a própria merda."
Eu respirei fundo. Pela primeira vez desde aquela videochamada, não parecia que meu peito estava desabando.
Parecia raiva.
Eu parei, olhando de novo pra foto do Zane no computador da Brenda. Aqueles olhos azuis e gelados. Aquela energia perigosa.
O homem cuja irmã o Cole estava usando. O homem que meu padrasto odiava. O homem que, de algum jeito, tinha se enroscado em tudo isso sem nem saber que eu existia.
"E o Zane?", eu perguntei baixo.
Brenda ergueu uma sobrancelha. "Eu acho que o Zane é exatamente quem você deveria estar pensando."
