Capítulo 3 O jantar

Carla tirava todas as roupas do roupeiro. 

- Calça, calça, macacão, blusa amarela, outra amarela, laranja, verde limão... Meu Deus! Eu não tenho roupa para um encontro!!!

Carla havia dado seu número para Arthur há um dia atrás, que lhe enviara mensagem no mesmo dia, confirmando o jantar deles e pedindo seu endereço para buscá-la. Até se animou na hora, mas agora olhando para seu guarda roupas, arrependia-se de ter aceitado.

Faltava uma hora para ele chegar. O que faria? Ligou para sua prima Elaine, que desde criança era sua melhor amiga. Era quem a salvava da solidão, enquanto seus pais trabalhavam. 

- Alô? Laine, por favor me ajuda. Estou com um problemão. 

- O que houve Carla? - Elaine perguntou agitando-se. 

-Tenho um encontro e não tenho roupa!

- Ai meu Deus! - Elaine, gritava no telefone. - Cleber, Carla tem um encontro! - Elaine falava com seu noivo. 

- Dá pra parar de me expor dessa maneira? - Carla revirava os olhos. Tudo bem que quase não tinha encontros, mas não era pra tanto. - Ele estará aqui em 50 minutos, e não tenho nada que possa ser usado em um encontro. 

- Claro que não tem! 

- Elaine!

- Ok, faz o seguinte, vai arrumando o cabelo e maquiagem, que levarei algo meu para emprestar, tá? Em 20 minutos estarei aí. Beijos. - E desligou, deixando Carla gelada de medo. Sua prima era pouca coisa mais alta que ela, mas vestia-se de forma totalmente sedutora, não acreditava que teria algo que fosse agradá-la. Mas tinha outra escolha?

Carla já estava de banho tomado e cabelos arrumados, só faltava a maquiagem. Não costumava usar muita coisa, nem tinha muitas maquiagens, optou por passar um rímel nos longos cílios, um pó compacto só para retirar o brilho da pele e um batom nude.

Cerca de 20 minutos depois, estava com uma sacola em suas mãos. Olhava para dentro com a cara torcida. - O que você trouxe, Elaine? 

- Ai para de bobeira, trouxe maquiagens também. - Ergueu outra sacola em sua mão com um sorriso enorme no rosto. 

- Já me maquiei. - Carla disse pegando o vestido preto, na sacola também tinha um par de sandálias de salto. - Obrigada pela sandália de salto, mas vou de sandália baixa... - Antes que terminasse, Elaine retrucou. 

- De maneira nenhuma! Trate de colocar um salto. 

- Mas eu não sei caminhar de salto! - Carla arrependia-se de ter ligado para a prima. 

- Bobagem, eu trouxe uma sandália de salto largo, veja. - Disse ela, pegando o salto e mostrando. - Você vai ver que é bem fácil. 

Carla revirou os olhos, não dava pra discutir com essa garota!

Vestiu o vestido que se ajustou perfeitamente em seu corpo, era curto, um palmo acima do joelho, que para ela era muita coisa. Colocou a sandália e parecia que o vestido tinha ficado mais curto.

- Pelo amor de Deus Elaine! Eu não vou sair assim! - Nesse instante seu celular apita. Carla olhou-o e empalideceu. - Ele já está aí em baixo. - Olhou de olhos arregalados para a prima que ria com a mão na boca. 

- Pega sua bolsa e vai. Vou te esperar aqui, quero saber de tudo depois. 

Carla olhou-a sem acreditar. - Vai deixar seu noivo sozinho, só por uma fofoca? 

Elaine caiu na gargalhada. - Pode apostar, já o dispensei por hoje. 

Carla revirou os olhos. Se olhou no espelho novamente. Que desastre! Pensou. Pelo menos não deu tempo de Elaine a maquiar. 

Saiu do apartamento, suas pernas bambearam um pouco, mas se concentrou no piso a sua frente. Não dava pra voltar atrás. Entrou no elevador, respirando fundo, uma, duas, três vezes. 

Saiu andando lentamente, tentando parecer calma. Ao sair na portaria deu de cara com Arthur. 

Ele estava escorado no carro. Calça social preta, sapatos pretos, camisa branca de manga longa, ressaltando cada músculo que ele tinha. Seu rosto estampava um sorriso de lado, os olhos continham um brilho que a fez querer correr de volta para o apartamento.

Arthur chegara 10 minutos mais cedo propositalmente, gostava de surpreender. Carla demorou uns minutos para descer, mas quando desceu... UAU! Seu coração falhou uma batida. Quem foi surpreendido foi ele. 

Ela vestia-se com um vestido preto justo, marcando cada curva de seu corpo, um pouco acima dos joelhos, estava de salto, os cabelos soltos com aqueles cachos brilhantes, que pulavam a cada passo dado. O rosto com pouca maquiagem mostrando os traços suaves e perfeitos de seu rosto. Ele passou a língua nos lábios e deu alguns passos para alcançá-la. 

Carla estava séria, os olhos verdes por trás do óculos mostravam que estava em dúvida, mas antes de qualquer decisão, Arthur já lhe contornara a cintura e lhe beijava o rosto. Ela fechou os olhos brevemente, apenas para apreciar o perfume que ele exalava. 

Arthur lhe encaminhou ao carro com a mão em suas costas, fazendo queimar onde tinha tocado. No caminho para o restaurante, Carla fazia uma nota mental: agradecer Elaine, apesar de estar nervosa, via o quanto ele estava impressionado com ela. 

Chegaram no restaurante. Era uma casa branca enorme, cheia de luzes, chique pra caramba. Arthur andava segurando sua mão, a qual ela não recusou, estava gostando do contato.

- Olá. - Dirigiu-se ao garçom na recepção. - Reserva em nome de Arthur Gonçalves. 

O garçom olhou seu computador. Sorriu. - Por aqui senhores. E adentrou o enorme salão, cheio de mesas e pessoas jantando. 

Carla estava sem ar, acompanhava os passos de Arthur, agradecendo internamente por ele estar caminhando devagar. Foram encaminhados para um corredor lateral, adentraram em uma sala menor, que tinha na porta escrito: Sala VIP reservada. 

Carla sentiu um arrepio estranho na barriga. Ele tinha pedido uma sala VIP, se sentiu lisonjeada.

Vendo que ela parou na entrada da sala, Arthur olhou-a e sorriu. - Vamos princesa? 

Carla o olhou e torceu o nariz. - Não sou uma princesa. - E entrou. 

O jantar estava delicioso, conversaram sobre suas vidas e trabalhos, nada muito íntimo. Arthur bebera apenas uma taça de vinho, Carla apenas água. Não costumava beber e não arriscaria sua vida bebendo com um estranho. 

Arthur gostara da companhia dela, ela parecia sincera, conversava com ele sem se insinuar, apesar de que a cada movimento que ela dava ele percebia. Ela ria com vontade das piadas dele, e quando não achava engraçado ela mexia as sobrancelhas de um jeito engraçado. Arthur estava ansioso para beijá-la. Ela tinha a boca perfeita, bem desenhada, era grande mas não exagerada e os dentes brancos e retos, completavam a harmonia daquele rosto.

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