Capítulo 2

A voz dela era baixa e rouca, com um magnetismo que parecia uma pena roçando o coração.

Philip fez uma breve pausa, mas não deu mais conversa para Catherine; pegou uma revista da mesinha e começou a folheá‑la.

Percebendo a indiferença de Philip, Catherine não ficou chateada; apenas passou a se ocupar com o celular.

Pelo restante do tempo, Catherine parecia outra pessoa, ficando extraordinariamente comportada, sem um traço da ousadia de antes.

Ela assistiu a filmes, de vez em quando encarou a paisagem do lado de fora e às vezes fechou os olhos para descansar um pouco.

Parecia ter tentado de tudo que se podia fazer em um avião — menos renovar as investidas em cima de Philip.

Enquanto isso, Philip continuava em guarda de olho nela, os nervos sempre tensos, incapaz de dormir.

Fingia estar profundamente absorvido no livro, mas mantinha os ouvidos atentos a qualquer movimento de Catherine.

Só quando ouviu a respiração dela ficar estável é que ele virou ligeiramente a cabeça para observá‑la em silêncio.

Os traços dela eram delicados; mesmo dormindo, ela continuava linda.

Os cílios longos e curvados projetavam‑se para baixo, escondendo os belos olhos amendoados; o nariz era elegante e bem definido; os lábios, finos e cor de cereja, cheios e delicados.

O ar‑condicionado do avião estava forte, e ela usava uma jaqueta leve.

Debaixo da roupa solta, o corpo exibia curvas de tirar o fôlego. Os seios fartos subiam e desciam suavemente com a respiração; a cintura era tão fina que parecia caber em uma única mão. Dessa cintura delicada nasciam quadris cheios e perfeitamente arredondados, que deixavam um contorno tentador no assento.

Ela estava deitada ali, quieta, o rosto adormecido puro como o de um anjo fora deste mundo, mas bonita o suficiente para prender o olhar de qualquer homem.

Claramente uma garota inocente e adorável, mas que agora se comportava como uma mulher provocante.

Os olhos de Philip se estreitaram levemente; o olhar foi escurecendo aos poucos, e a mão que segurava o livro apertou as páginas até os nós dos dedos perderem a cor.

Ele respirou fundo várias vezes, obrigando‑se a colocar os pensamentos em ordem.

Quando Catherine despertou aos poucos do sono, o avião já tinha pousado suavemente.

Catherine lançou um olhar para a página que Philip estava lendo e, de repente, riu baixo.

— A mim pertence a vingança; eu retribuirei, diz o Senhor.

Philip levantou os olhos instintivamente ao ouvir ela recitar exatamente a frase que ele acabara de ler.

O rosto dela estava cheio de deboche; os olhos, antes cheios de paixão e desinibição, pareciam agora profundos e melancólicos.

Talvez por ainda estar imerso no clima do livro, ao olhar para Catherine naquele momento, ele teve a impressão de que um leve véu de tristeza a envolvia.

Antes que ele pudesse falar, Catherine se inclinou lentamente na direção dele, e a suave fragrância adocicada dela voltou a envolver os sentidos de Philip.

Ela escorregou o cartão de visitas no bolso do terno dele mais uma vez e disse, em um tom levemente desafiador:

— Se quiser jogar fora de novo, peça para o seu assistente. Tem a marca do meu batom, eu não ia querer sujar as suas mãos.

O olhar de Philip, sem querer, fixou‑se nos lábios dela, ainda um vermelho vibrante, tão tentadores quanto uma rosa em plena floração.

Catherine soltou outra risadinha suave. Devagar, fez a mão deslizar do bolso até o peito dele, segurou de leve a gravata e a levou aos lábios, deixando nela a marca de um beijo.

— Errei. A marca de batom está aqui. É melhor jogar isso fora também.

Depois disso, Catherine se virou e saiu, a silhueta que se afastava parecia despreocupada, mas ao mesmo tempo decidida.

Ao vê‑la ir embora, Alex mal ousava respirar; estendeu a mão, nervoso, e disse:

— Senhor Foster, eu… eu jogo fora para o senhor.

Philip baixou o olhar para a marca vermelha bem evidente na gravata cinza com estampas, permaneceu em silêncio por um instante, mas não a tirou. Em vez disso, retirou o cartão de visitas do bolso.

Antes de entregá‑lo a Alex, abaixou um pouco a cabeça e deu uma conferida.

No cartão estava impresso o nome: [Catherine Levin.]

Pouco tempo depois, Catherine voltou a encontrar Philip em um baile de gala.

— Cathy, deixa eu te apresentar uma pessoa extremamente importante — disse James, com um sorriso misterioso brincando nos cantos dos lábios.

Catherine ergueu uma sobrancelha, curiosa:

— Quem? Você tá sendo tão misterioso.

James apenas sorriu, sem responder; apertou mais forte a mão de Catherine e apressou o passo.

Ele conduziu Catherine pelo salão principal, cheio de convidados vestidos com elegância, em direção a um enorme terraço de observação.

Lá embaixo, estendiam‑se as luzes cintilantes da cidade; lá em cima, o céu profundo da noite.

Philip estava de pé junto ao grande parapeito de vidro, uma mão no bolso da calça, a outra segurando casualmente uma taça de vinho, a silhueta quase se fundindo com a noite.

Toda a presença dele emanava uma frieza e uma imponência intimidantes.

James puxou Catherine para perto de Philip, enlaçando-a pela cintura de um jeito íntimo, e disse com um sorriso:

— Tio Philip, deixa eu te apresentar.

Ele abaixou levemente a cabeça, olhando para Catherine com carinho:

— Catherine Levin, minha namorada.

Philip se virou devagar ao ouvir a voz.

Seu olhar profundo passou por James e pousou, gélido, em Catherine.

Sorrindo de orelha a orelha, James disse a Catherine:

— Cathy, esse é meu tio, Philip. Cumprimenta ele.

Catherine deu um passo à frente com elegância, a cintura fina ondulando, os quadris cheios tremendo de leve, as belas pernas aparecendo de vez em quando sob a barra do vestido, enquanto ela cumprimentava Philip com uma voz macia e manhosa:

— Boa noite, senhor Foster.

Enquanto falava, ela piscou de forma brincalhona, o olhar ficando tão sedutor que seu rosto puro, num instante, pareceu vivo e provocante.

Philip lançou-lhe um olhar e então disse a James, em tom de deboche:

— Você já tem uma noiva e ainda assim sai com outra?

James pareceu um pouco constrangido e murmurou:

— A Cathy sabe. A Charlotte e eu somos só um arranjo de negócios. Eu só tenho sentimentos pela pela Cathy.

Então ele olhou para Catherine.

Como ele esperava, Catherine assentiu, obediente:

— Enquanto o James tiver eu no coração, eu não ligo pra títulos.

Ela inclinou a cabeça o suficiente para expor o pescoço fino, o gesto sutil e irresistível. Sua postura submissa só aumentava o seu charme.

James a encarou, comovido.

Philip observava a cena de carinho entre os dois, o canto dos lábios se curvando em zombaria.

Nesse momento, o celular de James tocou de repente.

Ele lançou um olhar de desculpa para Catherine antes de pegar o telefone.

Catherine deu uma olhada casual na tela, onde aparecia o nome do contato: [Gatinha].

Por dentro, ela soltou um riso de desprezo, mantendo, porém, um sorriso suave no rosto.

Ela sabia exatamente quem era essa Gatinha.

A secretária dele — Olivia Brown.

James se afastou com calma para atender a ligação.

Depois de uma conversa rápida, ele voltou e disse a Catherine, em tom de desculpa:

— Cathy, me desculpa, mas surgiu um problema complicado na empresa que eu preciso resolver agora.

Catherine entendeu na hora que a Gatinha devia estar aprontando de novo.

Mas ainda assim se mostrou compreensiva, falando com preocupação:

— Trabalhando tão tarde assim… se cuida, tá?

Embora, por dentro, ela praguejasse:

“Tomara que você morra na cama dessa gatinha…”

James segurou a mão de Catherine, o rosto cheio de relutância, e então olhou para Philip, perguntando, meio hesitante:

— Tio Philip, eu tô muito preocupado de a Cathy ir embora sozinha tão tarde. Será que eu posso te incomodar e pedir pra levar ela em casa?

No fundo, James tinha um certo medo de Philip, sabia que ele odiava ser incomodado. Assim que as palavras saíram, ele se arrependeu, pensando que talvez fosse melhor voltar atrás.

Para sua surpresa, Philip se levantou devagar da poltrona e apenas disse:

— Tudo bem.

Ao ouvir isso, Catherine ficou atônita por um instante, mas logo se recompôs, o sorriso se aprofundando.

James se apressou em mandar o motorista trazer o carro para a entrada.

Um Bentley preto parou em frente ao hotel de maneira imponente, atraindo inúmeros olhares.

O motorista ficou ao volante, enquanto Catherine e Philip se sentaram juntos no banco de trás.

O clima dentro do carro estava meio opressivo. Philip se recostou no assento, olhos fechados, como se estivesse descansando.

Achando aquilo entediante, Catherine começou a observar o homem ao lado dela, às escondidas.

Os traços de Philip eram tão marcantes que, quanto mais ela olhava, mais tentada ficava, chegando a sentir vontade de cravar os dentes nele.

Mas aquele silêncio sedutor não durou muito.

Depois de uns quinze minutos, o carro parou devagar em frente à Maple Manor, onde Catherine morava.

Philip abriu os olhos de repente, o olhar profundo prendendo-se firmemente em Catherine.

Sua voz grave e fria carregava uma pressão inegável:

— Catherine.

O coração de Catherine deu um salto, mas ela manteve o sorriso:

— Sim? O que foi, senhor Foster?

— Eu não me importo qual é o seu objetivo se aproximando do James, nem me importo com o seu joguinho calculado pra chegar perto de mim, ou com o que você espera ganhar.

Ele virou a cabeça devagar, o olhar tão afiado que parecia atravessar a alma dela:

— Desista dessas suas fantasias enquanto ainda dá tempo tempo.

Ele se inclinou um pouco para a frente, sua presença avassaladora fazendo Catherine, por um momento, se sentir sem ar.

Ele a encarou e articulou cada palavra com clareza e crueldade:

— A última mulher que teve a ousadia de tramar contra mim teve um fim horrível. Tão horrível que não sobrou nada além de pó. É bom você levar isso como um aviso.

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