Capítulo 4 Capítulo 4: O ponto de vista de Olive

Capítulo 4: POV da Olive

—O que eu estou disposta a te dar?

Eu encarei ele como se ele tivesse acabado de falar uma língua que eu não entendia. Porque que tipo de pergunta era aquela, pelo amor de Deus?

Minhas sobrancelhas se juntaram tão forte que minha testa chegou a doer.

—O que isso quer dizer? Eu não… eu não te conheço porra nenhuma. E você tá aqui me perguntando o que eu tô disposta a te dar?

Eu ri. Saiu amargo. Sarcástico. Um pouco fora de controle.

Mas minhas bochechas estavam queimando. Pegando fogo. Por causa do quão perto ele estava, porque eu conseguia ver cada detalhe do peito dele — aqueles abdominais, aqueles braços, aquela cicatriz acima da sobrancelha que fazia ele parecer perigoso em vez de perfeito — e meu corpo estava me traindo de um jeito que eu não queria nem pensar.

Quando eu me obriguei a encarar os olhos dele de novo, alguma coisa na expressão dele fez meu estômago revirar.

—Cole Maddox.

Meu sangue virou gelo.

Cada músculo do meu corpo travou.

—O que foi que você disse?

—Cole Maddox — ele repetiu. Calmo. —Eu sei sobre ele. Sobre o seu relacionamento. Que ele tem te traído com a minha irmã. Que ele te usou por dois anos e depois te largou como se você não fosse nada.

O mundo girou.

Como diabos ele sabia do Cole? De qualquer coisa?

Isso era algum tipo de jogo doentio? Foi o Cole que mandou ele aqui? Meu meio-irmão estava metido nisso?

—E você é o quê? — minha voz tremeu, a raiva se infiltrando no choque. —A equipe de limpeza? Veio pra quê… passar um pano na mancha que o Cole deixou? Garantir que a ex-namorada coitada e patética não passe vergonha?

A sobrancelha dele se ergueu. Divertido. Como se aquilo estivesse entretendo ele.

—Foi o Cole que te mandou? — eu dei um passo à frente, não consegui evitar, a raiva atropelando qualquer instinto de autopreservação. —Pra garantir que eu fique longe dos joguinhos dele? O Hunter tá nessa também? Isso é alguma piada doentia em que todo mundo pode rir da garota que foi idiota o bastante pra acreditar que o namorado amava ela?

Não era uma pergunta. Era uma acusação.

E o jeito como os lábios do Zane se curvaram — como se ele estivesse curtindo aquilo, a minha confusão, a minha raiva, o jeito como eu estava desmoronando bem na frente dele — me deu vontade de dar um tapa nele.

Ou beijar ele.

Eu não sabia qual impulso era mais forte, e isso me assustou mais do que qualquer coisa.

—Cole Maddox é irrelevante pro que tá acontecendo entre a gente agora. — A voz dele baixou, e eu odiei o fato de isso fazer minhas pernas fraquejarem. —Mas eu tenho uma proposta.

Eu pisquei.

—Uma proposta.

—Sim.

—De um completo desconhecido que, por algum motivo, sabe tudo sobre o meu relacionamento fracassado, uma decisão impulsiva por causa de revista, e ainda me fez ser trazida pra uma sala com desculpa falsa.

Os lábios dele tremeram de leve.

—Quando você fala assim, fica bem ruim.

—Porque é ruim.

—Me escuta.

—Por que eu deveria? — Mas eu não me mexi. Não fui embora. Porque, por mais que eu quisesse, por mais que cada parte lógica do meu cérebro estivesse gritando pra eu correr, eu não conseguia.

Eu precisava saber o que ele queria. Por que ele sabia do Cole. Que porra estava acontecendo.

Ele deu mais um passo pra perto.

Meu fôlego travou.

Eu queria recuar. Queria colocar espaço entre nós. Mas minhas costas bateram na parede atrás de mim e eu percebi, num sobressalto, que eu vinha recuando esse tempo todo sem nem notar.

Merda.

—Sai comigo.

As palavras ficaram penduradas no ar entre nós.

Eu pisquei. Uma vez. Duas.

—O quê?

—Seja minha parceira. Em público. A gente vai a eventos juntos. Você ganha visibilidade. Faz o Cole Maddox se arrepender de cada decisão que ele já tomou nessa vidinha patética dele.

Meu cérebro engasgou. Parou. Tentou reiniciar e falhou.

—Você quer que eu… — eu nem consegui terminar a frase. —Que eu saia com você.

—Sim.

—De mentirinha.

—Importa se é de mentirinha? — Ele inclinou a cabeça, e o movimento me fez notar o quanto ele estava perto. Perto demais. Nem perto o bastante. —O resultado é o mesmo. O Cole se ferra. Você segue em frente parecendo que fez um upgrade. Todo mundo ganha.

Eu encarei ele.

Ele estava falando sério. Aquele homem — aquele estranho que parecia ter saído direto das minhas fantasias mais inadequadas — estava ali, na minha frente, me pedindo pra fingir que estava namorando com ele só pra deixar meu ex com ciúmes.

Como se isso fosse normal. Como se as pessoas fizessem isso todo dia. Como se eu não tivesse passado os últimos três dias me convencendo de que já tinha encerrado essa fase de vingança, joguinhos e tudo mais.

“Por quê?” Minha voz falhou. “Por que você iria querer isso? Você nem me conhece. Não me deve nada. Então por que diabos você ia se oferecer pra—pra—”

“Porque isso também me beneficia.”

Aquilo me travou. As peças tentando se encaixar no meu cérebro confuso e sobrecarregado.

“Como?”

A expressão dele mudou. Algo mais sombrio atravessou o rosto, algo que fez os pelos dos meus braços se arrepiarem.

“Digamos apenas que eu e o Cole Maddox temos… pendências. E ter você ao meu lado acelera certos planos que eu já coloquei em andamento.”

“Planos.” Eu repeti a palavra como se ela fosse fazer sentido se eu dissesse em voz alta. “Que tipo de planos?”

“Do tipo que eu não vou explicar.”

“Claro que não.” Eu ri, um riso seco, sem humor. “Então você quer que eu aceite fingir que estou namorando você — um completo desconhecido — por motivos que você não vai explicar, pra me vingar de um ex que eu estou tentando esquecer, enquanto você me usa pra algum plano misterioso envolvendo o Cole que você também não vai me contar.”

“Quando você fala assim—”

“Parece insano. Porque é insano.”

Ele deu mais um passo pra perto.

E, dessa vez, quando eu tentei recuar, não tinha pra onde ir.

A parede estava ali. Ele estava ali. Me encurralando sem encostar em mim de verdade, e de algum jeito isso piorava, porque eu sentia o calor dele irradiando, sentia o cheiro daquele perfume caro — ou sabonete, ou seja lá que porra era aquilo — que fazia minha cabeça girar.

“Pensa bem, Olive.” A voz dele agora estava só um pouco acima de um sussurro. Íntima. Como se fôssemos as únicas duas pessoas no mundo. “Você entra em todo evento comigo, de braços dados. Fotógrafos pra todo lado. As redes sociais enlouquecendo. E o Cole vê tudo. Vê que você seguiu em frente. Vê você com alguém melhor. Com alguém por quem ele vem obcecado há—quanto foi que você disse? Um ano e meio?”

Meu coração batia tão forte que eu tinha certeza de que ele conseguia ouvir.

“Você sabe da foto.”

“Eu sei tudo sobre o Cole Maddox.” Os olhos dele se prenderam nos meus, e eu não consegui desviar, mesmo querendo. “Inclusive o que ele fez com você.”

“Então você sabe que eu estou tentando seguir em frente. Esquecer ele. Não ficar brincando.”

“Isso não é um jogo.” Ele se inclinou. Só um pouco. O suficiente pra eu conseguir contar os cílios dele, se eu quisesse. “Isso é poder, Olive. Você assume o controle da história. Você mostra pra ele e pra todo mundo que você não é uma garota que ele pode descartar. Você é alguém que ele nunca mereceu desde o começo.”

Meu Deus, ele era bom.

As palavras dele se enrolaram em mim como uma armadilha do caralho. Como se ele soubesse exatamente o que dizer pra isso parecer tentador, pra me fazer querer dizer sim mesmo com cada parte racional da minha cabeça gritando que aquilo era uma ideia péssima.

E a pior parte?

Estava funcionando.

Eu conseguia ver a cena. Entrando naquela arena no braço do Zane Mercer. Flashes estourando. A cara do Cole quando me visse. O choque. O ciúme. O arrependimento.

Ia ser tão bom.

Tão, tão bom.

Mas—

“O que você ganha de verdade com isso?” eu perguntei, me obrigando a focar além do calor, da proximidade e do jeito que os olhos dele estavam me fazendo esquecer como pensar. “Porque eu não compro essa desculpa de ‘pendências’. Tem outra coisa. Então o que é? O que você realmente quer de mim?”

O maxilar dele se contraiu.

Por um instante, eu achei que ele não fosse responder. Que fosse desconversar, mudar de assunto ou fazer qualquer coisa que homens poderosos faziam quando não queriam abrir mão do controle.

Então ele sorriu. Devagar. Perigoso. Um tipo de sorriso que me fazia pensar em lobos, em acasalamento e em coisas que pareciam lindas… até deixarem marca.

Capítulo Anterior
Próximo Capítulo