Capítulo 5 Noivo
Carla fora trabalhar no dia seguinte saltitante, tinha tido um encontro super legal, com um médico super gato, e ele a beijara. E que beijo! A deixara vendo estrelas. Fora dormir quase de manhã, de tanto que pensava no beijo, e em cada palavra que ele tinha dito no jantar.
Chegou na biblioteca e Jeremias já estava lá, como de costume. - Oi Jeremias como está?
- Tudo ótimo e você?
- Também.
Luana ainda estava de atestado, por conta disso Jeremias ficava lhe ajudando a atender os clientes no balcão.
Arthur passara a noite em claro, não conseguia pegar no sono, toda vez que fechava os olhos, via os olhos de Carla o encarando. Aquele olhar tão inocente... Será que ela estava fingindo? Não importava! Não ia vê-la mais! Ela o provocou ao limite e no fim o deixou "a ver navios". Levantou-se irritado consigo mesmo e cansado pela noite sem dormir. Foi para o hospital com uma carranca.
Adentrando o hospital encontrou Fábio, que vinha em sua direção todo sorridente.
- Olá Arthur, como está?
- Bem. - Respondeu Arthur com uma carranca.
- Como foi jantar com Carla? - Fábio perguntou lembrando-se que o amigo jantaria com ela noite passada.
- Não quero falar sobre isso. - Arthur andou mais rápido, deixando Fábio para trás.
Fábio estranhou, Arthur estava sempre de bom humor, e seduzindo quem passasse por sua frente. O que será que acontecera?
Era meio da tarde, quando uma jovem entrou na biblioteca. A moça era alta e esguia, cabelos longos e lisos. Carla sorriu e lhe atendeu. - Olá, como posso ajudá-la?
A moça a encarou com raiva. - Você! - Disse apontando o dedo em direção a ela, que assustou com a cara de raiva da moça. - Sua piriguete de quinta!
Carla arregalou os olhos. - Desculpe... o que acontec... - Foi interrompida.
- Você estava ontem a noite jantando com meu noivo!
- Seu noivo? - Carla estava de boca aberta, incrédula. Então aquele mulherengo cafageste era noivo!? Por isso não ligara, nem mandara mensagem! - Descul...
- Sua piranha, desgraçada, eu e Arthur estamos noivos! Vamos nos casar. - E mostrou a mão com um enorme anel.
Carla tentava dizer que não sabia e se desculpar, mas a moça estava fora de si, se não tivesse um balcão entre elas, tinha certeza que iria apanhar. Depois de muitas desculpas, a moça se satisfez e foi embora. Carla estava com a cara no chão!
- Que vergonha, meu Deus! - Se atirou em uma cadeira com as mãos no rosto.
- O que aconteceu Carla? - Jeremias perguntava sério. Carla engoliu seco.
- Ai Jeremias me perdoe. Eu saí com um homem ontem a noite, para um encontro, mas o cachorro, sem vergonha é noivo. Mas eu juro que não sabia. - Carla massageava as têmporas, sentindo uma dor de cabeça despontar.
- Humm, ok, mais cuidado da próxima vez. - Saiu a deixando sozinha no balcão.
Arthur já tentara de tudo pra tirar aquela mulher da cabeça. Fora dançar em uma boate, mas não sentia vontade de pegar nenhuma das moças que lá estavam se oferecendo para ele. Ele só conseguia ver aqueles olhos verdes claros na sua cabeça. - Mas que droga! - Olhou para o celular pela décima vez. - Um conhaque por favor! - Pediu ao garçom, que prontamente o atendeu.
Depois de perceber que não tinha jeito, voltou pra casa, tomou um banho frio, que também não resolveu, depois de muito rolar na cama, mandou uma mensagem para Carla.
"Oi princesa. Como passou o dia?"
Era uma mensagem curta, não demonstrava desespero, mas mostrava interesse, pensou satisfeito. Enviou.
Alguns minutos depois, dois risquinhos, ela visualizou. Sua foto sumiu.
- Mas que merda! - Mandou outra mensagem.
"Oi Carla"
Nada. Não recebia mais suas mensagem. Ela o bloqueara? Arthur sentou-se na cama. Demorou um pouco para mandar mensagem, mas não era muito exagero bloqueá-lo?
Ligou para ela. Chamou até cair. Ligou de novo! E de novo! Na quarta tentativa, o telefone caia direto na caixa postal. Arthur encarava o celular sem entender nada. - Mas que porra de mulher louca?
Socou a cama. Mais uma noite frustrada e mal dormida.
