Capítulo 6 Capítulo 6: O ponto de vista de Olive
Capítulo 6: POV da Olive
As mãos dele estavam na minha cintura.
Firmes. Possessivas. Os dedos cravando na minha pele com força suficiente para deixar marcas.
Eu estava pressionada contra alguma coisa fria. Uma parede, talvez. Vidro. Eu não sabia dizer. Não me importava.
Porque a boca dele estava no meu pescoço, os dentes roçando o ponto sensível abaixo da minha orelha, e eu não conseguia respirar. Não conseguia pensar.
— Você devia ter dito sim — ele murmurou contra a minha pele.
A voz dele. Meu Deus, a voz dele.
Grave, áspera, e fazendo coisas comigo que deviam ser proibidas.
— Eu não… — tentei falar, mas a mão dele deslizou pela minha coxa, empurrando meu vestido para cima, e as palavras morreram na minha garganta.
— Você não o quê? — Os lábios dele se curvaram contra o meu pescoço. Eu sentia ele sorrindo. — Você não quer isso?
Os dedos dele roçaram a borda da minha calcinha, sentindo meu molhado, a suavidade do meu calor.
Eu arfuei. A voz travou forte na garganta, incapaz de sair.
— Foi o que eu pensei.
Ele se afastou o suficiente para me olhar. Aqueles olhos azuis, escuros. Famintos.
— Me diz que você quer isso, Olive.
— Eu…
O polegar dele pressionou exatamente onde eu precisava. Fundo. Forte. Em círculos.
Minha cabeça caiu para trás. Um gemido rasgou minha garganta.
— Fala.
— Eu quero…
Ele pressionou mais forte. Girou de novo no meu clitóris.
— Por favor…
— Boa garota.
E então a boca dele estava na minha. Quente. Exigente, me devorando por completo.
Eu estava tão perto. Ali. Bem na beira—
Acordei arfando, o ar saindo oco, como se eu tivesse acabado de correr uma maratona.
Suada. Emaranhada nos lençóis. O coração batendo tão forte que eu achei que ia atravessar minhas costelas.
E molhada.
Molhada pra caralho, num nível constrangedor.
— Não. Não, não, não.
Pressionei as palmas no rosto. Gemei no escuro da minha suíte.
Um sonho.
Foi só um sonho.
Um sonho muito vívido. Muito detalhado. Muito real.
Com Zane Mercer.
O homem que eu tinha rejeitado três dias atrás.
— Merda.
Joguei o cobertor para o lado. Sentei. Minha regata estava encharcada de suor, grudada na pele. Minhas coxas se juntaram por instinto, tentando aliviar a dor que não passava.
Isso era ruim.
Ruim pra caralho.
Eu estava trancada nessa suíte havia três dias. Três dias me escondendo. Evitando todo mundo. Evitando o Hunter. Evitando a possibilidade de esbarrar no Cole. Evitando qualquer chance de ver o Zane.
E, ao que parecia, meu subconsciente decidiu que evitar não estava funcionando.
Porque agora eu estava tendo sonhos eróticos com ele.
Com as mãos dele. A boca dele. A voz dele dizendo coisas que faziam meu corpo inteiro acender.
“Boa garota.”
Eu estremeci.
Para. Para de pensar nisso.
Peguei o celular no criado-mudo. A tela acendeu.
7:14 AM
E, abaixo da hora, notificações que eu vinha ignorando há dias.
-
Mensagens da Brenda perguntando se eu estava bem.
-
Uma chamada perdida da minha mãe.
-
E uma mensagem que fez meu estômago se revirar.
O número bloqueado. O que eu tinha bloqueado três dias atrás.
Mas eu ainda conseguia ver a prévia de antes de bloquear.
Três dias, Olive. É esse o tempo que a minha oferta fica de pé.
Três dias.
Hoje era o terceiro dia.
A oferta dele acabava hoje. Talvez ao meio-dia.
Fiquei encarando a mensagem. Aquelas palavras que estavam rodando em looping na minha cabeça havia mais de sessenta horas seguidas.
“Namora comigo. Seja minha parceira. Faça o Cole se arrepender de tudo.”
Uma parte de mim — uma parte idiota e imprudente — queria desbloquear o número. Queria ligar para ele. Queria dizer que tinha mudado de ideia.
Mas eu não fiz isso.
Porque eu já tinha feito minha escolha.
Eu não ia ser usada. Nem pelo Cole. Nem pelo Zane. Nem por ninguém.
Mesmo que meu corpo estivesse gritando que eu tinha tomado a decisão errada.
Eu me levantei. Minhas pernas estavam bambas, e eu fui para o banheiro.
Um banho gelado. Era disso que eu precisava. Um banho bem gelado pra lavar o sonho, a dor e a sensação persistente das mãos dele na minha pele.
Quando eu saí, já tinha passado das sete e meia.
A suíte estava silenciosa. Meus pais provavelmente ainda estavam dormindo. Graças a Deus.
A última coisa de que eu precisava era do bom humor matinal da minha mãe ou do Grayson andando por aí de cueca com o—
Cortei esse pensamento na hora.
Uma coisa que eu aprendi morando em cima da garagem dos meus pais: o Grayson era “muito à vontade” na própria casa. E a minha mãe era muito barulhenta sobre por que tinha casado com ele.
Tem coisas que dá pra ouvir uma vez só e nunca mais esquecer.
Vesti um moletom enorme e uma legging. Prendi o cabelo num rabo de cavalo. Sem maquiagem. Sem esforço nenhum.
Eu só precisava de ar. Café. Qualquer coisa pra clarear a cabeça antes do jogo de amanhã.
Amanhã.
O primeiro jogo grande do Hunter pelos Chicago Wolves.
O motivo inteiro de eu estar nessa cidade maldita.
“Porra, mal posso esperar pra voltar pro trabalho e fingir que minha vida não acabou de sair dos trilhos”, resmunguei pra mim mesma.
Peguei o celular e o cartão-chave. Saí do meu quarto o mais silenciosa possível.
O corredor estava vazio. Ainda bem.
Dei três passos em direção ao elevador quando ouvi.
“Fugindo escondida?”
Congelei. Me virei devagar.
Hunter estava na porta da suíte principal, braços cruzados, com aquele sorrisinho convencido no rosto que me dava vontade de dar um soco nele.
“Jesus Cristo, Hunter. Você quase me matou do coração.”
“É assim que você cumprimenta seu meio-irmão depois de evitar ele por três dias?”
Encostei nele com o olhar. “Eu não estava te evitando.”
“Claro. Você só ficou trancada no seu quarto o tempo todo desde que a gente chegou.”
“Eu precisava de espaço.”
“De quê? De mim?” Ele deu um passo pro corredor. “Ou de outra pessoa?”
Meu estômago apertou. “Outra pessoa? Me diz você, Hunter. De quem você acha que eu tô me escondendo?”
“Eu não sei do que você tá falando.”
Ele estava perto demais agora. Perto o suficiente pra eu ver alguma coisa na expressão dele. Culpa? Preocupação?
Soltei o ar com força. Óbvio que ele ia negar. Fingir que nunca fez parte do plano do Zane.
“Você me entregou. Por quê?”
Vi o reconhecimento atravessar o rosto dele. A expressão mudou.
“Me desculpa, Olive. Eu não tinha escolha.”
Ele disse baixo. Preocupação. Culpa. Tudo aquilo que eu não queria ver.
“Você me vendeu e pronto? Aí você só pede desculpa? Você tem noção da merda que você causou?”
Minha voz subiu. Quase um grito. E foda-se, eu não me importava se alguém estivesse ouvindo.
“Eu disse que sinto muito, Olive. Eu sinto mesmo. Ele—ele te machucou?”
Eu encarei ele. A cara de pau de perguntar como eu estava depois de arruinar minha vida. Ou talvez ele fosse parte da ruína. Envolvido de algum jeito. Mas eu só fiquei olhando fixo pra ele.
A única coisa que eu consegui dizer foi:
“Sai da frente, Hunter.”
“Olive—”
“Eu disse pra sair.” Eu empurrei e passei por ele. “Eu preciso de café antes que eu enlouqueça ou te jogue da varanda.”
“Ei.” Ele segurou meu braço. De leve. “Desculpa. Você tá bem? Aquele desgraçado te machucou?”
Eu me soltei com um puxão. “Tô bem.”
“Você não parece bem.”
“Mas eu tô. Então se afasta.” Minha voz tremeu. “E não se atreva a brincar comigo de novo. Eu não sei qual é o seu rolo com o Zane, mas não me coloca no meio disso nunca mais.”
Ele levantou as mãos. “Tá. Tá. Só… toma cuidado, tá?”
“Cuidado com o quê?”
O maxilar dele ficou tenso. “Só… não faz nenhuma besteira.”
Eu encarei ele. “Que porra é essa pra significar?”
“Nada. Esquece.”
“Hunter—”
“Vai pegar seu café, Olive.” Ele recuou pra dentro da suíte. “E só pra constar? O Cole não sabe que você tá aqui. Eu não contei pra ele. Então pode parar de ficar olhando por cima do ombro como se ele fosse pular de trás de uma esquina.”
A porta fechou antes que eu conseguisse responder.
Fiquei parada por um instante. Punhos cerrados.
Que diabos foi isso?
“Não faz nenhuma besteira?”
“O Cole não sabe que você tá aqui?”
Por que o Hunter—
Meu celular vibrou de repente, e eu puxei do bolso.
Era uma mensagem da Brenda.
BRENDA: “Tá viva? Ou eu vou ter que registrar boletim de desaparecimento?”
Digitei de volta rápido.
EU: “Viva. Mais ou menos. Indo pegar café.”
BRENDA: “Às 7:30 da manhã? Quem é você e o que fez com a minha melhor amiga?”
EU: “Não consegui dormir.”
BRENDA: “Aposto que sei por quê. Começa com Z. Termina com… ane Mercer.”
Eu quase joguei o celular longe.
EU: “Vou te bloquear também.”
BRENDA: “Você me ama. Agora vai pegar seu café e para de surtar. Hoje é um novo dia. Recomeço e toda essa baboseira.”
EU: “Discurso motivacional não é a sua praia.”
BRENDA: “Eu sei. Tô tentando algo novo. Tá funcionando?”
EU: “Péssimo.”
BRENDA: “Ótimo. Aí sim, bem a sua cara. Te amo. Me manda mensagem depois.”
Enfiei o celular no bolso e fui em direção ao elevador.
Recomeço.
Sei.
Hoje era o terceiro dia.
A proposta do Zane expirava ao meio-dia.
Como se eu me importasse.
Como se eu estivesse contando.
