Capítulo 5 Capítulo 5: O ponto de vista de Olive
Capítulo 5: Ponto de Vista da Olive
— Talvez eu só goste da ideia de ver o Cole Maddox se contorcendo.
— Isso não é uma resposta de verdade.
— É a única que você vai ter.
— Então não me interessa.
— Tem certeza? — A mão dele se ergueu devagar, como se estivesse me dando tempo de me afastar, de reclamar, de mandar ele parar — e os dedos roçaram no meu maxilar.
E eu parei de respirar.
O toque foi leve. Quase nada. Mas uma descarga percorreu minha coluna, descendo e se acumulando baixo no meu ventre de um jeito que me fez querer apertar as coxas uma contra a outra.
— Porque, daqui de onde eu estou — ele murmurou, o polegar desenhando a linha do meu maxilar com uma lentidão excruciante — você não parece nem um pouco desinteressada.
— Eu... — As palavras morreram na minha garganta.
— Suas pupilas estão dilatadas. — A voz dele ficou ainda mais baixa. — Sua respiração está curta. E se eu tivesse que chutar... — O polegar dele foi até o ponto do meu pulso, pressionando de leve. — Seu coração está disparado.
Que ele se foda por estar certo.
Que o meu corpo se foda por me entregar assim.
Que se foda tudo nesse momento.
— Isso não quer dizer nada — eu consegui dizer, mas minha voz saiu fraca, ofegante.
— Não quer? — O polegar dele passou pela minha boca agora, contornando meu lábio inferior, e eu tive que engolir um som que teria sido absolutamente humilhante. — A gente poderia dar certo junto, Olive. Profissionalmente falando. Montar um teatro que faça todo mundo acreditar. Fazer o Cole se arrepender de tudo.
— E o que acontece quando acabar? — eu sussurrei. — Quando a gente parar de fingir e você conseguir seja lá o que você realmente quer?
— A gente termina. Numa boa. Você tem sua vingança. Eu consigo o que eu preciso. Todo mundo sai ganhando.
— Exceto o Cole.
— Principalmente o Cole.
O polegar dele pressionou meu lábio de novo, só um pouquinho, e meus lábios se entreabriram por instinto.
Os olhos dele escureceram.
O ar entre nós mudou. Ficou denso. Um calor subiu pelo meu pescoço e se acumulou em lugares nos quais eu estava me esforçando muito para não pensar.
— Por quanto tempo? — eu perguntei, porque precisava dizer alguma coisa antes de fazer uma idiotice, tipo diminuir a distância entre nós.
— Por quanto tempo o quê?
— Esse relacionamento falso. Se eu aceitasse — o que eu não estou dizendo que vou — quanto tempo ia durar?
Ele pensou, e eu odiei perceber que estava olhando para a boca dele enquanto ele pensava.
— Dois meses. Tempo suficiente pra causar impacto. Depois a gente segue cada um pro seu lado. Corte limpo.
— Dois meses mentindo pra todo mundo.
— Dois meses retomando o controle. — A mão dele subiu e agora segurou meu rosto por inteiro; eu deveria ter me afastado, mas não me afastei. — Pensa nisso. Dois meses em que você decide como essa história vai ser. Não o Cole. Não a sua família. Você.
Meu Deus, por que ele tinha que fazer isso soar tão tentador?
— O que a gente teria que fazer? — Minha voz estava quase inaudível. — Nesses dois meses?
— Aparições em público. Jogos. Jantares. Eventos beneficentes. — Ele fez uma pausa, e alguma coisa ardente passou pelos olhos dele. — Tudo o que casais fazem.
— Casais de mentira.
— Isso importa mesmo? — O polegar dele traçou minha maçã do rosto agora, e eu estava perdendo a batalha comigo mesma para não me inclinar em direção ao toque. — Se parecer real, se parecer real pra você, se todo mundo acreditar que é real... qual é a diferença?
— A diferença é que não é real.
— É isso que você quer? A realidade? — Ele se inclinou, perto o bastante para eu sentir a respiração dele nos meus lábios. — Porque a realidade é o Cole te traindo talvez durante todo o relacionamento de vocês. A realidade é ele te chamando de incapaz. A realidade é você debaixo de chuva nos treinos dele enquanto ele comia outras mulheres. É essa realidade que você quer de volta?
Cada palavra acertou como um tapa.
Porque ele tinha razão. A realidade tinha sido só dor, mentira e eu debaixo de chuva, esperando que alguém me notasse.
“Teríamos que vender a história”, ele continuou, a voz baixando até virar algo que soava quase como uma promessa. “Fazer as pessoas acreditarem que é de verdade. Isso significa contato. Andar de mãos dadas.” O polegar dele voltou a traçar minha mandíbula. “Beijo.”
Minhas pernas amoleceram.
“Beijo.”
“Se a situação pedir.” Agora os olhos dele estavam presos na minha boca. “Não dá pra deixar ninguém achar que a gente é só amigo.”
“Isso é loucura.”
“Talvez.” A mão dele deslizou pelo meu cabelo, os dedos se enroscando de leve, e eu esqueci como se respirava. “Mas você ainda não disse não.”
Porque eu não conseguia.
Meu Deus, eu não conseguia dizer não.
Eu queria isso. Queria me sentir desejada. Queria mostrar ao Cole que eu conseguia seguir em frente, que eu valia mais do que ele jamais tinha reconhecido. Queria que me enxergassem como algo além da garota que levou chifre.
Mesmo que fosse de mentira.
Mesmo que fosse uma farsa.
Mesmo que provavelmente explodisse na minha cara.
O polegar dele pressionou meu lábio inferior de novo, e dessa vez eu não consegui conter o som baixinho que escapou.
Vi o olhar dele cintilar.
“Então, o que você me diz, Olive?” A voz dele estava áspera agora, tensa. “Vai deixar o Cole Maddox ganhar? Ou vai mostrar pra ele exatamente o que ele jogou fora?”
Eu encarei aqueles olhos azuis.
Senti o calor dele. A presença dele. O jeito como ele me olhava como se eu fosse a única pessoa que importava naquele instante.
Por um segundo insano, imprudente, eu quase disse sim.
Quase me deixei cair nessa armadilha que ele mesmo tinha montado.
Mas aí a realidade voltou com tudo.
Esse homem sabia tudo sobre mim. Tinha armado esse encontro. Estava me oferecendo algo bom demais pra ser verdade.
Porque era bom demais pra ser verdade.
Homens não faziam as coisas por bondade. Cole tinha me ensinado essa lição muito bem. Eles queriam alguma coisa. Sempre. Sempre tinha um interesse por trás.
E eu não ia ser usada de novo.
Não pelo Cole.
E muito menos pelo Zane Mercer.
Eu me abaixei e passei por baixo do braço dele, criando distância entre nós tão rápido que quase tropecei nos meus próprios pés.
Meu peito subia e descia. Meu corpo gritava pra eu voltar, pra deixar ele me tocar de novo, pra dizer sim ao que quer que ele estivesse oferecendo.
Mas eu não voltei.
“Não.”
Ele se virou devagar. Os olhos presos nos meus. A expressão, indecifrável.
“Não?”
“Não me interessa.” Minha voz tremeu, mas eu forcei as palavras mesmo assim. “Eu não preciso da sua ajuda. Eu não preciso de vingança. E definitivamente não preciso de um estranho bancando o salvador porque tem uma agenda própria que nem se dá ao trabalho de explicar.”
“Olive—”
“Procura outra pessoa pra jogar xadrez com você.” Eu agarrei a maçaneta, puxando a porta e abrindo de uma vez. “Eu cansei de ser peça no tabuleiro dos outros.”
A Sheila estava ali quando eu saí, os olhos arregalados de surpresa.
“Ah! Você… você já terminou?”
“Eu desisti”, eu disse.
E fui embora.
Não olhei pra trás. Não podia olhar. Porque, se eu olhasse, ia ver aqueles olhos azuis e aquele corpo e aquele sorriso perigoso.
E eu ia mudar de ideia.
Meu coração martelava. Minhas mãos tremiam. Meu corpo inteiro parecia em chamas.
Eu cheguei no elevador antes de precisar me apoiar na parede.
“Porra”, eu sussurrei pro corredor vazio.
Porque eu tinha acabado de recusar Zane Mercer.
O homem mais gostoso que eu já tinha visto na vida.
Que tinha me oferecido exatamente o que alguma parte sombria e vingativa de mim queria.
E eu tinha ido embora.
O elevador apitou. Eu entrei, apertando o botão do térreo.
Meu celular vibrou.
Um número desconhecido.
Eu encarei por três longos segundos antes de abrir a mensagem.
“Três dias, Olive. É quanto tempo minha oferta fica de pé. Depois disso, você se vira. – Z”
Eu li duas vezes.
Aí bloqueei o número.
Enfiei o celular de volta no bolso.
E tentei ignorar a dor pulsando entre as minhas coxas, me dizendo que eu tinha acabado de tomar a decisão mais inteligente — ou a mais idiota — da minha vida.
O tempo diria qual das duas.
