Capítulo 7
O coração de Catherine deu um salto de empolgação quando ela se apertou contra Philip, seus corpos tão próximos que quase compartilhavam o mesmo fôlego.
— É claro que eu quero tudo — ela ronronou, com a voz sugestiva.
Naquele momento, ela parecia nada menos que uma rosa branca perfeita — aparência pura, mas escondendo espinhos, sua personalidade calculista, sob pétalas delicadas.
Philip enxergava a atuação dela com total clareza. Ele sabia, sem a menor dúvida, que Catherine não tinha vindo até ele apenas para se vingar de James por causa da traição.
Ele ergueu a mão devagar e pousou-a de leve na cintura fina dela. Olhando para baixo, examinou o rosto dela — uma obra-prima de traços delicados, que bem poderia ter sido pintada por um grande artista.
Catherine ergueu o rosto para encontrar o olhar dele, a respiração ficando mais pesada. O nervosismo tingia sua pele de rosa, cor que se espalhava até as orelhas. Os lábios vermelhos, em tom de cereja, pareciam cada vez mais tentadores.
— Philip — ela chamou o nome dele com uma intenção calculada, a voz suave e cheia de sedução.
Mesmo assim, a atuação dela não causou nem a mínima ondulação no coração de Philip.
Naquele estado, ela lhe parecia forçada e desajeitada, muito distante da sedução crua e selvagem que ela tinha mostrado naquela noite.
Justo quando Catherine aguardava, ansiosa, a rendição inevitável de Philip ao seu charme, ficou chocada quando mãos firmes de repente a empurraram com força para longe.
Catherine arfou de surpresa, cambaleando vários passos para trás até bater dolorosamente com as costas na parede. A fachada cuidadosamente mantida de sedução se rachou, deixando à mostra, por um instante, seu desequilíbrio.
Philip ajeitou com calma o paletó caro e os punhos da camisa, como se o que acabara de acontecer não passasse de um incômodo trivial.
Seus lábios finos se entreabriram enquanto ele disparava uma frase gelada, cortante:
— As suas tentativas me causam um nojo absurdo.
Com essas palavras pairando no ar, ele se virou sem lhe dedicar mais um olhar sequer, os passos longos o levando embora com decisão.
Catherine cerrou os dentes, fuzilando com o olhar as costas em retirada de Philip. As mãos se fecharam em punhos de raiva enquanto ela sussurrava entre dentes:
— Canalha. Pode esperar. Um dia, eu vou fazer você implorar para ficar aos meus pés, totalmente à minha mercê.
Catherine respirou fundo e se recompôs rapidamente antes de voltar para a sala de aula.
Ela caminhou diretamente até o lado de James.
— Professor Blair — Catherine cumprimentou Emilio com uma voz doce, límpida, e uma polidez impecável.
Os olhos de Emilio brilharam ao ver Catherine, e ele se apressou em apresentá-la a Philip:
— Senhor Foster, permita-me apresentar Catherine, minha aluna mais brilhante.
O rosto de Emilio se iluminava de orgulho, e o olhar refletia sincera admiração por Catherine.
— Ela faz mestrado profissional e os artigos e habilidades clínicas dela são realmente excepcionais.
Philip lançou um olhar rápido para Catherine, o ceticismo nítido na expressão.
— É mesmo? — perguntou, num tom neutro.
Totalmente convencido do talento de Catherine, Emilio continuou o elogio entusiasmado:
— Os artigos de pesquisa médica da Catherine trazem perspectivas inovadoras, e muitos já foram publicados em revistas científicas nacionais de prestígio, um feito e tanto. Uma aluna que se destaca tanto na prática clínica quanto na pesquisa acadêmica está destinada a ir muito longe.
O rosto de Catherine se iluminou com um sorriso contido enquanto ela se preparava para responder, mas James já tinha passado o braço possessivamente pelos ombros dela. Com um orgulho indisfarçável, ele anunciou:
— Claro que ela é excepcional, afinal, ela é minha namorada.
Emilio ergueu uma sobrancelha, o olhar indo de Catherine a James, divertido.
— Catherine, você e o senhor West são…?
Catherine abriu um sorriso radiante e respondeu com perfeita elegância:
— Ele é meu namorado.
Emílio assentiu, com uma expressão cheia de significado.
— Catherine, você não só é excelente nos estudos, como também tem um gosto muito apurado para escolher companhia.
Nesse momento, os lábios de Philip se curvaram num quase imperceptível sorriso torto, acompanhado de uma risadinha discreta e sarcástica.
Embora sutil, o som foi suficiente para interromper a conversa amigável.
Emilio então se lembrou de suas obrigações e convidou, com respeito:
— Senhor Foster, senhor West, se não estiverem com pressa, gostariam de fazer um tour pelo campus?
— Eu adoraria — James respondeu na hora, há muito desejando uma oportunidade de caminhar de mãos dadas com Catherine pela universidade e aproveitar o clima romântico do lugar.
Infelizmente, Catherine vivia sempre ocupada — ou mergulhada na redação de artigos de pesquisa, ou envolvida no trabalho clínico.
Philip lançou um olhar discreto para Catherine, que, por coincidência, ergueu os olhos no mesmo instante, fazendo com que seus olhares se encontrassem.
Naquele breve cruzar de olhares, parecia que os dois chegavam a um acordo silencioso de nunca mencionar a noite ardente que tinham compartilhado.
James segurava firme a mão de Catherine, com o polegar acariciando suavemente a palma dela.
Ele se inclinou levemente, baixando a voz para sussurrar ao ouvido dela:
— Cathy, eu tô morrendo de vontade de te beijar. Vamos procurar um lugar mais reservado.
Catherine fingiu timidez, um rubor delicado se espalhando pelas bochechas.
— Para com isso — murmurou. — O senhor Blair e o seu tio ainda estão aqui.
James estava prestes a continuar a insistir quando o celular tocou na hora mais inoportuna.
Ele franziu a testa, conferiu o identificador de chamadas e atendeu a contragosto:
— Tô ocupado agora. A reunião não é às três horas? — De repente, a expressão dele mudou. — O quê? Você já tá na Universidade de Luz Médica agora?
Instintivamente, James olhou para trás e viu uma mulher de camisa azul e saia lápis se aproximando com passos graciosos e cheios de sensualidade.
Cada movimento das curvas do corpo da mulher parecia calculado para seduzir.
Ela parou diante do grupo e fez um leve aceno respeitoso para Philip.
— Senhor Foster — cumprimentou suavemente.
Philip a encarou com frieza distante, respondendo com o mínimo de cortesia.
Em seguida, a mulher se voltou para James, falando com deferência profissional:
— Senhor West, o senhor tem um almoço marcado com o senhor Wilson. Já está na hora de ir.
Era Olivia Brown, a secretária de James — e a “gatinha” dele.
A testa de James se crisparam num claro sinal de desagrado.
— Olivia, desde quando uma secretária acha que pode mandar na minha agenda?
Olivia permaneceu calma, mantendo a postura respeitosa:
— Eu não ousaria, senhor West. Só estou lembrando que o senhor Wilson é um cliente muito importante e não deveria ser deixado esperando.
James cerrou o maxilar, aparentando estar numa situação desconfortável.
— Tá bom. Me espera na entrada — cedeu.
Olivia assentiu respeitosamente, mas, ao se virar para sair, seus olhos lançaram um olhar desafiador para Catherine.
“Como namorada oficial, a Catherine nunca vai ter a mesma influência que eu tenho como secretária do James”, pensou Olivia.
James se virou para Catherine com uma expressão de desculpa.
— Cathy, eu…
— Vai lá — Catherine o interrompeu, os dedos finos ajeitando a gravata dele com uma delicadeza atenciosa. — Eu entendo que o trabalho vem em primeiro lugar.
James assentiu, agradecido, envolveu Catherine num abraço rápido e se afastou a passos largos.
Catherine acompanhou a figura dele se afastando; o sorriso sumiu de seu rosto no mesmo instante, dando lugar a uma repulsa inconfundível.
Ela passou a mão no lugar onde James a tinha abraçado, como se quisesse tirar algo nojento dali.
— Se você sabe do caso dele com a Olivia, por que não termina com ele? — Philip tinha se aproximado em silêncio e agora estava ao lado dela. Emílio já tinha ido embora, deixando os dois a sós.
Philip não conseguiu conter a curiosidade em relação às verdadeiras intenções de Catherine. Ele queria entender os cálculos dela.
Ela claramente sabia do envolvimento de James com Olivia e, mesmo assim, continuava tolerando.
Mais difícil ainda de entender era o fato de ela ter usado o próprio corpo para se vingar do namorado infiel, a ponto de entregar a Philip a sua virgindade.
O sacrifício parecia grande demais.
Catherine sorriu de leve, um sorriso que lembrava uma flor de papoula em plena floração — belo, mas mortalmente sedutor.
Ela inclinou a cabeça de forma charmosa, os olhos brilhando de malícia:
— Tio Philip, você tá começando a ficar curioso sobre mim — provocou. — Cuidado, hein.
Ela alongou de propósito a sílaba final, num tom cheio de brincadeira:
— Você sabe o que dizem: quando um homem fica curioso sobre uma mulher, isso pode ser a primeira faísca do amor.
A expressão de Philip se fechou imediatamente, voltando ao seu habitual ar frio e severo.
Ele a corrigiu, gelidamente:
— Senhora Levin, você não é esposa do James, então me chamar de tio não é apropriado. De agora em diante, por favor, me chame de senhor Foster.
Catherine encarou o rosto propositalmente correto de Philip, e as lembranças da noite apaixonada entre os dois voltaram à tona — a maneira como ele apertava sua cintura, a respiração pesada.
“Diz meu nome.”
“Philip.”
“Diz de novo!”
Naquela hora, ele fora completamente dominado pela paixão. Mas agora, depois de conseguir o que queria, se apressava em manter distância, exigindo que ela o chamasse de “senhor Foster”.
A hipocrisia dele não tinha limites.
