Capítulo 1

— Eu tenho namorada — avisou o bilionário frio e intocável, a voz cortante como gelo.

— Só namorada, não esposa — sussurrou Catherine, inclinando-se até que suas curvas roçassem o braço dele. — Além disso, eu não quero seu coração. Eu só quero o seu corpo... tio.

Três horas antes, Catherine Levin entrou desfilando na sala VIP do aeroporto de Brightonfield como se fosse dona do lugar.

Usava um vestido vermelho impecável, sem costas, que se agarrava a cada curva do seu corpo, a cintura fina balançando com uma graça hipnótica. No instante em que ela entrou, todos os olhares do ambiente se voltaram para ela.

Ela parecia completamente alheia aos olhares ardentes, fingindo falar ao telefone. Mas assim que encerrou a ligação, seu olhar se fixou em seu verdadeiro alvo com precisão mortal.

Sentado bem à sua frente, do outro lado do salão, estava um homem de porte alto e imponente, traços perfeitamente esculpidos. Ele exalava uma frieza nobre, uma aura de dignidade que dominava o espaço e tornava impossível ignorá‑lo.

Philip Foster. O herdeiro bilionário da fortuna da família Foster, atual CEO da Nova Pharmaceuticals e, o mais importante de tudo — o tio do namorado dela, James.

Os lábios vermelhos de Catherine se curvaram em um sorriso malicioso enquanto ela seguia diretamente na direção dele.

Seu olhar predatório, totalmente indisfarçado, deixava claras suas intenções. Antes que ela pudesse alcançá‑lo, um jovem assistente se levantou de súbito, bloqueando seu caminho.

— Sinto muito, senhorita. Meu chefe está trabalhando.

— É mesmo? — Catherine abaixou os cílios, fazendo o papel de coitadinha inocente. Ela se inclinou para perto do assistente, o hálito quente roçando a pele dele, o perfume floral deixando-o tonto. — Mas eu não vim atrás do seu chefe. Eu vim atrás de você.

O jovem assistente, que normalmente sabia muito bem como afastar mulheres, corou violentamente.

— Eu... eu nem te conheço.

Catherine riu baixinho. Deslizou um dedo fino sobre a mão dele, pegando o celular com facilidade, e o desbloqueou usando o próprio polegar do rapaz. Em poucos segundos, salvou o número dela nos contatos.

— Se seu chefe te mandar embora por causa disso, me liga. Eu falo bem de você pra alguém — murmurou, a voz aveludada, lançando um olhar desafiador na direção de Philip.

Aquele pequeno alvoroço finalmente fez Philip erguer os olhos. Por uma fração de segundo, um lampejo de surpresa cruzou seus traços gelados, mas ele logo se recompôs, desviando o olhar com frieza.

Catherine não se intimidou. Contornou o assistente atrapalhado, inclinou-se sobre Philip — oferecendo a ele uma visão perfeita do decote profundo — e enfiou um cartão de visitas no bolso do paletó dele.

— Que tal a gente se conhecer melhor? — perguntou, a voz escorrendo mel como se fosse puro convite.

— Não estou interessado — respondeu Philip, sem hesitar nem por um segundo.

— O meu interesse já é suficiente pelos dois — ronronou Catherine, mantendo os olhos presos nos dele, sensualidade transbordando de cada gesto seu.

Sentada no lounge, alguns minutos depois, Catherine observava o perfil marcado dele, sentindo a garganta de repente seca.

Lembranças lhe rasgavam a mente. Sete anos atrás, Philip tinha sido o seu rígido e intocável professor particular. Naquela época, ela era uma garota tola de dezessete anos, completamente apaixonada. Quando finalmente criou coragem para perguntar de que tipo de garota ele gostava, ele olhara para ela com absoluto desprezo e dissera: “Com certeza não de alguém como você.”

Bem, ela não era mais aquela garotinha patética. O tempo e a pura força de vontade a tinham transformado em uma arma. Um homem do nível dele, cercado por belas mulheres o tempo todo, nem sequer reconhecia a garota que um dia havia rejeitado.

Um sorriso amargo e gelado tocou seus lábios. Catherine não tinha a menor intenção de cruzar o caminho de Philip de novo, mas a dívida de sangue exigia isso.

Charlotte Wilson tinha roubado a fórmula farmacêutica da família dela, orquestrado o assassinato brutal de seu pai e levado o carro da mãe para dentro de um rio congelante. A mãe tinha morrido para que Catherine pudesse viver.

No começo, ela planejava usar o próprio namorado, James, o noivo de Charlotte, para se vingar. Mas James era um covarde inútil. Para esmagar Charlotte e a família Wilson, Catherine precisava de um monstro bem maior.

Ela precisava do patriarca da família Foster. Ela precisava de Philip.

Pelo visto, o destino estava do lado dela. Eles iam embarcar no mesmo voo.

No avião, Philip estava sentado ao lado de um senhor idoso. Catherine mudou de expressão na hora e se aproximou do velho com olhos bem abertos, de uma inocência ensaiada.

— Moço, o senhor poderia trocar de lugar comigo? — Ela pediu, com a voz tremendo na medida certa. — Eu e meu marido tivemos uma briga horrível, e ele está me ignorando. Eu só queria sentar ao lado dele e fazer as pazes.

O velho lançou um olhar de passagem para a expressão impassível de Philip e riu, compreensivo.

— Claro, minha filha. — Ele deu um tapinha no ombro de Philip ao se levantar. — Rapaz, não seja tão cabeça-dura. Seria uma burrice perder uma esposa tão linda!

Quando Catherine deslizou para o assento ao lado de Philip, o sorriso vitorioso voltou ao seu rosto.

Philip virou a cabeça devagar, os olhos escuros fulminando-a.

— Eu já disse que não estou interessado.

— E eu já disse que o meu interesse basta — retrucou Catherine, sem se abalar.

— Eu tenho namorada.

— Só namorada, não esposa — rebateu Catherine, com calma. Ela se inclinou para frente, o tecido vermelho justo do vestido esticando quando diminuiu a distância entre os dois. Seu hálito quente roçou o pescoço dele, lançando um perigo elétrico no ar.

O olhar dela desceu até os lábios dele enquanto sussurrava o golpe final:

— Além do mais, eu não estou tentando tirar você dela. No fim das contas… eu só me interesso pelo seu corpo, tio.

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