Capítulo 1 Dormiu com o homem errado

Calor.

Foi a primeira coisa que Cora Dev sentiu ao acordar — um braço forte em volta da sua cintura, a subida e descida constante do peito de um homem contra as suas costas.

Instintivamente, ela se aconchegou mais.

O corpo dela doía por inteiro; ela não tinha dormido nada na noite passada.

Ainda assim, não se arrependia.

Por dois anos, ela tinha estado com Matt Miller, sempre se esquivando quando ele tentava levar as coisas além.

Ela não era antiquada — só queria esperar até aquilo significar alguma coisa.

Mas desta vez era diferente.

Matt tinha sido transferido para fora do estado por dois anos e iria embora amanhã.

E amanhã também era, por coincidência, o aniversário de vinte e três anos dela.

Uma noite importante, alguns drinks com sua melhor amiga Dina e um pouco de incentivo depois…

Cora reservou uma suíte de luxo no Hilton, determinada a dar a Matt a parte mais preciosa de si mesma.

Sorrindo, sonolenta, ela deslizou a mão pela cintura do homem. O Matt ficou mais em forma, pensou, meio sonhando. Nem magro demais, nem musculoso demais — perfeito.

“Mm… Dina, você tá acordada?”

Uma voz masculina grave ressoou acima dela. “Noite difícil, foi?”

“Não fala assim, Matt”, ela murmurou, apertando-o mais. “Eu quis isso.”

Dina… Matt…?

Os dois congelaram ao mesmo tempo.

Um batimento atordoado depois, ambos se afastaram num solavanco.

Cora tateou a busca do abajur da cabeceira.

A luz inundou o quarto — e um rosto completamente desconhecido a encarou de volta.

Ela gritou. “Quem é você!”

Agarrando o edredom, cobriu-se da cabeça aos pés. “Por que você tá aqui?”

“Este é o meu quarto! Quem diabos é você?” O homem parecia tão chocado quanto ela.

Um frio subiu pela espinha dela. “Este é o 1216 — minha amiga me deu o cartão. Meu namorado e eu estávamos… quer dizer…”

Ele soltou uma risada curta, cheia de escárnio. “Essa é a desculpa mais ridícula que eu já ouvi.”

Julian Watson — aquele Watson — já tinha visto de tudo quanto era mulher tentando cair na cama dele.

Mas fingir inocência depois do fato? Isso era novidade.

“Quanto você quer?”

O desprezo na voz dele atingiu Cora como um tapa.

Ela mordeu o lábio, obrigando-se a voltar à noite anterior.

Ela e Dina Baker estavam bebendo para comemorar duas coisas — a grande chance de Dina em Milão e o aniversário de Cora.

Cora tinha ficado alegrinha; Dina não parava de provocá-la para “finalmente selar o acordo” com Matt antes de ele ir embora.

Em algum momento entre risadas e champanhe, Dina lhe entregou um cartão e disse qual suíte usar.

Cora tinha entrado direto no quarto, o coração disparado — e, ao que tudo indicava, direto nos braços do homem errado.

“Eu não quero dinheiro!” ela retrucou. “Onde é que o Matt está?”

Julian franziu a testa. Matt? Ela tinha dito aquele nome duas vezes.

Ele se lembrava bem da noite passada — estava esperando Dina.

Alguém passou o cartão e entrou no quarto; as luzes continuaram apagadas; o perfume no ar era o mesmo que Dina sempre usava.

Mas quando ele acordou, não era Dina deitada ao seu lado. Era essa mulher.

Ele ia interrogá-la quando o celular tocou. O nome de Dina apareceu na tela.

“Dina. Explica”, ele disse, seco.

A voz dela veio ofegante, carregada de desculpas.

“Julian, me desculpa. Me ligaram em cima da hora de Milão — eles querem que eu feche o desfile! Você sabe que é o meu sonho. Eu embarquei às oito ontem à noite. Por favor, não fica bravo, tá? Ah, e… você gostou do presente? Eu escolhi especialmente pra você.”

Os olhos de Julian escureceram. “Presente?”

“Sim”, ela sussurrou. “Ela é virgem. Não é uma graça?”

Os lábios de Julian se curvaram num sorriso frio. “Como eu poderia ficar chateado com uma namorada tão atenciosa? Arrase em Milão.”

Ele desligou.

Do outro lado do quarto, Cora revirava suas coisas, desesperada por qualquer sinal de Matt.

Nada.

O estômago dela se revirou. Ela tinha passado a noite com um estranho. Como ia encarar Matt agora?

As lágrimas transbordaram. Ela se agachou num canto, soluçando em silêncio, fingindo que o homem que a observava não existia.

Julian soltou o ar, a expressão indecifrável.

A mulher era comum — comum demais para as brincadeiras habituais de Dina. Talvez o “presente” nem fosse dela.

De todo modo, aquilo que acontecera nunca poderia vir à tona.

Ele vestiu o casaco, puxou o talão de cheques, rabiscou um número e arrancou a folha.

Aquilo devia ser o bastante para mantê-la calada.

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